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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

A ambiguidade de estar feliz... mas não completa.

Gostava de vos falar da felicidade na ausência. 

 

Ou da Tristeza na felicidade.

 

Ou da dificuldade em gerir a ambiguidade de estar a fazer algo que gostamos, mas nunca nos sentirmos completos.. porque faltam eles.

 

Gostava de vos contar, como é dificil, principalmente quando se exercem profissões em que muitas vezes estamos rodeados de outras crianças... não pensar que queriamos as nossas ali. Mas ao mesmo tempo, não as poder ter. Mesmo.

 

Uma coisa é de vez em quando, e vocês, vêem-me bastantes vezes com os meus filhos em eventos e "coisas e loisas", mas a verdade é que muitas vezes essas "coisas e loisas" não deixam de ser trabalho. É um peso que os artistas carregam muitas vezes... o das pessoas acharem que "aquilo se faz com uma perna às costas" ou que "não custa nada".

 

Apesar do ar descontraído e saltitante, não deixo de ter que estar concentrada, não deixo de ter que dar atenção às pessoas que me observam, ao material, à música, à coerência do set, ao tempo entre as danças e auências da mesa de mistura e o timming das músicas, não deixo que ter que estar disponível para os meninos que são fans da Dj Mendinha e que... provavelmente não fazem puto ideia de que ela (ou eu.. porque "ela" é uma personagem que criei) tem filhotes e sente saudades deles ou está preocupada porque algum deles está doentinho ou que morre com remorsos porque uma vez prometeu ao filhote mais velhos que "iria sempre, sempre que a mãe fizesse de dj para meninos"...

 

Mas pronto é assim. Foi assim este fim de semana. Não deixei de me sentir contente e realizada pela quantidade enorme de gente e  fonte de energia boa que ali, no espetaculo da chegada do Pai Natal ao Forum Aveiro, se gerou... mas... pronto... mas...

 

Cada menino a dançar e a cantar me lembrava o Afonso Luz e cada menina de colo, com ar de marota, me lembrava a Matilde Estrela. E enquanto o meu sorriso fazia parte do meu rosto... eram as suas imagens que faziam o brilho (saudoso) dos meus olhos...

 

E pronto, é isto. Sentimento partilhado e exorcizado. Parece que esta confusão (bem legítima) do coração e que me acompanhava desde o fim de semana, me faz menos peso agora. Isso e o fato de ter regressado logo, logo, mal acabei o show, porque a minha Matita estava doente e o meu Afonso ia com os Avós ao Planetário... e eu mal desliguei da adrenalina do meu dj set.. só pensava em cumprir as promessas de estar presente com ambos e em ambas as diferentes situações ;)

 

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Não hesitem... a verdade é que continuo a adorar o que faço... ai.... ambiguidade de Mãeeeeee.... grrrr.....

 

 

 

Nesta avenida que piso, tu passeavas também...





Para além da dor natural numa situação destas.. dou por mim, enquanto dou passos largos a caminho de casa, a pensar... que a Vida é mesmo breve, damm!!

... Ainda "há uns dias", eu brincava e vibrava com as conversas e com a voz poderosa da Tia Celeste. E hoje, ela e os seus 85 anos, foram-se embora..


No velório, pedi-lhe que, ao chegar "lá",  beijasse a avó Gi e o Avô Zé e que ... Não, não que lhes dissesse a falta que fazem,  porque eles sabem-no bem (principalmente a mim, nos momentos em que preciso encontrar o caminho e me sinto a cambalear  no escuro)... Mas que ... os brindasse, antes,  com a gargalhada que dela me lembro e que os 3 se sentassem a contar as novidades e a ironizar com elas, como tão bem os 3 fizeram sempre em vida !!

 Sim, divertidos e a mandar força genuína para nós, através da boa disposição de que tanto precisamos/preciso para ultrapassar os "pequenos grandes males" que se nos vão colando à pele, à alma e ao dia a dia.


Também  o tio Centeno, de quem ela morria de saudades, a esperará .. Mas esse encontro é só deles.

E também a minha querida bisa Alice,  ai que saudades...

Ela estará por lá, de braço dado com as amigas da época, para a acompanhar nas passeatas regadas com conversa trivial, tal qual fizeram anos a fio, aqui pelo perímetro da Avenida de Roma...

A mesma Avenida, que eu, ainda hoje, ainda viva, ao voltar agora, no silencio da tua despedida, Tia, piso.  A mesma Avenida, que com os meus Filhos, vossa descendência, calcorreio todos os dias ao vir para chegar até casa, numa rotina que é agora minha, mas que já foi a de outras gerações...

Nós somos ainda um pouco de ti Tia celeste. E de ti Avó Gi. E de ti Avô Zé. E de ti Bisa Alice...

E assim, as memórias nos fazem viver, sendo por vezes, necessário o impacto e a força deste sopro da Morte, ao levar mais um dos nossos, para nos "acordar" e querer, efetivamente... Viver. Ter medo do tempo que passa e querer aproveitá-lo da melhor forma, não só "estar por estar"...

Querer Viver por nós mesmos. E por vocês, que já se foram.... mas que, no entanto, merecem o nosso respeito, e a homenagem da vossa continuidade.

Tentá-lá-ei honrar todos os dias, juro ... E quando não conseguir ... Conto com uma das vossas gargalhadas inesquecíveis ( é impressionante como a memória visual me trai... mas a auditiva não...) para me darem nas orelhas, orientar com sabedoria e perdoar, Perdoar, acreditando de novo em mim, nas minhas capacidades, na minha força e ignorando as almas negativas e destabilizadoras.

Sempre com um sorriso e uma palmada bem disposta. O vosso sorriso e a vossa palmada, que a partir de certa altura, já se confundem com o que me pertence também. porque em mim, vos tenho a vocês, tal como acredito acontecer com a maioria das pessoas sensíveis e ligadas à família...

Boa viagem Tia / Mulher ... Celeste.



Bom descanso. Bons reencontros.

Homenagem ao meu Avô Zé



Apesar de já passar da meia noite, ainda é dos Dia dos Avós para mim.

Muito podia dizer sobre eles. Muitos beijos podia enviar. Para os meus, para os da Matilde e do Afonso. Para os de todo o mundo.

Mas não deixando de homenagear todos eles, hoje apetece-me enviar um beijo até ao Céu. Para o meu Zé.. com quem sempre tive tanta proximidade... que nunca chamei Avô, simplesmente Zé. Era Avô, amigo, companheiro, "cumpincha", educador, mimalho...

Esta foto tem quase 10 anos. Ele faleceu há seis.

Ainda o sinto na minha vida e imagino o orgulho que teria em ser agora bisavô...E não desfazendo a princesinha Matilde, ele que só teve meninas ( a minha mãe, eu, a minha irmã...)... imagino a loucura que teria pelo rapazolas Afonso Luz...

Foi, uma pessoa tão presente e importante na minha vida que, nele sublinho o exemplo do que os avós devem ser para os netos. 

Amei-o, amo-o e vou neste meu Amor, encontrar mesmo na sua ausência carnal, o orgulho que tenho em tentar, a cada dia ser uma pessoa melhor e dedicar-me de corpo e alma a encontrar o Sucesso na Vida ( sendo o sucesso de que falo, a realização e o conforto da minha família e o encontro de um lugar na sociedade em que sinta que faço, de alguma forma a diferença, ao fazer do meu "pequeno mundo" um sítio melhor a cada dia que passa).

E para todas nós, mulheres românticas (e algumas desencantadas) no Amor... deixe-me dizer-vos que este senhor, conseguiu ser o mais próximo do marido perfeito, aquele companheirão que todas sonhamos ter, durante quase 50 anos. Porque casamentos longos, na época, existiam muitos... mas felizes e serenos acredito que nem tanto assim...Ainda hoje a minha avó me conta as histórias de carinho, apoio, atenção e correção que todas nós sonhamos encontrar um dia, num companheiro de vida. Por isso... um exemplo que, para além de Avô, me alegra, saber que foi como Homem.

Beijo ao meu Zé, e à influência grande que ele teve... na pessoa que sou hoje. obrigada por me teres acompanhado tanto tempo. Muita pena, em não te ter mais tempo ainda... Mas como o Amor se pode tornar eterno, assim também tu o És...

Todo o meu beijinho e mimo para ti e o teu colo "de mel"...