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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Transe-mommy

Hoje aconteceu-me de novo.

 

Desde que os vou buscar até que os adormeço ( humm... entre as 17.30, 18 e as dez da noite, vá, umas 4 horas e meia "non stop") parece que entro em transe, que fico literalmente hipnotizada. As tarefas, as birras, as negociações, os mimos, os pedidos de atenção, os banhos, as refeições, o arrumar as compras, o estar atenta às asneiras e cabrioloces, os ciúmes de irmãos, as mãozinhas prontas a agarrar tudo o que lhes é "proibido". Sim, é isso... deixo de existir enquanto ser pensante e passo a ser Mãe e dona de casa a 100... desculpem a 200%. Totalmente "out", embregada nos minutos que passam a correr, mas que, no final, me deixam como se tivesse corrido a maratona. E é assim todo o santo dia.

 

Hoje dei por mim, a teorizar sobre isso, assim num espécie de flash racional... em que voltei, nem sei bem porquê, a ser a Rita "Eu", por uns segundos e em que me apercebi que andava tipo formiguinha pela casa (que ainda por cima é muito maior do que a minha antiga, por isso tenho que andar também o dobro do tempo a arrumar brinquedos, buscar roupas, ligar e desligar o bico do fogão, abrir e fechar a água do banho, arrumar os bibes, ligar a tv da sala e desligar a da cozinha...).

 

Há pouco, eles adormeceram e eu "voltei a mim". Consegui ir colocar os meus cremes da noite, secar o cabelo, pôr o telemóvel , que teve quase 5 horas desligado, a carregar e... voltar a olhar para o facebook e restantes redes sociais lol... 

 

Pensei na Rita-Mãe de há uns minutos atrás e tentei analisar como estava o meu cérebro vazio de tudo, que não eles e as tarefas incansáveis há um bocadinho atrás. E apeteceu-me perguntar.... se somos todas assim? Eu acho que sim, sinceramente. Que independentemente de sermos profissionais ou donas de casa, novinhas ou mais "cotas", intelectuais ou "desinteressadas"... todas, depois de virarem "Mães de família" ( seja que tipo de família fôr) têm nos filhos e nos deveres rotineiros que com eles se identificam, uma espécie de momentos hipnóticos em que ficam assim que umas "máquinas multitasking". Tudo dentro das suas portas, entre quatro paredes, sem ninguém para assistir, aplaudir, considerar... ser algo tão estranho, tão intenso, tão perfeito, tão inato, tão selvagem. Nós  e as nossas crias. Nós e o nosso ninho. Nós e o nosso mundo.

 

Somos não somos? Mesmo umas Super Mulheres, em estado hipnótico ;)

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A vida que tem de ser

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Nem sempre somos o que queremos. Fortes constantes, coerentes. E nem sempre o que sabemos que  "a vida que tem de ser"... nos faz sentir bem.

 

E apesar de saber que é suposto e tal e tal...o meu coração não anda a conseguir lidar com a ausência do "filho do pai separado". Pronto, tenho dito. Ando mesmo a sofrer com isso, anda-me a fugir pelas mãos (tanto o filho, como a situação) e  tenho andado a sofrer em silêncio. E não se pode fazer basicamente nada.  Pronto. A não ser... escrever um texto como este para ver se alivia e se encontro "cúmplices" neste sentir.

 

Tem a ver com a minha vida, com a minha rotina, com o fato de eu estar a voltar a estar muito fora aos fins de semana e ele estar com o pai de 15 em 15 dias. Tem a ver com o fato de muitos dos que "me calham" ele acabar por ficar com a avó ( adora, atenção e é até muito saudável mas.. mas.. eu não estou presente...), porque eu estou de viagem a tocar. Não é algo que consiga prever. Muitas vezes, as datas surgem 2 ou 3 semanas antes, outras até menos e já há coisas combinadas do outro lado, perfeitamente legítimo. 

 

E depois vêm-me todos dizer: mas olha, não fiques assim, ele está contigo durante a semana, aproveita sem stress..". Sim, está... mas durante a semana há a escolinha, as atividades, eu sempre cheia de afazeres, o restaurante, sinto que é "acordá-los, arranjá-los, deixá-los... passar o dia, apanhá-los, arranjá-los, deitá-los...". Preciso de manhãs de ronha com ele, de ficar 48 horas dedicadas ao meu caracolinho. Preciso de o sentir perto sem estarmos sempre de horas marcadas para tudo... Preciso da minha Luz. Do meu Luz. Sinto-me apagada sem ele.

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 Existe ainda outra coisa e que tem a ver com uma sensação de injustiça, perante a minha permanência com a  irmã, uma espécie de desiquilibrio no meu "estar" com cada um deles, com quem eu sinto e sei ( eu sei. Ele, acho que ainda não equacionou isso) que estou muito mais tempo. Algo inevitavel, porque ela "é permanente". Não há pais separados e está sempre "deste lado". Ok, ok, continuo a ir para fora, trabalhar, continuo a não estar todos os fins de semana, mas estou muitos outros estou presente. E só as duas, sem mano. Umas vezes com o pai, outras com ele a trabalhar no restaurante e noutros trabalhos, por isso, também muitas vezes só mesmo as duas. A criar laços que sinto que me estão a começar a falhar com o mais velho.

 

Não posso, nem quero, no fundo, fazer nada.  Porque não posso nem quero deixar de trabalhar ( nos meus horários irregulares...) porque ele não pode deixar de ir para a escola para estar comigo (já o cheguei a fazer uma ou duas vezes, mas como acho que as rotinas são importantes de manter, tento não o fazer muito), porque o pai e a família dele têm tanto direito de usufruir de tempo de lazer com ele como "os de cá". Mas quero, aqui, deixar que sinto e fazê-lo sem pudores, porque acredito que haja muita mãe separada que se passe por esta dor inevitável de quem sente que se lhes é arrancando um pedaço de si, ao perceberem que as contingências da vida, as fazem afastar de quem mais amam. Mais ainda... para quem, tem filhos de pais diferentes e passa a vida a tentar perceber se dá a um o que dá ao outro, que tenta compensar mas também não sabe bem como, que sofre porque a família nem sempre está completa...

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A outra pirralha também se queixa de saudades, quando o irmão não está. Principalmente quando está na rotina caseira e comigo. Chega a ordenar-me : "Vai buscar Axonxo Mãe! Vai!".. e a mãe: " Ó filha, não posso, ele está no pai João... ;("... Mas depois... ele surge e as saudades passam a ciúme e embirrice e ele, que é um doce, acaba por ser quase ostracizado por ela, que se passa cada vez que me chego a ele e ele a mim. Faz jogos de birras, afasta-nos, chega a dizer " A mae é shó mia!!" e no fundo, até deve acreditar nisso, porque me teve dois dias inteiros só para ela. A enroscar-se em mim, a brincar com ela sem outro foco de atenção a distrair-nos, a dormir num determinado sítio na minha cama... que depois... o mano chega e.... também quer! No fundo, acaba por não ser culpada deste "marcar de território", o que ainda é mais difícil de gerir, porque não a quero assim.... mas percebo o porquÇe de estar assim...

 

Sinto que "a vida que tem de ser"... nos está a afastar ao ponto de ele um destes fins de semana me dizer. "Ó mãe, mas hoje não há escola?"... " Não filho! É sábado!!"  E ele: " Mas os sabados e os dias sem escola não são na casa do pai? ".... ;( 

 

E pronto... sem mais que dizer, contar, queixar, choramingar, teorizar, só agradeço poder partilhar ( e espero que sem dedos apontados ou críticas) este sentimento com tantas mães ( e sim, porque não pais) que vivam algo parecido.. um misto de culpa ( sem haver culpa nenhuma), tristeza, impotência e medo de estar a errar na educação emocional destes dois pequenos seres ( ada um por razões diferentes) e ... saudades constantes de uma realidade que está longe de ser aquela que eu sonhava quando quis ser mãe. 

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Sabem que mais? Cada momento tem que ser aproveitado, saboreado à séria. Porque o tempo é tão curto e passa tão rápido... Porque ao não nos conseguirmos duplicar, não podemos chegar a tudo o que queremos e ao não chegar a tudo o que queremos.... a nossa felicidade vai sendo vivida às fatias. E como seres insatisfeitos que somos...normalmente parece-nos sempre, que à fatia que temos no prato, falta sempre algum ingrediente extra. E para mim... impossível na permanência, mas maravilhoso quando acontece... as minhas duas fatias juntas (de seu nome "meus doces filhos") completam aí sim, o bolo mais saboroso do mundo!

 

Ai, ser mãe é mesmo ter o coração ( muitas vezes a doer) fora do corpo... Porra!!

 

Feliz Natal a almoçar sozinha...

Dia de Natal.

 

Almoço sozinha frente à tv com o Shrek e a princesa Fiona como barulho de fundo, enquanto me passeio em viagens virtuais por sites de cultura e lazer para saber se há algum programa a fazer hoje à tarde em Lisboa. Por isso, este não é mais um post sobre presentes ou espírito de Natal com criancinhas e família, provavelmente o mais esperado num blog sobre família e maternidade. Este é um post sobre uma mãe, também mulher, ser pensante e emocional. Querem?

 

Não não estou sozinha por obrigação, nem por zangas, nem por não ter por onde ir ou com quem estar. Estou sozinha porque quero. E estou mesmo bem. Agora, depois de um dia 24 cheio e a aguardar que a noite de hoje seja mais uma vez a loucura, numa espécie de rewind da ceia de ontem e de mais uma visita do Pai Natal... era mesmo isto que eu precisava, um momento de namoro entre mim... e a minha manta.

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Pode parecer estranho a muitos, talvez até mais por imposição da sociedade mas uma coisa que a maturidade nos dá é isso.. é já não nos pautarmos tanto pelo que os outros acham que é o correto, mas por aquilo que Eu acho que é o correto.

 

E os meus filhos? E a minha família (ou famílias, tendo em conta que tenho várias "frentes" nessa batalha...)? E o tal almoço solidário? Bem, comecemos por aqui.

 

O ano passado passei o almoço do dia de Natal numa associação e estava decidida a fazer o mesmo este ano. Uma forma de aproximar os meus filhos das causas sociais e levar sorrisos e uns miminhos de Natal a quem tem tão menos do que nós. Então? Porque é que não fui? Opá... olhem, coisas à Mendinha, decidi em cima do tempo qual a associação que queria, sugerida por um médico e amigo, que me cedeu o contacto do diretor... mas só o número fixo (e na net quase nada de informações....). A verdade é que liguei umas 5 ou 6 vezes e nunca atenderam. Entretanto.. os dias passaram, e estavamos em terça feira. Já não deu para fazer nada. Mea Culpa, que não me devia ter atrasado nesta combinação, mas como tudo na minha vida é a mil... olha... deixei o essencial "para amanhã" e acabou por correr mal ;(

 

A acrescentar a isso.. o meu príncipe Luz, o Afonso passou o 24 com a família do pai e quando ele me perguntou se tinha algo combinado para hoje, não tive como lhe dizer que não fosse a casa do irmão com ele, onde estão todos os primos que o Afonsinho tanto gosta, a celebrar o Natal confuso que faz as delícias dos putos. Ou seja... essa parte de mim ( sinto-me desmembrada sem um deles, é inevitável não me sentir um pouco triste com este afastamento, mesmo que o finja para fora) só volta hoje ao fim da tarde, para casa da avó Clara (a minha mãe), onde vamos, com essa parte da família, simular a consoada de ontem. 

 

A Estrela, a minha Matilde?! Ui... com essa tem sido a loucura, ontem, noite com a família da casa do pai , única criança... imaginem a excitação. E hoje... eu sugeri ao pai Hugo, irem os dois de novo almoçar com eles, enquanto eu ficaria em casa. Primeiro desconfiou da minha "boa onda", julgou-me chateada com algo... depois expliquei-lhe que este momento mais calmo, tão raro, me iria saber bem... e que no fundo seriam só 3 ou 4 horas. Estranhou que me sentisse bem a almoçar os restos do cabrito de ontem ( o que servi à hora do almoço com a minha irmã, avó, meninos e pai, que está separado da minha mãe por isso, não entra nas outras festividades, mas não queria deixar de estar com ele) num tabuleiro, sentada no sofá.. mas depois acedeu. Fazia sentido eles irem, sim, até porque os bisavós da Matita, que são do Norte, quase não têm oportunidade de vê-la... ah.. e eu ainda me agarrei à desculpa de que tinha ( e tenho, porque como estou aqui a escrever-vos, ainda não tratrei nada disso) que embrulhar alguns dos presentes para a festa da noite, onde ainda seremos 12 ou 13.

 

O Natal para mim é família, união... e acreditem, que assim... "às mijinhas"... tudo me parece estranho e desinteressante , só cansativo uffff.... Sei racionalemente que é assim que tem que ser... mas emocionalmente e sendo fiel aos meus verdadeiros sentimentos referentes a isto, parece que não me faz qualquer tipo de sentido com tanta "subdivisão".... Faço-o, celebro-o pelos outros, não por mim. A acrescentar a tudo isto, a minha separação do pai do Afonso e o estar longe metade da quadra, existem também os meus pais, que não estão juntos há uns 10 anos e família do marido atual da minha mãe. Ah e ainda a parte da Matilde... a da família do Hugo, portanto. quem me dera poder juntar todos, meu Deus! Aí... conhecendo-me como me conheço, não pararia um segundo e o meu coração estaria cheio de Amor e orgulho. Quem me dera poder ser eu a receber em casa. Mas a cas não é grande o suficiente e mais que isso... nenhuma das partes estaria disposta a isso. Entende-se. Ou não... por mim, que tenho um free spirit e uma hippy (chic ;)) forma de pensar. Por mim, receberia família e amigos e até (como já quis em tempos e deu "espiga"...) pessoas solitárias ou necessitadas que me tenham tocado o coração... Não é demagogia, ou querer "parecer bem"... sei que não daria para todos, para se se fizer a diferença na vida de uma pessoa, acredito que já valeu a pena.

 

Enfim... aqui estou eu, neste momento solitário, vivido assim, no meio da incongruência que é a minha vida. Normalmente queixo-me de não conseguir parar um segundo, rodeada de amigos, família, filhos, trabalho, compromissos. E hoje, quando quase todos andam tradicionalmente nessa azáfama... aqui estou eu, a escrever em paz, a usufruir da minha casa (desarrumada mas em plena paz) e a tentar "uliliuzar" este momento para tirar lições, pensar no ano que passou e prespetivar o que aí vem.

 

O tabuleiro está ainda aqui ao meu lado com o resto da refeição, os sonhos e rabanadas em cima do aparador, seduzem-me para serem os seguintes, juntamente com um cafézinho expresso (bebido sem stress, com a Matilde a querer sorvê-lo também ou o Afonso a pedir para mexer na máquina enquanto o tiro..). A árvore de Natal ali ao fundo como se me piscasse mil olhos e fosse cúmplice deste meu momento. Eu... orgulhosa por finalmente, ao fim de tantos anos a andar ao "mando e vontades" alheias, conseguir afincar pé e fazer o que me vai na alma. Neste caso, ainda por cima, sem ferir susceptibilidades, sabendo que ambos os meus filhos estão felizes com quem estão e que já fiz e irei fazer ainda o meu papel de filha, neta e familiar presente, oferecendo carinho, miminhos e tudo o que é exigido no Natal.

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Aproveito para ainda desejar uma excelente quadra a todos. Ainda vou a tempo de o fazer e apesar de tudo só agora consegui fazê-lo. Sim, é que ao invés deste momento sozinha, até há pouco, os minutos de pausa são poucos e fico feliz e com a sensação de missão cumprida, de ter utilizado um bom pedaço deste, para escrever um post de Natal diferente, numa experiência que acredito não ser comum, sobre a minha opção (porque gosto de acreditar que sou uma mulher de opções diferentes, mas sempre coerentes e sem ferir os que me rodeiam). Porque no Natal todos deviamos ser, ou pelo menos perseguir, o que nos faz feliz. Ser bom para os outros e também para nós mesmos. E eu... sinto-me hoje, bem assim., a almoçar sozinha.

 

Feliz Natal. Com muito amor, auto-estima, solidariedade e união. Apareçam estes sentimentos de que forma for, mesmo que não sejam da mais tradicional e clichet. 

 

(E agora... bora lá embrulhar mais umas prendas.. que os meus meninos ainda vão hoje à noite, vibrar muito com as surpresas ;))...

 

O que gostam e os que fingem que gostam

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Quanto mais "crescemos", na idade e na cabeça... e principalmente quando a determinado momento da nossa vida fomos pais... mais percebemos que existem mesmo dois tipos de pessoas. As que gostam de vida de família e as que não ( mesmo que se convençam do contrário). Mesmo as que têm família, atenção. Não falo dos solteirões ou solteironas assumidos, que a esses, o seu estilo de vida não afeta ninguém, é uma escolha vivida com mais ou menos afinco. Falo dos que já estão envolvidos nela até à cabecinha... e que se têm que ver com as tarefas e confusões diárias deste tipo de "pandilha" que são os progenitores.. Existem desde sempre, mas nem todos são iguais. Nem todos foram talhados para o ser.

 

Refiro-me aos pais e mães de família que o são e que, a meio do caminho, percebem (ou não percebem efetivamente, quem percebe são os de fora), que não gostam de o ser. Não que não gostem dos filhos ou da mulher ou marido. Mas tudo o resto, é um triste acordar para o facto de que não foram talhados para esse papel. Muitas vezes agarram-se ao fato de que " agora que os conheço não conseguia viver sem eles"... mas a verdade é que se a vida lhes desse uma segunda oportunidade e voltassem uns aninhos atrás, escolheriam, num piscar de olhos... "nunca os ter conhecido" para facilitar a própria vida. E a própria consciência.

 

Estes adultos a que me refiro, refilam com tudo e não lidam bem com aquilo que quem ama a maternidade/paternidade sabe que faz parte do pacote. Não toleram a desarrumação, embirram com tudo o que seja mais de meia 10 minutos de gritaria, não sabem lidar com birras e acham que as crianças têm que ter " a consciência de.." ( Meu Deus, como raio é que miúdos de 2, 4 ou até mais anos... têm a consciência do que quer que seja...). A estas pessoas, que basicamente entraram aos trambolhões nesta vida a convencer-se que sim, que era por ali, começa depois a acontecer que a sua vida se torna mesmo difícil, pesada, cansativa, dormente, rotineira  e sofredora e entram no processo de não saber lidar com isso, a irritar todos à sua volta. A sua revolta começa a sair pelos poros e a não compreensão do que está a acontecer, fá-los muitas vezes, virar pessoas agressivas e non-gratas até no seio da própria família que dizem Amar tanto mas cujo "peso" (referem muito esta palavra) é demasiado.

 

Para eles, é demasiado... que os miúdos acordem vezes sem conta por pesadelos, xixis ou pura e simplesmente mimo (que é tão bom e tão preciso, mais ano menos ano havemos de querê-lo e eles do seu alto e sobranceiro orgulho adolescente já só o aceitaram as prestações e com a vergonha normal da idade), para eles é demasiado ter os brinquedos no meio da sala, para eles é demasiado ter que os apanhar cedo na escola (quanto mais cedo mais tempo "para os aturar"), para eles é demasiado entender que todas as crianças saudáveis... passam por fases difíceis... e que nos cabe a nós, educadores, ajudar a encontrar o caminho, não obrigá-los a viver de acordo com as nossa regras déspotas.

 

Hoje, a meio de um trabalho de pesquisa, passei os olhos por um blogue em que vi um pai e uma Mãe de 3 filhos pequenos em fotos lindas com um ar vintage e sereno, em tarefas diárias e normais... com o ar mais calmo e apaixonado ( o casal, um pelo outro e pela vida em comum) possível. Pus-me a pensar, se não será também esse género de imagem  que nos leva a querer também essa vida, quase inantigível, começo a achar. Esse "homem perfeito" que não berra, que ajuda sem cobrar, que sabe que depois de cumprir o seu papel de pai de família de forma doce, conseguirá com esses gestos ternos que tanto cativam uma mulher, conseguir os tais poucos mas bons momentos íntimos com a Mãe dos seus filhos, quando conseguem ter um tempinho a dois. Tempo esse que é tão raro, mas que não deve nunca ser atirado à cara, culpar os filhos, o cansaço extremo ou a pouca vontade. Elas são razões válidas, mas que... no cenário ideal... conseguem juntar ainda mais o casal.. nessa espécie de "demanda".

 

Talvez seja um mito, talvez seja uma forma idelista de olhar a família. Mas a verdade, é que, ainda acredito, que mesmo fora desse ambiente idílico, se possa gostar a sério deste cansaço compensador que ter uma família em "início de carreira" pode oferecer. A verdade é que acho que realmente existem por aí, muitos pais e mães que oes são não por vocação mas por obrigação e "porque aconteceu"... E verdade é que eu não sou nada disso. E estou farta de demagogias...

 

Procurei, batalhei ( um destes dias, um dia em que me apeteça expor mais a minha intimidade, explicar-vos-ei que para mim ter filhos não foi a coisa mais natural  e fácil do mundo mas que sempre o quis muito) e agora que os tenho sei que a vida são dois dias. E que a infância deles... é um! Por isso, cada vez mais sei que não quero viver "esse dia" entre medos, gritos, críticas, solidões de casa cheia em que o receio do sujo, do desrrumado, da birra seja uma constante. A verdade é que, mesmo cansada (e tanto muitas vezes), sempre soube que ter um família me cobraria uma fatura: e que eu a poderia pagar  de duas formas :com a revolta ou com a certeza de que a iria fazer suavemente e sentindo justiça nisso. A escolha está nas nossa mãos.

 

A Cada dia que passa mais percebo, olhando para o lado que  existem mesmo dois tipos de pessoas. As que gostam da vida de família e as que não. As que fingem (principalmente para fora... para "parecer bem") e as que, ao inves, acham tudo (mesmo as coisas menos boas) natural e fluído. Mas as famílias existem em ambos os lados. Mas as crianças crescem e educam-se em ambos os lados. A diferença essencial é que enquanto numas famílias aprendem a comunhão, o perdão, a compreensão, o valor da voz e da palavra... noutras aprendem a revolta, a tristeza, o silêncio e crescem sem a certeza de que a sua opinião conta. E conta. Tem que contar sempre.

 

Por mim, que sempre sonhei com "casa cheia"... por mais que me queiram vergar, vou continuar a adorar uma "messy house", os brinquedos pelo chão, os ciúmes e berraria entre irmãos (porque sei que se não nos intrometermos com castigos estúpidos, mais cedo ou mais tarde surgem os mimos e brincadeiras), a loiça suja  que não tive tempo de lavar e o cheirinho a comida acabada de fazer, enquanto leio uma história na cama aos miúdos. Continuarei ao não me "queixar" mas sim a orgulhar-me das noites mal dormidas, do cansaço que é andar com os dois na rua, do sentimento de missão cumprida cada vez que os "vergo" com uma conversa em vez de com um grito...nem que tenha que levar com muitas birras e arrumar muita bagunça até que isso me aconteça.

 

E pronto tenho dito. Ufff....

 

 

 

 

 

 

Alma Gémea

O Afonso passou hoje o dia comigo.

 

Um dia só nosso. Não fizémos nenhum programa especial, apenas usufruímos um do outro, assim, num dia normal, caseiro, de bairro.

 

Ele pode acordar mais tarde e sentiu-se todo "promovido" porque a mana foi para a escolinha e ele não (de fez em quando passo tempo só com um deles, acho importante sentirem essa atenção de Mamã de vez em quando, sem ser dividida com o outro mano).

 

Fizémos torradas como ele gosta, passeámos no parquinho atrás de casa, fomos ao supermercado e deixei-o enroscar-se no cestinho pequeno, o que o deixou divertidíssimo. Fizémos desenhos, vimos bonecos na tv.. estivémos na ronha.

 

A certa altura, já a tarde ia alta, diz-me ele, carinhoso:

 

"Ó Mãe, quero ficar contigo para sempre.."

 

Eu: "Para sempre? Ou sempre meu amor?"

 

Ele: "Para sempre. Quero ficar contigo agora, depois quando for crescido, e quando for velhinho e depois quando morrer, tá bem?"

 

Eu... disfarcei a conversa. Quando morrer?? Fogo, ele já pensa nisso, questionei-me...

 

Ele: " Quando morrer podemos ficar juntos?"

 

Eu: " Sim, vamos s os dois juntos para as estrelinhas, boa?" ( nessa altura, acreditem que tive que conter umas lágrimas que me deram um daqueles nós na garganta que nem vale a pena explicar, porque todas sabemos o que é...)

 

Ele: " Tá bem Mãe, mas então temos que ir de mão dada que é para não irmos enganados, eu para uma Estrela e tu para outra..."

 

"Sim filho, sim, imagina o que seria... está combinado!"

          

 

Ai, meu Deus, acho que ainda não tinha sido assim confrontada com a mortalidade, desde que sou Mãe. Nem tempo para pensar em coisas metafísicas tenho, acho que é por isso... Mas hoje, a minha pequena migalha de gente, da forma mais natural do mundo, fez o favor de me oferecer esse pensamento...

 

E pronto... agora vou ter que passar o resto da vida a tentar descobrir a quem terei que meter "a cunha" para que não se engane nas Estrelas para que nos enviará um dia... É que é mesmo bom que seja a mesma, senão lá terei eu que mover os Céus para mudar esse destino enganado.

 

Sim, porque eu e o meu filho (nesta vida), somos mesmo feitos para estar juntos. Cada dia que passa, tenho mais certezas que as nossas almas tinham mesmo que se encontrar e caminhar juntas. Agora, em crescidos, em velhinhos... e um dia, a passear pelas estrelas. 

 

E é a isto que  eu chamo de Alma Gémea. Não há mesmo volta a dar... Concordam? 

Grandes pequenos nadas...

 

E quando a vida se torna pesada e os dilemas se apoderam da nossa cabeça...

 

...um simples fim de tarde com a companhia certa, pode fazer-nos voltar a acreditar que tudo é por uma razão e que a Perfeição está nos pequenos pormenores...

 

...que no coração é que está a certeza de todas as coisas.

 

Obrigada meninos.

 

 

O cérebro do coração






Ainda não percebi muito bem se o coração tem cérebro. Será que o sangue o bombeia tendo por única razão a rotina imparável dos batimentos cardiacos ou será que os litros o afagam à sua passagem só porque acham que lhe sabe bem?


Sempre o vi afastado da razão e perto do sentimento mas ultimamente uma ideia insistente tem alterado a minha forma de o olhar. Lá dentro, bem no fundo, esta máquina destemida não me parece ter só sentir, nem só medo, nem só amor, nem só adrenalina ou ritmo. Lá dentro, bem no fundo, o coração anda desatinado pelo pensamento, o que me parece cada vez mais incoerente, já que pensamento vem da cabeça e não surge do tórax.


O Coração, esse que sempre acreditei ser o mais puro dos órgãos, mesmo quando poluído pela insensatez ou pela frieza, parece-me, cada vez, uma peça do puzzle. Que pena. Eu, que o julgava único e implacavelmente auto-suficiente.


Acho que ele se torna, com os anos e os dias e as horas a passarem por ele, um chico-esperto. Ele sabe o que lhe convém e foge do que o magoa e lhe causa arritmia. Sim, eu acho que ele tem cérebro. Um cérebro pequenino que o faz saber o que quer, mesmo que essa certeza não seja a sua melhor conselheira.