Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Ser mãe do meu primeiro filho ( a minha identidade enquanto mulher e mãe)

"Quem és tu e quem somos nós, Afonso Luz"

 

532722_330765056993198_1062866717_n.jpg

Tal como te disse no início ( isto que agora lêem era parte de um livro que nunca foi editado, mas cujos textos vou descobrindo por aqui e me vão fazendo sentido aqui pelo blog ...), sempre fui daquelas mulheres para quem a maternidade sempre fez sentido. Talvez para quem me veja de fora, sempre com uma atitude festiva, por vezes roçando até o boémio e independente, não seja, sem dúvida, a característica que mais depressa se me adequa. Mas outra coisa que vais ter que aprender ao longo da tua vida é que “ nem tudo o que parece é”. Mal tenhas idade para ler e compreender, oferecer te ei “ o Principezinho” de St. Exupérie, a metáfora mais simples e bonita de todos os tempos, um livro escrito para crianças mas que serve de inspiração a adultos como eu. Um livro em que entram bichos e homens, sonhos misturados com realidades etéreas . Entre as grandes pequenas lições que o mini herói nos presenteia uma das frases que sempre seguiram os meus passos, avaliações e olhares diz nos que “ o essencial é invisível aos olhos”. E isso, que te fique bem incutido. Porque, acredita que esse é um exercício bem difícil de executar.

 

Pois bem, filha de pais separados . E juntos. E separados. E juntos. E mais uma vez separados… desde pequena que entendi que a família é o que tu fizeres dela. A minha era pequena mas unida. Menos o meu pai, que embora sempre tenha amado, era mais um amigo “ compincha” que aparecia de vez em quando e me levava a fazer uns programas giros do que um pai propriadamente dito. Esse papel, o de padrão e referência masculina, acabou por pertencer mais ao meu Avó Zé, porque era com ele e com a avó Nor que passava grande parte do meu tempo livre. Enfim , eles, a minha incansável mãe e uma outra personagem que ia entrando ou saindo acabaram por constituir o meu núcleo familiar. Nenhum dos os meus progenitores tinha irmãos… por isso, primos directos, casas cheias de miúdos, confusão daquela da boa, da familiar… foi coisa que não conheci. Vivi uma infância entre adultos e a sua sensibilidade e os problemas. E que problemas… Vivi uma infância em que aprendi a dedicar a mim mesma os meus momentos de silêncio, em que as brincadeiras eram vividas por entre as histórias dos livros, as tintas e os pincéis, as mãos sujas de barro e da massa dos bolos da avó e por vezes da companhia da minha amiga imaginária, a Nanita. Uma menina que povoava a rotina do meu imaginário , ruiva e de totós e que me acompanhava nas viagens a outros países e realidades e me ajudava a colorir um pouco mais a minha pequena mas não desagradável solidão de uma infância protegida e despretensiosa.

 

Talvez este isolamento , apesar de não me ter sido penoso, me tenha deixado o tempo mais que necessário na introspecção imaginativa de uma família numerosa cheia de catraios a animarem os meus dias, na antítese completa da meninice do meu arranque de vida e me fizessem desde cedo acreditar que, ao invés da minha família próxima.. o meu casamento iria ser feliz, os meus filhos iriam ser vários e barulhentos e os animais que sempre gostaria de ter tido seriam o elo de ligação entre adultos e crianças numa verdadeira sociedade familiar em plena comunhão, confusão e união… Sonhos de criança. Porque a realidade volta a repetir se. Ou até a sublinhar os erros que não queria já herdar dos meus antecessores e que, por coincidência ou não… pareceram acentuar se , na minha idade adulta, oferecendo me o peso de uma herança não desejada. Claro, que não me posso esconder só e unicamente atrás dessa premissa… mas a verdade é que há Histórias que se parecem repetir. Nomeadamente padrões menos simpáticos nas relações entres as mulheres da minha família e os homens com quem decidiram partilhar a vida ou momentos dela.

524563_300870179982686_993992025_n.jpg

 

Quem me conhece hoje, ou mais propriamente, quem conhece a minha imagem exterior e pública, não me imaginaria assim criança, tal como to defini. Quantas e quantas vezes, devido ao meu ar mais espalhafatoso de estar na vida, oiço conhecidos e até amigos de momentos mais tardios esboçar comentários do estilo: “ devias ser um traquinas…”. Pobre traquinas … que mais era uma menina imberbe e sonhadora, uma autêntica princesinha em castelos de cor criadas por mim mesma. Uma criança muito sensível à arte ( gosto adquirido desde cedo com as incursões com a minha mãe a peças de teatro, workshops de artes plásticas, aulinhas de ballet e muitas exposições que me foram aguçando a sensibilidade e a vontade). Era também divertida, não te enganes filho, com esta descrição um pouco melo-trágica da minha passagem pelos verdes anos, não. Histórias muitas tenho de partidas que pregava em casa, férias bem passadas no Algarve ou em Coimbra, ou no Banzão, ou em Colares, ou em S. Pedro do Sul ou em Pedrógrão, ou na Ericeira. Na quinta do Freixo, a terras a sul com os meus avós maternos e a minha Bisavó Alice e aí, sim , 4 ou 5 primos mais velhos mas muito activos e malandrecos. E, paralelamente todos os outros Verões até à adolescência, nas mais diversificadas “viagens na minha terra” pelas mãos dos meus avós paternos, que também me marcaram muito nessas épocas de meninice. A referência dos mais velhos… indiscutivelmente. Talvez por isso também o meu grande respeito pelos seniores da nossa sociedade. Sempre, mesmo em miúda, lidei com eles como se outros miúdos da minha idade se tratassem, taco a taco , mano a mano, mas sempre com muito respeito. Tenho agora a certeza de que a presença de crianças e da sua vivacidade na Inverno da sua existência, dos velhos, lhes oferece anos de vida e os desemperra da sua natural preguiça que a idade lhes vai oferecendo. Filho… os avós e bisavós, os tios mais velhos, os professores, alguns Mestres que se cruzam na nossa vida, são da mais inestimável utilidade à nossa alma, aprendizagem e mais tarde.. memória. Depois deles partirem e normalmente, depois de nos ter já passado a mania da juventude de que tudo sabemos ou podemos, aí é altura de reviver alguns ensinamentos desses Seres mais sabidos a que, muitas vezes não ligávamos.546734_320713224665048_1141467837_n.jpg

 

Vou me perdendo em tanto que te quero contar não é? E ainda há tanto, tanto para te oferecer, que desejo que conheças e percebas. Seria meu impossível desejo, aqui te descrever os sonhos, vivências, desgostos e vitórias de todos os nossos antepassados, tão importante foram todas essas vidas mesmo as mais simples. Sabes, nós somos assim, por causa deles. Por causa dos princípios que nos foram sendo passados ao longo das gerações, por causa das suas lutas, devido às suas condições sociais. Aqui temos toda a arvore genealógica e ambas as famílias. A minha e a do teu pai. E tu vais ser um ramo de ambas. Um ramo forte e cheio de nova vida, repleta de pequenas folhas verdes, fortes e frescas que mais tarde darão também origem a outras ramagens e ramificações. Mas só isso, a História dos Nossos me duraria mais uns quantos livros. Tentarei , no entanto, passar te o que de mais importante me passaram também a mim. O que ouvi também da vida do teu pai e o que me parece ser importante para que tu próprio, um dia tires, destas pequenas grandes Histórias de vida lições e paralelos com a vida que hás de viver. É que, acredita, não são raras as vezes, que a força nos vem deles, os nosso anteriores, os seus fantasmas, erros e triunfos. O Ser humano gosta de comparações. E as familiares são fortes como poucas.

 419178_293162004086837_605469211_n.jpg

Voltemos ao facto de que sempre me desejei Mãe. Sempre me vi nesse papel e bem novinha me imaginava a sê lo. Tal como a minha mãe, a tua avó Clara, o foi. Lá para os 20 e pouco. Seria para mim um desejo ter uma pequena diferença de idades da minha cria. Talvez por isso tenha casado aos 22. Talvez por isso, tenha até a essa idade alimentado a tal idílica ideia da família tradicional. Talvez por isso tenha sido precoce na minha necessidade de ser uma “ senhorinha”, cheia de negócios e ideias que me iriam concretizar, realizar e sustentar. A mim , aos meus bebés e companheiro de jornada e trazer a virtude da Alegria que normalmente só aos loucos ou aos muito jovens é permitida. Pois, era mais uma louca. Porque afinal essa vontade não foi assim tão fácil de concretizar e a “vida real”, as suas dificuldades, desilusões e o horror de ter que começar a tomar opções muito concretas nos passos da vida, depressa se apresentaram no meu panorama. Divórcio um ano e pouco depois, nada de bebés, cães, casas na praia e felicidade idealizada, e de repente só um vazio… o vazio de afinal não saber bem o que queria efectivamente fazer, ser ou alcançar. E aí lá se foram as certezas. E aí começou o caminho de 10 anos que agora te vou tentar descrever e que tem o seu término, agora aos 33 anos e finalmente contigo, o grande Amor da minha vida no meu ventre. Tardou, mas vieste. E seja porque circunstâncias tenha acabado ( ou começado..) por ser assim, é porque assim teria que ser. E talvez porque Tu, o exacto Ser que aí vem (estávamos em 2010 e ainda nem eu sabia o filho "de Luz" que aí vinha...;))… só agora estaria preparado para surgir. E porque provavelmente também só agora eu esteja preparada para te receber. E assim então, o será.  14079645_1044650995604597_5821636704289138546_n.jp

( se gostarem.. vou continuando a editar o resto que para aqui anda, escondido em pastas, no meu computador... ainda há tanto a desvendar ;)...)

Como continuar a vida com "menos um" dos que gostamos...

               10665293_702600369809663_6354929422296858610_n.jpg

 

 A vida é isto mesmo... dói a tua partida... mas a vida continua. Porra...Talvez pareça frio mas é tudo menos gelo. É proteção. A vida continua sempre. Ela é uma estrada inevitável de percorrer. E não há como travá-la...

 

E ela continua com os seus afazeres, os seus horários e as suas rotinas, as suas contas e os seus compromissos, os nossos filhos, sobrinhos e tal e tal, os sorrisos sinceros que vamos tendo (ou a tentativas deles), o trabalho, a família, a luta diária, o tentar encaixar os amigos no meio de tudo para uns minutos de lazer. Segue. E tu que partiste...E o teu filho ficou...( Deus como isso dói..)

 

Para uns a vida acaba assim sem avisar. Para outros, apesar do choque e do "abre olhos" que é... tem que continuar. Na busca incessante da felicidade. Nem que seja em honra de quem já partiu e não teve mais oportunidade de buscar os seus sonhos e desejos terrenos. Percebem?

 

Pronto é isto. Quanto mais vivo mais o sei. E ser realista doi ainda mais. 

 

Se gosto da Vida? Amo... mas acho que ela, podia, de vez em quando dar-nos tempo para chorar e encontrar uma reclusão que, pelo menos a mim ( que vivo literalmente de tudo o que conquisto) não deixa...  

 

Sinto que cada vez mais, se expõem sentimentos nas redes sociais, mas que na vida interna de cada um se esfumam muito mais rápido que os posts... Chorar não e bem visto. Tudo tem que ser explicado, esmiuçado... às vezes não existem razões aparentes e expressivas... é só o coração adormecido pela rotina do dia a dia que desperta. O meu despertou agora e fez-me viajar até a um passado "próximo" mas já com mais de 10 anos.. Eramos todos "tão meninos", tão cheios de sonhos, ideias, certezas... 

 

E agora, que para ti acabou... para nós... 3, 2,1... Tem que ser um "Siga para Bingo"... (esperamos sempre que o "bingo" esteja ali a frente) com um estranho e colado apego na alma aos que, sem razão aparente (podia ser um de nós, esse é o sabor que fica depois de uma morte permatura e próxima) se despediram e partiram para outra realidade (se a houver efetivamente...).

 


Somos todos feitos de Estrelas e as Estrelas são feitas dos que hoje, nos iluminam e vigiam lá de cima. Mas preferia que algumas "estrelas" não brilhassem ainda ;(

 


Beijinho na alma e boa viagem, meu amigo. A nossa, aqui, continua sem parar, mesmo estando fixada e colada ao mesmo sítio e às mesmas certezas que de certas não têm nada. Tudo assim, correndo ao sabor de uma estratégia de um tempo cronológico lixado... tudo, até ao dia... que todos esperamos que demore a chegar, mas que chegará a todos. É esta a minha dificil e quase culpabilizada reflexão de hoje. Volta a dar? Não me parece..

 


O que é afinal a Morte? Como deviamos viver afinal a Vida? Oh Good... tanta coisa na cabeça... e mais as fraldas e os jantares, e as reuniões e os horários e os projetos... e tu e tu e tu e mais tu, pessoas que me marcam ou marcaram... que vão deixando de estar por cá...

 


Com Amor. Era assim que devemos, temos obrigação de viver a vida. E com vontade, mesmo que às vezes pareça tão difícil e estranho.. Viver sem grandes dramas ou ciúmes ou chatices por "coisas poucas" que acreditamos serem "o mundo". Viver sem dores escusadas, sem ânsias ou invejas. Sem dor...

 


A vida é curta mesmo. Vivas 20, 40 ou 90 anos. Se a amarmos será sempre curta... E agora, perto dos 40, ainda mais esse peso cai sobre mim.
Se não a amarmos, acredito que seja um alivio a partida. Mas mesmo assim, tenho em mim que na hora da partida quase todos desejassem uma segunda chance... 

 


A vida de quem cá fica ...continua, é disso que falo. E  como raio conseguimos gerir este sentimento? Uff...

 

 

Honremos a tua e a partida de outros próximos ou que fizeram parte importante da tua vida, tenha sido em que fase tiver sido. Aqui, nestas coisa, o tempo torna-se relativo, só o sentimento... Deixemo-nos de merdas. Sejamos agradecidos e encontremos momentos bons a cada dia que passa.

 

Só isto... Estou toda atabalhoada em sentimentos...

 

Eu.0

A voz ao Povo...



Se a revolução está mesmo a chegar, ainda ninguém o sabe. A todos nos apetece, mas todos temos medo dela. Mas também temos medo de um futuro na apatia de não ter lutado.

A Palavra vale o que vale.Devia valer muito. Já valeu mais. Hoje, sentimos que o Povo é mais uma estatística do que uma força real, falta-lhe o poder da Mudança na palma das mãos. Os governantes não nos temem. Os governantes não se misturam com o povo. E a desilusão maior, é que os “ do momento” apelidam-se de socialistas.

Como Mãe temo o Mundo que se constrói. O Futuro. Porque a falta de princípios, as demagogias na educação, a precaridade da saúde, de emprego, de soluções calhará cada vez mais vincada na vida dos nossos, por agora, inocentes filhos...

Como Mulher temo o Mundo que se construiu. O Passado. Porque é mais difícil recuperar, tratar, remendar.. do que construir um caminho sem buracos, rasgões ou pontos mal cozidos e por atar.

Como Cidadã temo o Mundo que se constrói. O presente. Porque é nele que nos temos que centrar para resgatar o Passado e apostar num novo Futuro. E muito, mas mesmo muito poucos conseguem vive no Agora. E só ele nos pode salvar.

Estas imagens ( tiradas pelo fotógrafo Hugo Caetano) foram o orgulho da minha família. Porque somos 2 adultos e um deles esteve lá. Eu não pude por questões de trabalho ( e isso nos dias que correm, é prioridade, basta olhar para o número vergonhoso de desempregados ), mas ele esteve lá e fez a “ minha Revolução”.

Porque o seu olhar e a sua lente viram o que os outros viram, mas sentiram-no de forma diferente. Os pormenores, as cores, as emoções, as tensões, os temores, as incertezas de um país que é o nosso, vistas pelo pai da minha filha. Na casa dos 30 anos e com medo que o resto da vida seja vivida num país.. que teve sempre tudo para chegar aos 1000 mas passa a vida quase sempre nos 100.

Se a voz do Povo é ainda relevante, não sei.. Mas que a Energia global deste povo descobridor o é, ainda acredito. Quero acreditar. Para que o Passado, o Presente e o Futuro ainda possam fazer sentido juntos numa frase. Como sempre o fez.. desde o princípio dos tempos...

Força Portugal! Força Portugueses! Nós vamos lá...

(Mais imagens em: Hugo Caetano Fotógrafo)