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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

A vida que tem de ser

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Nem sempre somos o que queremos. Fortes constantes, coerentes. E nem sempre o que sabemos que  "a vida que tem de ser"... nos faz sentir bem.

 

E apesar de saber que é suposto e tal e tal...o meu coração não anda a conseguir lidar com a ausência do "filho do pai separado". Pronto, tenho dito. Ando mesmo a sofrer com isso, anda-me a fugir pelas mãos (tanto o filho, como a situação) e  tenho andado a sofrer em silêncio. E não se pode fazer basicamente nada.  Pronto. A não ser... escrever um texto como este para ver se alivia e se encontro "cúmplices" neste sentir.

 

Tem a ver com a minha vida, com a minha rotina, com o fato de eu estar a voltar a estar muito fora aos fins de semana e ele estar com o pai de 15 em 15 dias. Tem a ver com o fato de muitos dos que "me calham" ele acabar por ficar com a avó ( adora, atenção e é até muito saudável mas.. mas.. eu não estou presente...), porque eu estou de viagem a tocar. Não é algo que consiga prever. Muitas vezes, as datas surgem 2 ou 3 semanas antes, outras até menos e já há coisas combinadas do outro lado, perfeitamente legítimo. 

 

E depois vêm-me todos dizer: mas olha, não fiques assim, ele está contigo durante a semana, aproveita sem stress..". Sim, está... mas durante a semana há a escolinha, as atividades, eu sempre cheia de afazeres, o restaurante, sinto que é "acordá-los, arranjá-los, deixá-los... passar o dia, apanhá-los, arranjá-los, deitá-los...". Preciso de manhãs de ronha com ele, de ficar 48 horas dedicadas ao meu caracolinho. Preciso de o sentir perto sem estarmos sempre de horas marcadas para tudo... Preciso da minha Luz. Do meu Luz. Sinto-me apagada sem ele.

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 Existe ainda outra coisa e que tem a ver com uma sensação de injustiça, perante a minha permanência com a  irmã, uma espécie de desiquilibrio no meu "estar" com cada um deles, com quem eu sinto e sei ( eu sei. Ele, acho que ainda não equacionou isso) que estou muito mais tempo. Algo inevitavel, porque ela "é permanente". Não há pais separados e está sempre "deste lado". Ok, ok, continuo a ir para fora, trabalhar, continuo a não estar todos os fins de semana, mas estou muitos outros estou presente. E só as duas, sem mano. Umas vezes com o pai, outras com ele a trabalhar no restaurante e noutros trabalhos, por isso, também muitas vezes só mesmo as duas. A criar laços que sinto que me estão a começar a falhar com o mais velho.

 

Não posso, nem quero, no fundo, fazer nada.  Porque não posso nem quero deixar de trabalhar ( nos meus horários irregulares...) porque ele não pode deixar de ir para a escola para estar comigo (já o cheguei a fazer uma ou duas vezes, mas como acho que as rotinas são importantes de manter, tento não o fazer muito), porque o pai e a família dele têm tanto direito de usufruir de tempo de lazer com ele como "os de cá". Mas quero, aqui, deixar que sinto e fazê-lo sem pudores, porque acredito que haja muita mãe separada que se passe por esta dor inevitável de quem sente que se lhes é arrancando um pedaço de si, ao perceberem que as contingências da vida, as fazem afastar de quem mais amam. Mais ainda... para quem, tem filhos de pais diferentes e passa a vida a tentar perceber se dá a um o que dá ao outro, que tenta compensar mas também não sabe bem como, que sofre porque a família nem sempre está completa...

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A outra pirralha também se queixa de saudades, quando o irmão não está. Principalmente quando está na rotina caseira e comigo. Chega a ordenar-me : "Vai buscar Axonxo Mãe! Vai!".. e a mãe: " Ó filha, não posso, ele está no pai João... ;("... Mas depois... ele surge e as saudades passam a ciúme e embirrice e ele, que é um doce, acaba por ser quase ostracizado por ela, que se passa cada vez que me chego a ele e ele a mim. Faz jogos de birras, afasta-nos, chega a dizer " A mae é shó mia!!" e no fundo, até deve acreditar nisso, porque me teve dois dias inteiros só para ela. A enroscar-se em mim, a brincar com ela sem outro foco de atenção a distrair-nos, a dormir num determinado sítio na minha cama... que depois... o mano chega e.... também quer! No fundo, acaba por não ser culpada deste "marcar de território", o que ainda é mais difícil de gerir, porque não a quero assim.... mas percebo o porquÇe de estar assim...

 

Sinto que "a vida que tem de ser"... nos está a afastar ao ponto de ele um destes fins de semana me dizer. "Ó mãe, mas hoje não há escola?"... " Não filho! É sábado!!"  E ele: " Mas os sabados e os dias sem escola não são na casa do pai? ".... ;( 

 

E pronto... sem mais que dizer, contar, queixar, choramingar, teorizar, só agradeço poder partilhar ( e espero que sem dedos apontados ou críticas) este sentimento com tantas mães ( e sim, porque não pais) que vivam algo parecido.. um misto de culpa ( sem haver culpa nenhuma), tristeza, impotência e medo de estar a errar na educação emocional destes dois pequenos seres ( ada um por razões diferentes) e ... saudades constantes de uma realidade que está longe de ser aquela que eu sonhava quando quis ser mãe. 

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Sabem que mais? Cada momento tem que ser aproveitado, saboreado à séria. Porque o tempo é tão curto e passa tão rápido... Porque ao não nos conseguirmos duplicar, não podemos chegar a tudo o que queremos e ao não chegar a tudo o que queremos.... a nossa felicidade vai sendo vivida às fatias. E como seres insatisfeitos que somos...normalmente parece-nos sempre, que à fatia que temos no prato, falta sempre algum ingrediente extra. E para mim... impossível na permanência, mas maravilhoso quando acontece... as minhas duas fatias juntas (de seu nome "meus doces filhos") completam aí sim, o bolo mais saboroso do mundo!

 

Ai, ser mãe é mesmo ter o coração ( muitas vezes a doer) fora do corpo... Porra!!

 

Divertida Mente. Um filme de chorar, rir, ter repulsa, medo e raiva.. por mais!!

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Normalmente não sou do género de descrever por aqui as peças ou fimes que vejo com os miúdos... São tantos os temas, normalmente faço uma ou outra alusão nas redes sociais, mas não no blog. É que eu tenho uma espécie de relação com ele quase "religiosa"... no Face e instagram posto quase todos os momentos, aqui, neste meu cantinho previlegiado só o que, por uma ou outra razão é mesmo importante, incontornável, me toca muito, tem a ver com a minha forma de ver o mundo. No fundo, é o meu "Best Of". E este filme... foi sim, um "best off". Adorei. Acho que tanto ou mais que os miúdos.

 

Chama-se Divertida Mente ( Inside Out, em inglês) e é produzido pela Pixar ( Monstros e Companhia, Up, Toy Story, Os Incríveis, etc...).

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 O filme fala de emoções. Mas mais do que isso, que só assim explicado é pouco. O filme é uma excelente ajuda para que os pais possam explicar aos filhos... as emoções. E daí o me ter apaixonado pelo seu conteúdo.

 

O Afonso colou ao ecrãn, de tal forma, que nem reparou que mesmo ao lado dele, a priminha de 3 anos, porque estava a fazer barulho, teve que sair da sala e ficou u bom tempo de castigo lá fora... Ele não tirava, literalmente os olhos do ecrã. E o mais engraçado, é que depois desta ante-estreia, que foi há coisa de 5, 6 dias, pontualmente me fala num dos personagens (que eram as emoções caricaturadas no seu extremo) e em como geri-las em si mesmo. Fabulástico, não é?

 

Eu, que acredito que um dos graves problemas da sociedade atual é não falar abertamente dos sentimentos (sejam eles quais forem, porque ninguém é só bom ou só mau, todos temos um poquinho de casa em nós), aplaudo de pé, quem consegue assim de forma tão simples e humana (sim... lá tivémos pelo meio a parte em que todos deitaram a lagriminha do olho..), trazer esse tema ao centro de uma conversa familiar.  

 

Ter raiva, ficar triste, ser arrogante e ter nojo, sentir medo.. ou claro... ser pateta de tão feliz!! Tudo faz parte do crescimento de uma criança. Que, claro está acabará por virar adulto. Uma pessoa que se não se aceitar como é e não souber lidar com o que sente... pode vir a ter graves problemas, e não queremos nada disso pois não?  No fundo, este filme, pode ser a "desculpa" para falar sobre isso quer seja de uma forma mais pedagógica ou mais leve.

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E é na cabeça desta menina, da Riley, que aqui tem 10 anos, mas que vamos acompanhar desde bebé, é na sua cabeça que tudo se passa. É aí que "eles vivem" e vai ser aí que a maior aventura, a de "recuperar" os sentimentos e sensações perdidas (e mais não posso contar) acontece.

 

Já me perguntaram para que idade é o filme? Eu acho que para todas, mesmo sem crianças teria ficado feliz por o ver. Ah... e acreditem ou não, mesmo a minha Matilde Estrela ( 2 anos e 7 meses) ficou atenta e mandava umas "larachas" tão giras sobre o que ia acontecendo, que me fez pensar que apesar de, obviamente não apanhar a história e a mensagem como um menino mais velho, já se encantou com muitas das coisas, gostou e entendeu personagens e pronto... acredito que são estas as experiências que lhes vão enchendo, a ainda curta mas intensa vida que têm.

 

Se puderem ver, não hesitem. E principalmente se algum dos vossos pirralhos tiver algum traço de personalidade chatinho mais vincado... podem crer que este filme e os seus personagens falantes podem mesmo ajudar-vos a vocês, pais e percebê-lo melhor e a ele.. quem sabe... a dar um bocadinho o braço a torcer.

 

Muito Fixe mesmo este "Divertida Mente". E estreia hoje em todo o país ;)

 

Beijinhos... e muita... Alegria! Sempre!! Nunca a deixem fugir... (aiiiii....)

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Como te apresentarei o Mundo

Hoje dei de caras com o ínicio de um texto que comecei a escrever para o meu primeiro filho, a minha Luz, o meu Afonso... Acabei por ficar "pelo caminho" deste projeto de "livro" que acabou por não nascer com ele (com o filho) um pouco por influências estúpidas de alguém que me desencentivou, dizendo que talvez não fosse "suficientemente bom" para ser publicado, ele era um "artista". Eu acreditei nele. Mas cada vez que pego nestas páginas (e tenho mais, bastantes mais), me arrependo, porque a intensidade, verdade e amor, transpõem estas letras que aqui vemos. E acho que qualquer mãe saberá do que falo. Hoje dei de caras com este texto. Partilho-o, de lágrimas nostálgicas nos olhos e com o coração cheio de sentimentos bons. Se gostarem e quiserem mais... bora lá, é só eu pesquisar nos arquivos e reviver convosco estes sentires tão especiais de uma grávida de primeira viagem, cheia de esperanças, medos, sonhos e intenções. Acredito que muitas se identificarão.

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Vou tentar apresentar-te os seres humanos. Até porque tu vais ser um também. Já te se formam não só a cabeça, o tronco e os membros, mas também o coração - não só o que bombeia sangue mas o que sente, e também a cabeça – não só a que pensa mas a que discorre. Pelo menos assim o espero. Pelo menos esses serão o essencial dos essenciais a transmitir-te.  E o resto virá por acréscimo. Sim, porque se essas premissas estiverem ambas presentes, acredito que tudo o resto fluirá como o leito de um rio em fundo macio.

 

 

Tens já forma dentro do meu corpo. Sinto te a mover há coisa de 2 semanas e cada dia é uma descoberta para mim e provavelmente também para ti. Sei que já tens tacto, que sentes já alegria gulosa ou repulsa por qualquer alimentos que eu coma e tu gostes mais ou menos. Já tens pêlos – poucos, espero eu e provavelmente as tuas futuras namoradas…- e de vez em quando bocejas e soluças. Já sentes a minha voz e incomodas-te com sons demasiado agressivos. Para mim, que entre outras coisas, sou Dj, é algo que me aflige bastante. Que tipo de música e vibração te desagrada e que sons te embalam e te consolam. Agora, de phones cor de rosa nos ouvidos deixo a música electrónica de lado e oiço Lisa Ekcdal, Jane Monhein, Norah Jones, Stacy Kent, Katie Noonan um  jazz de meninas mas  muito bem colado a uma noite de sábado à noite com toda a nostalgia do sabor agridoce de me apetecer ficar em casa.

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Hoje estou nostálgica sim. Cheia de dúvidas, tristezas que perto da felicidade de te ter no meu útero deviam ser puros pormenores. Mas que não o são. E até por isso me sinto um pouco culpada e assim no circuito fechado de me parecer , então, até um bocadinho pior ainda…

 

 

Há dias assim. Em que a fortaleza dos mil sorrisos se desmorona como um castelo de areia e aí muitas lágrimas são derramadas e o aperto no peito parece não passar. Talvez por isso e por me sentir desasada, deslocada e amargurada me tenha visto impelida a escrever-te. A falar-te baixinho tão baixinho, quase como em segredo, sendo o único som o teclado do computador e a forma das letras  que vão nascendo nesta conversa que agora inicio contigo. Quero-te perceber ainda sem sequer teres nascido. Quero que me percebas tu a mim agora de forma instintiva, mais tarde, com a ajuda da rotina e ligação que entre nós vai crescer, mas porque não também através destas palavras que agora vou fazendo aparecer e que um dia mais tarde te podem vir a aproximar de mim e a perceber quem sou? E quem fui, enquanto te formavas Ser, menino, homem dentro de mim.

 

 

Mostrar-te-ei que não há razão para temer os sentimentos. Os sorrisos ou as lágrimas. Os considerados bons e os apontados como maus e vergonhosos. São eles, todos eles, que nos ensinam quem somos e são eles que nos hão de ir direccionando para o nosso caminho. Esses, os que vivem assim, são os  que tem coragem de ser quem são e isso, para  mim é o mais maravilhoso acto e coragem nos dias que correm. Ser sempre o que esperam de nós, não só se torna a longo prazo muito enfadonho, como nos faz sentir uma estagnação no próprio pulsar da vida.

 

 

As lágrimas são o supremo sorriso. Quem não as entende é porque esconde a alma atrás dos olhos. E hoje eu já me fartei de chorar…

 

 

Talvez as hormonas de grávida de 5 meses me estejam também a (des)ajudar neste pranto semi apoiado por razões que de tão óbvias por vezes me parecem tão descabidas. Se eu as sentia  aproximar-se.. porquê ser assim surpreendida quando os receios passam a concretizações? Enfim, mais uma das incongruências dos seres humanos com que também tu muito provavelmente terás que aprender a lidar um dia. Nem que seja pelo poder da repetição ou pelo vencer pelo cansaço. Aiiiii, e como eu gostaria de te poder poupar destas dores… Sem cura imediata, sem antídoto ainda conhecido, os desgostos e desilusões só se curam mesmo com o tempo, não há volta a dar.

 

 

Ensino te desde já, uma das mais duras descobertas. Não vale lutar contra ela, nunca a um nível imediato nem espernear para que se evapore assim. A dor, nomeadamente a da perda ( que é a que sinto hoje…) não diminui com a razão nem se dissipa com a lucidez. Ela tem vida própria e só a generosidade da existência e o tempo a podem ir apagando. Solução? Esperar e mesmo quando se sofre, condição também ”sene quoi non” do Ser Humano com o coração no sítio e a Alma no lugar, o melhor de tudo é, no entanto, saber que um destes dias havemos de acordar apaziguados e mais leves dessa dor, com a respiração mais pura e a visão menos turva, sorrindo e saboreando outra vez os presentes da vida e questionando nos” porque raio me senti tanto tempo eu assim?”.

  

 

Mas hoje… é assim mesmo que me sinto.  Enfim, tudo passa e a verdade é que ter- te, agora no real panorama da minha vida me oferece mais força para superar um… desgosto dos grandes, uma desilusão, um passo a mais de menos acreditar no Amor… Que é o que menos precisava nesta vida agora. Mas se te resolvo contar tudo para que saibas quem sou, tens que primeiramente saber, que sou ainal e definitivamente uma mulher de Amor, de afecto e e bem querer. Que não equaciono a vida sem ele e tanto me encanto pelas suas ofertas quase improváveis e maravilhosas como me deixo cair no desprazimento e desgosto de um Amor não correspondido, de um Amor que afinal não o era ou de um Amor que nunca existiu, de um desengano forçado ou desesperado. Amar, mesmo quando nos entristece é o que nos mostra que estamos vivos e temos a capacidade da oferta, da utopia, da Verdade. Porque só o Amor é verdade. Mesmo quando se torna a antítese dela.

 

 

Refugio me hoje, no inicio desta carta para ti, filho que vens a caminho de mim e do mundo. Tu que vais ser Homem como os homens que na vida, ao passarem por mim, me têm feito sofrer. Depois de me terem feito sorrir. E isso , por si só é já uma dádiva, uma razão para ter valido a pena. Não é? Hoje refugio-me numa ideia que é a de te deixar um roteiro não linear, de como ser feliz neste estranho mas tão admirável mundo em que vais nascer. Sem normas, sem regras algumas a não ser as regras do contentamento e da felicidade.  Ou da busca delas. E por isso mesmo… a regra do risco.

 

 

A perspectiva de ser mãe… é deliciosa e assustadora ao mesmo tempo. E olha que em voz alta , não parece bem admiti lo. Se desde sempre me lembro de desejar um catrefada de filhos, agora é  altura certa para pensar de mim para comigo se seria mesmo um desejo autêntico ou um projecção de um ideal de vida que tanto quis. A Família. O homem-príncipe ao meu lado, os lanches ao domingo, os passeios na praia lado a lado com os miúdos, o cão e o love of my life… A vida encantada. De uma menina encantada também à nascença com as hipóteses infinitas que o mundo nos apresenta. Tanta coisa e tão pouco tempo.  E tanto engano. Tanto desejo e tão pouca concretização ( ou desilusão), tanto sonho e tão pouca realização… ou talvez, tanta insatisfação para quem acreditou, durante grande parte da vida, que tudo podia acontecer… E olha, aqui estou eu, “ mãe solteira” e ainda com tantos planos por concretizar. Muito longe do ideal de família mas apesar de tudo, talvez até mais perto de quem sou na realidade. Só custa assumir e olhar para dentro, mas uma vez feito… é seguir as pedras da calçada e ver o que nos espera ao cimo da rua.

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Bem, se te quero apresentar os seres humanos, nada melhor do que, numa assentada, nos centrarmos no parágrafo  anterior. Curto, pouco conciso mas efectivamente  demonstrativo de uma das características mais comuns a quase todos os seres humanos: A Insatisfação, o descontentamento. E eu, por mais que me queira distanciar da carneirada, não consegui ainda fugir a essa praga.

 

Querer mais, melhor, sonhar o que devia ficar só mesmo por aí e deixar de sofrer por quimeras. Ou não. E acredites ou não, esta, é ainda a minha grande dúvida.  Será melhor evitar a dor não nos vergando aos sonhos, tornando me uma conformada, fugindo caminho que me vai atirar contar o muro ou seguir a fundo e curtir entretanto as curvas e o vento na cara? Aos 33 anos de idade e depois de já muitos percalços, tropeções, desilusões e desenganos, lá tento  eu obrigar a minha razão a deixar me de pé atrás com tamanho idealismo fantasioso que faz de mim a personalidade genuína e sonhadora que sou  para que não me volte a magoar.   Mais uma e outra e outra vez. Não aprendo. Ou pareço não querer aprender. A insatisfação tanto nos pode entristecer como oferecer a força da loucura e da procura pelos nossos objectivos. E não é que há vezes em que as coisas até podem correr bem ??

 

Ser humano é errar , mas é principalmente agir sem pensar à partida nisso. E depois logo se vê. A Vida é isso, um grande teste, por vezes de filosofia, outra de matemática, que vamos ter que ir resolvendo, umas vezes passando com distinção. Outras correndo até sérios riscos de ter que ir à Oral e ser inclusivamente humilhado por colegas e professores.

 

O esboço da vida vai começar agora a ser traçado. O teu. E o meu também, que nunca é tarde para mudanças. Se bem que o Ser humano é casmurro e de poucas metamorfoses profundas. Cada vez mais acredito nisso, uma coisa é o aperfeiçoamento. Viável e até obrigatório para quem pretende fazer da vida “ aquela” viagem. Outra é a mudança… Somos pior que jumentos, digo te eu. Por isso é que “ de pequenino se torce o pepino” sim senhora. É aí que a educação e visão primeira do mundo nos condiciona para o resto da nossa vida. E aí que os princípios nos são incutidos, que os receios originais se instalam para o resto das idades e os grandes sonhos se começam a desenhar. Por isso, a grande responsabilidade de ser pai ou mãe. Somos nós que vos apresentamos o Mundo e que levamos ao Mundo o mais essencial de vocês. É através dos nossos olhos, atitudes, verdades, desassossegos e sensibilidades que vocês, crianças deste mundo, que dentro em pouco deixarão de ser crianças irão cavalgar por aí fora criando empatias com os outros ou subjugando outros iguais , formando( ou destruindo) famílias, fundando partidos e princípios ou apostando em anarquias, participando em lutas pela equidade ou  ao seu invés, criando conjunturas injustas, sendo atraídos pela sintonia ou aliciados pela ambiguidade ou intranquilidade.

 

Por que caminho escolherás seguir tu? Dependerá também de mim? Acredito que vais ser Especial. Porque sim. Porque penso muito nisso e só por aí o caminho começa já a ser traçado. Porque serás um prolongamento de mim e porque se vais nascer será para fazer a diferença. Nem que seja na tua rua. Às vezes as viagens mais incríveis fazem se sem sair do mesmo lugar… A minha irá durar 9 meses. Até te ver e sentir finalmente que o meu rumo mudou ao nascer o teu…

Como continuar a vida com "menos um" dos que gostamos...

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 A vida é isto mesmo... dói a tua partida... mas a vida continua. Porra...Talvez pareça frio mas é tudo menos gelo. É proteção. A vida continua sempre. Ela é uma estrada inevitável de percorrer. E não há como travá-la...

 

E ela continua com os seus afazeres, os seus horários e as suas rotinas, as suas contas e os seus compromissos, os nossos filhos, sobrinhos e tal e tal, os sorrisos sinceros que vamos tendo (ou a tentativas deles), o trabalho, a família, a luta diária, o tentar encaixar os amigos no meio de tudo para uns minutos de lazer. Segue. E tu que partiste...E o teu filho ficou...( Deus como isso dói..)

 

Para uns a vida acaba assim sem avisar. Para outros, apesar do choque e do "abre olhos" que é... tem que continuar. Na busca incessante da felicidade. Nem que seja em honra de quem já partiu e não teve mais oportunidade de buscar os seus sonhos e desejos terrenos. Percebem?

 

Pronto é isto. Quanto mais vivo mais o sei. E ser realista doi ainda mais. 

 

Se gosto da Vida? Amo... mas acho que ela, podia, de vez em quando dar-nos tempo para chorar e encontrar uma reclusão que, pelo menos a mim ( que vivo literalmente de tudo o que conquisto) não deixa...  

 

Sinto que cada vez mais, se expõem sentimentos nas redes sociais, mas que na vida interna de cada um se esfumam muito mais rápido que os posts... Chorar não e bem visto. Tudo tem que ser explicado, esmiuçado... às vezes não existem razões aparentes e expressivas... é só o coração adormecido pela rotina do dia a dia que desperta. O meu despertou agora e fez-me viajar até a um passado "próximo" mas já com mais de 10 anos.. Eramos todos "tão meninos", tão cheios de sonhos, ideias, certezas... 

 

E agora, que para ti acabou... para nós... 3, 2,1... Tem que ser um "Siga para Bingo"... (esperamos sempre que o "bingo" esteja ali a frente) com um estranho e colado apego na alma aos que, sem razão aparente (podia ser um de nós, esse é o sabor que fica depois de uma morte permatura e próxima) se despediram e partiram para outra realidade (se a houver efetivamente...).

 


Somos todos feitos de Estrelas e as Estrelas são feitas dos que hoje, nos iluminam e vigiam lá de cima. Mas preferia que algumas "estrelas" não brilhassem ainda ;(

 


Beijinho na alma e boa viagem, meu amigo. A nossa, aqui, continua sem parar, mesmo estando fixada e colada ao mesmo sítio e às mesmas certezas que de certas não têm nada. Tudo assim, correndo ao sabor de uma estratégia de um tempo cronológico lixado... tudo, até ao dia... que todos esperamos que demore a chegar, mas que chegará a todos. É esta a minha dificil e quase culpabilizada reflexão de hoje. Volta a dar? Não me parece..

 


O que é afinal a Morte? Como deviamos viver afinal a Vida? Oh Good... tanta coisa na cabeça... e mais as fraldas e os jantares, e as reuniões e os horários e os projetos... e tu e tu e tu e mais tu, pessoas que me marcam ou marcaram... que vão deixando de estar por cá...

 


Com Amor. Era assim que devemos, temos obrigação de viver a vida. E com vontade, mesmo que às vezes pareça tão difícil e estranho.. Viver sem grandes dramas ou ciúmes ou chatices por "coisas poucas" que acreditamos serem "o mundo". Viver sem dores escusadas, sem ânsias ou invejas. Sem dor...

 


A vida é curta mesmo. Vivas 20, 40 ou 90 anos. Se a amarmos será sempre curta... E agora, perto dos 40, ainda mais esse peso cai sobre mim.
Se não a amarmos, acredito que seja um alivio a partida. Mas mesmo assim, tenho em mim que na hora da partida quase todos desejassem uma segunda chance... 

 


A vida de quem cá fica ...continua, é disso que falo. E  como raio conseguimos gerir este sentimento? Uff...

 

 

Honremos a tua e a partida de outros próximos ou que fizeram parte importante da tua vida, tenha sido em que fase tiver sido. Aqui, nestas coisa, o tempo torna-se relativo, só o sentimento... Deixemo-nos de merdas. Sejamos agradecidos e encontremos momentos bons a cada dia que passa.

 

Só isto... Estou toda atabalhoada em sentimentos...

 

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Primeiro dia da "escola dos crescidos"....

 

               

Meu amor, que crescido estás! Hoje é o teu primeiro dia na escola nova... na classe dos 4 anos!! Uau! Que ainda não tens ( falta um mesinho) mas com que já te sentes. Dizes coisas tão engraçadas do alto dos teus quase 4 anos : " Mãe, eu um dia vou ter 20 anos?" lol, foi a última, no que concerne coisas de idades... e depois acrescentaste: "E tu, já tens 20?"... humm.... "quase filho, quase" ahahha...

 

Não sou daquelas mães saudosistas que te queria sempre pequenino,só para ela, não longe disso. Consegui passar ao largo desse sentimento que aprisiona muitas mulheres e sufoca as suas crias. Por outro lado, agradeço e aprecio todas as fases que tenho contigo passado. Mas o que me toca, nestes dias assim mais simbólicos e marcantes da tua ainda curtinha vida... é que já vivemos tanto juntos, meu bem.... Mesmo muito meu Caracolinho Dourado. Tantos sorrisos e também lágrimas que já viste em mim, tantas fases intensas que passei contigo sempre por perto, tantos caminhos traçados lado a lado, tantas decisões em prol de ti... Tudo em 4 anos, que olhados de fora e pelo olhar das minhas experiências parecem muito mais... Foste tu que deste o empurrão para as grandes mudanças em mim...

 

Estás a crescer. Já não és bebé, és um menino. Com uma personalidade muito tua, com uma visão muito própria do mundo, que eu tenho ajudado a criar.

Sinto-me orgulhosa de quem te estás a tornar e mesmo com as birras mimalhas próprias da idade (e dos ciúmes dos manos, acho ;))...  eu não me queixo da tua presença nem um bocadinho. Por mim, ter-te-ia horas e horas intermináveis ao meu lado, onde ensinariamos coisas um ao outro e usufruiríamos do nosso companheirismo e Amor... Mas como não é assim que funciona.... lá começaste tu mais um ano de escolinha, sempre a caminhar para a sabedoria e sociabilidade... ;)

 

Hoje começa mais uma nova fase, Afonso Luz. Muitas adaptações e mais um pulo no teu crescimento. É difícil a uma Mãe desapegar, confesso... mas faz parte da vida. O teu caminho começa a ser traçado com uma marca de lápis mais carregado, comigo a apoiar-te sempre, mas são já os teus próprios passos a comandarem a direção. Amo-te até ao fim dos dias, no inicio, no meio e no fim da estrada, por isso meu "Ratatui" dos 4 anos...quero que saibas que podes crescer, sim, mas que nesse lindo e normal processo, a Mãe Mendinha estará sempre cá, a assistir, a apoiar, a responder às tuas questões e a dar o mimo pedido por ti... e ansiado por mim ;) Combinado?

 

 

Bye bye sweet Peaches ;(

  

 Não era uma "estela galática" daquelas que se reconhecem nos 4 cantos do mundo, alguns provavelmente nem saberão à partida de quem falo, mas Peaches Geldof era, para além de apresentadora, um recente ícone de estilo em terras Britânicas, principalmente depois de ter "sobrevivido" a uma adolescência problemática e depois da maternidade a ter tornado uma "outra" mulher cheia de estilo, alegria e adepta de um estilo de vida saudável.

 

Eu, seguia-a, curiosamente, no instagram. Mãe estilosa, trendy, moderna e... real apesar de figura pública, era giro conhecer o seu dia a dia, que no fundo, até se parecia muito com o que eu vivo. Profissões parecidas, bebés de 1 e 2 anos e meio... ainda me chocou mais por esta "proximidade" virtual, de "onda" e de vivências parecidas;(

 

Sempre viveu sob a alçada da imprensa, era modelo, fashionista, ex-colunista da “Elle” inglesa, filha de Bob Geldof e Paula Yates e irmã de Pixie, figura também conhecida no mundo da moda.

(aqui, uma foto com a Mãe Paula, quando tinha a idade do seu filhote mais velho:)

 Peaches tinha 25 anos e deixa dois filhos, de 1 e 2 anos, frutos de seu casamento com o roqueiro Thomas Cohen. E "assim" se acaba uma vida que estava ainda agora a começar. Sim, porque ser Mãe, para ela, como para tantas de nós, lhe estava a abrir novos caminhos, a apresentar novas e únicas experiências, a mostrar que a vida são também e principalmente "Eles", mais do que tudo o que passamos ter vivido antes. Que pena...

Após uma perícia inconclusiva sobre as circunstâncias da morte da apresentadora de 25 anos Peaches Geldof, o jornal inglês The Sun divulgou nesta sexta-feira (10) que a socialite pode ter falecido ao lado do filho, Phaedra, de apenas 11 meses.

 

E basicamente é esta a razão desta minha crónica.

 

A sua morte é triste, mas como tantas outras. O facto de ser Mãe de dois bebés com idades próximas dos meus ainda me tocou mais, mas o fato, a ser verdade, que morreu ao lado de um deles, torna, para mim, esta descrição de morte um verdadeiro pesadelo. E acredito que para qualquer uma de vocês.

 

A última coisa que deveria acontecer a uma mãe. Morrer ao lado de um filho adulto, é uma coisa, até apaziguador, acho. É a lei da vida e uma pessoa de 20, 30, 40 anos, já consegue digerir esta tristeza e até poderá fazer algum sentido.

 

Mas uma criança? Um bebé?? Todas sentimos, que é suposto protege-los, estão sobre nossa alçada mesmo por isso, era suposto sermos o seu conforto e porto de abrigo certo... E esta morte vai fazer parte da História deste pequeno ser. Vai marcá-lo para sempre. Será justo?

 

A informação divulgada é de que uma vizinha teria encontrado o corpo de Peaches ao lado de Phaedra, que brincava junto à mãe. "Phaedra estava ao seu lado o tempo todo, mesmo quando ela estava "dormindo". Pelo menos há o conforto de saber que ela não estava sozinha quando morreu", declarou uma fonte da publicação.

 

Peaches teria sido encontrada pela vizinha pois após inúmeras tentativas de contatar a esposa ao telefone, o músico Thomas Cohen, marido da apresentadora, teria pedido a ela para que fosse verificar se estava tudo bem com Peaches e o bebê.

 

Ainda de acordo com a publicação, a vizinha lamentou a morte de Peaches e falou sobre o pequenino: "Ele (o bebê) é tão pequeno que esperamos que ele não vá se lembrar de nada. O mais importante é que ele está bem. É devastador para Tom não ter estado ali, mas não poderia ter evitado".

 

Sim... tudo isto é real.
Mas tudo isto é também o pior pesadelo de qualquer mulher. Pensem nisso. Não é??
A não terem sido efetivamente drogas - e se assim o for toda esta homenagem ficará em águas de bacalhau, porque não equaciono, em situação alguma, uma Mãe drogar-se com os filhos por perto- (uns especulam-no, devido à mãe de Peaches, ter morrido de uma overdose quando ela tinha 11 anos, mas a maioria e até as entidades competentes dizem não ter encontrado qualquer  substância ilícita no seu organismo, outros a uma dieta rigorosa feita à base de líquidos), sim... mas, ok, a não terem sido drogas, nem quero imaginar o que terá sido o momento final daquela jovem mulher, ao sentir-se mal (não sabemos bem como), estando com o seu bebé ao lado e não ter tempo nem reação para o proteger do que estava a acontecer...
Nem quero imaginar ou consigo compreender muito bem, como uma Mãe nova, bonita, aparentemente saudável, se vai assim, sem lhe ser permitido pelo Universo que a levou.. vir a vivênciar de perto, acompanhar o crescimento dos seus pequenos infantes... sem protegê-los deste momento assustador e avassalador (mesmo sem ele se ter apercebido por ser pequeno demais).
Ainda ontem, nem a propósito, falei neste tema ao meu marido. Algo que não apetece verbalizar, mas que uma estranha situação destas e com a visibilidade que está a ter, trouxe à tona e me está a revolucionar os sentimentos. Nunca queremos imaginar que vamos "faltar" aos nossos filhos. Mas a vida é uma roleta russa... E se!? "E se um dia eu desaparecer e eles forem pequeninos!?"...
 
Quanto a esta linda Menina-Mãe, só desejo que descanse em paz e que, se assim for o "depois" que acompanhe com Amor os seus filhos de lomge, como se estivesse perto... mas sei lá. Estou confusa, triste e imagino que a todas as famílias podem acontecer desgraças destas. Que karma, a de algumas. Que tristeza, que medo (ainda por cima, porque agora depois da sua morte surgem história mesmo mesmo assustadoras. Como ESTA AQUI...)



Tempo com tempo para ser feliz. Parabéns Matita*



O tempo é relativo e assim o sabemos.

Sabemos quando um ano parece uma vida, porque a minha já não teria sentido sem ti. 

Sabemos quando um ano parece um minuto, porque ainda "ontem" estavas ainda no meu corpo, debaixo da minha pele, a tocar o meu coração por dentro.

O tempo não interessa mesmo. O que interessa é a celebração da tua chegada.. E a tua permanência. 

 A tua vinda ao Mundo, tornou-me mais completa. Mas também mais responsável, mais medrosa pelo mundo. Mais lutadora. Mais atenta...

Tu, minha Estrela, completaste o puzzle que estava ainda desfeito.

Tu, que és bebé, um dia serás menina e mais tarde Mulher como eu.

Por isso, de Mulher para Mulher, minha filha... te desejo um Tempo com muito Tempo para ser feliz, realizada e a crescer com os valores e os princípios certos e principalmente muitos sorrisos e momentos de Luz.

Parabéns pelo teu primeiro ano já tão cheio de histórias minha Matilde Estrela!

Eu e toda a família queremos-te um bem do tamanho do Universo onde brilhas ***