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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

A vida que tem de ser

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Nem sempre somos o que queremos. Fortes constantes, coerentes. E nem sempre o que sabemos que  "a vida que tem de ser"... nos faz sentir bem.

 

E apesar de saber que é suposto e tal e tal...o meu coração não anda a conseguir lidar com a ausência do "filho do pai separado". Pronto, tenho dito. Ando mesmo a sofrer com isso, anda-me a fugir pelas mãos (tanto o filho, como a situação) e  tenho andado a sofrer em silêncio. E não se pode fazer basicamente nada.  Pronto. A não ser... escrever um texto como este para ver se alivia e se encontro "cúmplices" neste sentir.

 

Tem a ver com a minha vida, com a minha rotina, com o fato de eu estar a voltar a estar muito fora aos fins de semana e ele estar com o pai de 15 em 15 dias. Tem a ver com o fato de muitos dos que "me calham" ele acabar por ficar com a avó ( adora, atenção e é até muito saudável mas.. mas.. eu não estou presente...), porque eu estou de viagem a tocar. Não é algo que consiga prever. Muitas vezes, as datas surgem 2 ou 3 semanas antes, outras até menos e já há coisas combinadas do outro lado, perfeitamente legítimo. 

 

E depois vêm-me todos dizer: mas olha, não fiques assim, ele está contigo durante a semana, aproveita sem stress..". Sim, está... mas durante a semana há a escolinha, as atividades, eu sempre cheia de afazeres, o restaurante, sinto que é "acordá-los, arranjá-los, deixá-los... passar o dia, apanhá-los, arranjá-los, deitá-los...". Preciso de manhãs de ronha com ele, de ficar 48 horas dedicadas ao meu caracolinho. Preciso de o sentir perto sem estarmos sempre de horas marcadas para tudo... Preciso da minha Luz. Do meu Luz. Sinto-me apagada sem ele.

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 Existe ainda outra coisa e que tem a ver com uma sensação de injustiça, perante a minha permanência com a  irmã, uma espécie de desiquilibrio no meu "estar" com cada um deles, com quem eu sinto e sei ( eu sei. Ele, acho que ainda não equacionou isso) que estou muito mais tempo. Algo inevitavel, porque ela "é permanente". Não há pais separados e está sempre "deste lado". Ok, ok, continuo a ir para fora, trabalhar, continuo a não estar todos os fins de semana, mas estou muitos outros estou presente. E só as duas, sem mano. Umas vezes com o pai, outras com ele a trabalhar no restaurante e noutros trabalhos, por isso, também muitas vezes só mesmo as duas. A criar laços que sinto que me estão a começar a falhar com o mais velho.

 

Não posso, nem quero, no fundo, fazer nada.  Porque não posso nem quero deixar de trabalhar ( nos meus horários irregulares...) porque ele não pode deixar de ir para a escola para estar comigo (já o cheguei a fazer uma ou duas vezes, mas como acho que as rotinas são importantes de manter, tento não o fazer muito), porque o pai e a família dele têm tanto direito de usufruir de tempo de lazer com ele como "os de cá". Mas quero, aqui, deixar que sinto e fazê-lo sem pudores, porque acredito que haja muita mãe separada que se passe por esta dor inevitável de quem sente que se lhes é arrancando um pedaço de si, ao perceberem que as contingências da vida, as fazem afastar de quem mais amam. Mais ainda... para quem, tem filhos de pais diferentes e passa a vida a tentar perceber se dá a um o que dá ao outro, que tenta compensar mas também não sabe bem como, que sofre porque a família nem sempre está completa...

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A outra pirralha também se queixa de saudades, quando o irmão não está. Principalmente quando está na rotina caseira e comigo. Chega a ordenar-me : "Vai buscar Axonxo Mãe! Vai!".. e a mãe: " Ó filha, não posso, ele está no pai João... ;("... Mas depois... ele surge e as saudades passam a ciúme e embirrice e ele, que é um doce, acaba por ser quase ostracizado por ela, que se passa cada vez que me chego a ele e ele a mim. Faz jogos de birras, afasta-nos, chega a dizer " A mae é shó mia!!" e no fundo, até deve acreditar nisso, porque me teve dois dias inteiros só para ela. A enroscar-se em mim, a brincar com ela sem outro foco de atenção a distrair-nos, a dormir num determinado sítio na minha cama... que depois... o mano chega e.... também quer! No fundo, acaba por não ser culpada deste "marcar de território", o que ainda é mais difícil de gerir, porque não a quero assim.... mas percebo o porquÇe de estar assim...

 

Sinto que "a vida que tem de ser"... nos está a afastar ao ponto de ele um destes fins de semana me dizer. "Ó mãe, mas hoje não há escola?"... " Não filho! É sábado!!"  E ele: " Mas os sabados e os dias sem escola não são na casa do pai? ".... ;( 

 

E pronto... sem mais que dizer, contar, queixar, choramingar, teorizar, só agradeço poder partilhar ( e espero que sem dedos apontados ou críticas) este sentimento com tantas mães ( e sim, porque não pais) que vivam algo parecido.. um misto de culpa ( sem haver culpa nenhuma), tristeza, impotência e medo de estar a errar na educação emocional destes dois pequenos seres ( ada um por razões diferentes) e ... saudades constantes de uma realidade que está longe de ser aquela que eu sonhava quando quis ser mãe. 

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Sabem que mais? Cada momento tem que ser aproveitado, saboreado à séria. Porque o tempo é tão curto e passa tão rápido... Porque ao não nos conseguirmos duplicar, não podemos chegar a tudo o que queremos e ao não chegar a tudo o que queremos.... a nossa felicidade vai sendo vivida às fatias. E como seres insatisfeitos que somos...normalmente parece-nos sempre, que à fatia que temos no prato, falta sempre algum ingrediente extra. E para mim... impossível na permanência, mas maravilhoso quando acontece... as minhas duas fatias juntas (de seu nome "meus doces filhos") completam aí sim, o bolo mais saboroso do mundo!

 

Ai, ser mãe é mesmo ter o coração ( muitas vezes a doer) fora do corpo... Porra!!

 

Sobre a ida dela para casa "do pai dele"...

Este fim de semana foi importante. E memorável na história da minha família.

 

Enquanto, lá fora, tristemente as desgraças afetavam a vida de centenas, aqui no nosso (ainda) cantinho, a mãe Rita foi trabalhar para o Norte. A vida "normal", dentro do "não tradicional" que é vida aqui desta nossa família Mendinha. Eu fui para Guimarães e meninos ficaram, como tantas vezes, por Lisboa.

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Como sabem, a minha vida é assim. Sem rotinas e com muitas saídas para fora. É a rotina, fora da rotina... e nós já nos habituamos assim a ela.  A diferença deste fim de semana foi... a "distribuição" das crianças. Normalmente, cada um fica no seu pai. Ou com as avós. O Afonso com o pai João, a Matita com o pai Hugo ou, quando assim não pode ser, ambos com a avó Clara, a minha mãe. Desta vez abrimos um precedente e um tão bom precedente. Um do qual me orgulho muito e que espero que seja a porta aberta para um futuro melhor, principalmente para eles, as crianças.

 

Neste caso não falo só das minhas. Acrescento uma ao "rol", passam a 3, nesta história, porque, talvez muitos/as de vocês não saibam mas o nosso Afonso Luz, tem um outro mano de 2 anos, do lado do pai... um mano, sobre o qual a Matita já começa a levantar muitas questões. Já pergunta por ele, quem é, onde está, em que escola anda, quem é a mãe...são perguntas normais de uma cabecinha inocente como a dela. E ultimamente, chorava quando via o irmão a entrar no carro do pai e ir com ambos embora. Nada de anormal, no entando... faz parte do desenvolvimento. Faz parte da história da nossa família. Faz parte das consequências das escolhas que eu, como mãe, fui fazendo, conscientemente para todos. Mas... há sempre um mas...

 

Mas a verdade é que eu ficava com pena. Não deixava de ficar de coração partido ao ver a minha Estrela tristinha e cada vez mais, crescia em mim uma vontade de que os irmãos do Afonso tivessem uma relação maior um com o outro. Maior e principalmente melhor. Sim, porque se continuasse a ser esse o único contato entre os dois ( verem-se nas entregas do irmão aos fins de semana), sentia que não estava a ajudá-los a criarem a identidade certa um do outro. Era algo que andava mna minha cabeça há um tempo. E nas converesas com ambos os pais... tinha receio que a Matilde começasse a sentir ciúmes, vazio, porque a indifinição do que é o "outro lado", o lado do "pai dele" ( como diz a Matita) já se via que lhe começava a fazer confusão... E por isso... este fim de semana.. ela foi para lá! Siga!!

 

Pois bem, antes do "big event" conversámos todos os pais ( sim, porque no fundo, são 4, aqui, os envolvidos e "cada cabeça com sua sentença") e decidimos fazer a experiência. A mana de cá foi conhecer o mano de lá e passar uma noite e um dia na casa do pai do Afonso. E nem vos conto a felicidade de todos ! O Afonso Luz, então, nem cabia em si de contente. Quando lhe disse que a mana ia com ele para casa do pai João, disse-me em extâse: " A mana vai para casa do meu pai, a primeira vez!! E vai dormir comigo e com o mano Filipe! Uau! Boa mãe, boa!!" E nem vos conto também  como a sua reação me encheu o coração e o orgulho que sinto em saber que vou, assim conseguindo, fazer um caminho que nem imaginei existir, mas que me vai fazendo cada vez mais sentido....

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 E assim foi ela de mochilinha já feita para a noite, para a escola, na sexta feira,eu lá avisei as auxiliares e professoras que não estranhassem que o pai do Afonso levasse ambos esse dia, que assim tinha sido decidido por todos. E lá aconteceu então tudo, da forma mais natural possível. A mulher do João, a Vânia também tem um coração grande e recebeu em sua casa a minha menina. E em vez de uma criança ( no fundo só tem um filho..)... aturou três essa noite e esse dia... e pelo que sei, correu muito bem.

 

Ficou a vontade para repetir e tenho a certeza que os miúdos também e quem sabe um dia destes não sou eu a receber em minha casa o mano Filipe, sabendo que então aí... os brilho nos olhos do meu filho seria ainda maior. A ver vamos. Um passo de cada vez. Mas o primeiro já foi dado e com ele muita satisfação entrou nas nossas vidas, garanto.

 

E assim se faz, pouco a pouco, o caminho de uma vida. E assim se tomam decisões, que ao parecer gotas pequenas no grande oceano que é o mundo, se tornam enormes na vida familiar de crianças que têm a personalidade em construção.

 

E que bom que será, se ao sentir no futuro que a sua mente aberta, o seu sentimento solidário, o seu viver longe de sentimentos como o preconceito,a raiva, a diferença, o ciúme, a inveja... possam também  ter vindo de uma génese que nós, os pais destes pirralhos, lhes conseguimos ensinar, não só com palavras, mas também com atos.

 

E sabem que mais? Não há mesmo ninguém como um irmão... seja ele meio irmão, irmão "verdadeiro" ou irmão de coração. E esse legado é o que mais lhes desejo deixar.

 

 

"A vida é assim" mas quem me dera que não fosse

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"A vida é assim"... e é assim que temos que vivê-la e tirar dela o melhor possível..

 

Mas há momentos, epá... há momentos... em que eu penso tantooooo em como gostaria que a vida "não fosse assim" e que eu e os meus filhos e eu mesma não nos tivéssemos que separar nunca.

 

A verdade é que a maioria dos filhos de pais separados, se filhos do mesmo pai e mãe, acabam por andar sempre juntos nas "bolandas" dos fins de semana alternados e dias e noites nas casas de cada um dos progenitores. Tenho amigas que, divorciadas e tendo um, dois ou mais filhos do casamento já finalizado... brincam, aceitando a "coisas" como podem e até tirando partido da situação, dizem coisas como: " Até nem é mau, uma semana sou super mãe outra tenho uma alta vida de mulher solteira" ou " Este fim de semana estou super focada nos putos, mas para o outro, estão no pai e posso fazer o que quiser!".... Bem , mas isto, acontece só a quem tem filhos do mesmo pai. 

 

E muita coisa já se escreveu, teorizou, sobre o melhor para os filhos, o melhor para os pais, sobre os sentimentos da separação, os traumas, os benefícios, saudades, retorno a casa... sei lá... coisas cada vez mais normais para os dias que correm, porque os divórcios ou ausência de um dos progenitores é também cada vez mais corrente.

 

Mas meu caso e no de algumas (poucas) outras "criaturas" por aí pairam nesta estranha e aparentemente moderna sociedade, quando os pais são dois ( ou quiçá 3 ou mais... pffff... nem quero imaginar o que será), e quando "ainda" (lol) estamos com um deles existe, para além dos normais sentimentos de saudade que se tem quando um está fora.. a sensação de que é "injusto" para esse que se ausenta, todos os programas e momentos que , em família vivemos sem ele e por outro lado, para aquele que fica, pois não entende o porquê do irmão ou irmã estar agora... mas daqui a dois dias não.

 

Juro-vos que vivo esta angústia quase em segredo. Como podem imaginar, ao comentar com próximos estes sentimentos dizem (talvez para me apazigar, talvez por alguma frieza não sei bem) que "é normal" (odeio esta frase feita que no fundo não diz nada de nada), que eles se adaptam na boa, que quem sente mais somos nós, que não tenho que me sentir culpada.. sim eu sei, minha gente, mas e então? E se eu vos disser que eles sentem essa mudança? Mesmo na sua embirrice natural de irmãos, a verdade é que durante dias e dias a presença nas rotinas do outro é constante e depois, quando o mais velho se "pisga" para casa do pai e fica 2, 3 ou até 4 dias (acontece pontualmente mas acontece)... a minha mais pequena anda um bom bocado desasada. Ai... e como isso me doi.

 

Vê-la, pela casa a fazer tudo com um ar despachado... e sempre a chamar pelo mano, como se ele estivesse mesmo atrás dela, mas não está ... Ela ainda é muito "troncha moncha", fala à trapalhona mas já sabe muito bem o que quer e o que faz. E a verdade é que as nossas rotinas a 3 ( ou a 4, quando está o pai) já são tão nossas e repetitivas que ela já as conhece de cor. Escolhemos a roupa para um e depois para outro e colocamos em cima da mesinha para o doutro dia. Um lava os dentes e o outro também com a sua escovinha igual mas de outra cor. A mesa baixinha das suas refeições tem uma cadeira frente a frente (que fica vazia quando o Afonsinho não está), mas ela chega a colocar o pratinho de plástico para ele e...para sublinhar tudo isto... desde há um mês e meio atrás que eles dormem juntos na mesma cama, porque o Luz ganhou (como se previa lol) medo a dormir no beliche do mano e só se sentem confortáveis juntos.

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Tenho vivido este dilema, com alguma angústia, uma angústica que no fundo será inevitável viver para sempre!!! Oh God!! E desta vez, eu que costumo dizer que a minha Matita é a minha "princesa rebelde" e o Afonso Luz o meu "vidrinho sensível"... sinto que é ela que sofre mais. No fundo, ele sai da nossa casa e parte para o "divertimento" do "fim de semana de pai", os locais são os outros, as pessoas diferentes das com que nos damos por aqui, as rotinas também. Não digo que não tenha uma ou outra saudade, mas felizmente sei que está feliz e está "na dele". Epá... e graças a Deus, senão assim, eu não choraria por uma, choraria por dois...

 

Este texto, veio hoje a lume, porque depois de uma série de situações que vamos contornando (como dizer que não quer leitinho porque o "Atcontcho" não está e aponta para o copo vazio dele), no domingo à noite, na hora de ir para a caminha começou a chamar por ele, de novo. Vai daí, o Hugo teve a ideia de ligarmos ao pai do Afonso para ela falar com ele pelo  telefone. E pronto foi aí que a mamã Rita virou uma torneirinha choramingas...Fiquei de fora a assistir quietinha: Falaram os dois feitos palerminhas e num dialeto lá deles ( O Afonso fica mais abébézado quando fala com a mana mas lá se entendem, riem e chegam às suas conclusões), e a Matita, decidida como só ela, tirou-nos o telefone da mão, deitou-se sozinha, chegou-se para o lado onde ela dorme em vez de se deixar estar no meio da cama, contou-lhe o fim de semana dela ( "Ah motos, ah popó, ah avó, ah mãe, ah pai, ah bolo, ah chupa, ah parque, ah menino" etc, etc... e depois (ela que estava a chorar) mandou lhe um beijinho, deu uma risadinha, colocou o telefone na almofada onde o mano dorme normalmente, tapou-se sozinha e... acalmou e adormeceu <3... Assim.

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A mamã no meio disto? Coração apertadinho mas a tentar tirar o melhor daquilo.. que gostava que não fosse assim... A ligação deles está a construir-se. Tão pequeninos e já tão certos de que a presença (física ou só pela certeza de que estão do outro lado) dos manos é mesmo algo importante e indestrutível ... uma viagem sem bilhete de volta, só muita cumplicidade e turras pelo meio, tal e qual tem que ser, sem tirar nem por. Mesmo com fins de de semana e dias fora da rotina normal dos meus anjos-diabretes...

 

 

Havia de chegar o dia... que filme!!

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Havia de chegar o dia...E não está a ser fácil..

 

E quando...

 

O nosso filho chora porque não quer vir  de casa do pai (depois de um fim de semana e... uma segunda feira em que não foi às aulas porque... acordaram tarde !)?

 

O nosso  diz que quer o pai e a mãe juntos?

 

O nosso filho fica 1 hora e meia a fazer a birra da vida dele  (e da minha...)?

 

O nosso filho diz que não quer o Gú (padrasto) nem a mana... e diz que a "dá" à Vânia (mulher do pai)?...Olhem só a confusão.

 

O nosso filho pergunta quem era "o pai" quando morávamos no "Estoriu" ?(a casa que tivémos antes desta... e onde por acaso "já" não havia pai João na minha vida, e "ainda" não existia "papi Gú" nem mana).

 

O nosso filho porta-se mal, e nos faz passar "aquelas" vergonhas, com guinchos  choros no meio da rua?

 

O nosso filho diz que não tem que ir à escola e  diz que pode  e quer ficar a brincar em casa?

 

O nosso filho diz que "na casa do pai... é assim... por isso aqui... faço assim..." ( seja o que for e muitas vezes tendo eu a noção que é mentira e jogo dele...?

 

O nosso filho... primeiro diz que "só" gosta do pai... depois diz.. "Gosto do Pai... e de ti, só dos dois, no mundo inteiro"...

 

O nosso filho nos confronta... e por mais justificações, pedagogias, palavras, mimos e tentativas ( dificeis, acreditem..) de compreensão.. ficas à toa sem saber muito bem como lidar?

 

E isto tudo...para gerir... no dia anterior ao dia de anos da Mana (que ele diz não querer ir à festa... lol), com trabalho e compromissos pelos cabelos e... claro... uma bebécas de 2 anos que, à sua maneira, também anda a "princesinha rebelde" em pessoa"..

 

 

 

O dilema da Mãe separada: as férias grandes dos filhos... aiiiii....

Bem então é assim, a tentativa de explicar "isto".

 

O Afonso Luz vai amanhã de férias com o Pai João. 15 dias! 15 inteiros dias sem mim ;( Mas pronto, tem que ser, não é? Faz parte, Farto-me de me dizer isso a mim mesma. Mas uma coisa é a minha consciência, outra coisa é o meu coração... Estou que nem posso. Dizem que são sentimentos destes... que fazem de uma pessoa Mãe. É não é?

 

Vai daí, que como a semana anterior andei em "andanças das músicas", a trabalhar. Pelos Alentejos, pelos Algarves e, apesar deles no coração... 5 dias andei sem eles fisicamente, Cheguei na 2a feira à noite e...e.. apercebi-me, que o meu Caracol Douradinho, iria para as suas férias com a outra família... daqui a 4 dias!! Ai, que dor no coração. Peguei nele e na mana.. e estamos então, por isso (não só... mas também) nas nossas férinhas flash, na casa da avó Clara que tem piscina e é pertinho da praia. Foi o que "arranjei" assim de repente e de coração.

Sabem o que me consome juntamente com a ideia das saudades? O fato de sentir que ele e a mana não permanecem tempo suficiente juntos. Ou pelo menos, o tempo que eu gostava, que acho que eles necessitam para criar laços fortes. Muita gente, me diz preocupada demais, me garante que "eles", os pequeninos, são mais adaptáveis do que nós às diversas situações, que a relação é inabalável, estejam juntos todos os fins de semana ou fim de semana sim, fim de semana não...

 

Anyway... os miúdos que só tinham férias marcadas na escolinha a partir da segunda quinzena de Agosto, foram rapatados por mim e temos andado inseparáveis os úlimos dias. O trio invensível! Os três mosqueteiros. Inseparáveis (ai quem me dera não ter que me preocupar com as coisas mundanas e dedicar-me a este Amor mais e mais e mais tempo... porque segundo dizem.. ele voa.. e "amanhã" eles já terão 18 anos...).

               

Quando tive este flash, passei, então tudo para segundo plano (reuniões, blog, agendamentos de dj e de reuniões, amigos a telefonar...e o facto de sentir que tenho que estar ligada a tudo 24 horas por dia...) e eles, a piscina, a praia, os jogos, as petiscadas, os parques e jardins da zona,as leituras e histórias as passeatas e claro, pronto... um bocadinho de bonecos e tablet ao fim do dia ( os miúdos ainda são mais viciados que nós...) e... assim tenho enchido o meu coração e.. cansado a minha beleza... lol... Sim, que estar com os dois, com os seus caprichos, birras e ciumeira um do outro, também não é pêra doce, acreditem(as noites têm sido difíceis e os dias exaustivos) Se é compensador? Nem vos consigo explicar o quanto.

               

Amanhã o meu Afonso vai e a minha Matilde fica. Metade do meu coração vai murchar, mas não posso também deixar que ela se aperceba. Se esta é a situação ideal? A que eu teria escolhido? Não. Mas todos fazemos o melhor, eu sei. Mãe, pai, avós, padrasto e madrasta. Todos damos o nosso melhor para que as nossas crianças sejam felizes, disso tenho a certeza.

 

Só espero ir tendo a coerência para resolver na vida com sorrisos, o que o coração chora. A minha preocupação com a Matita é a adaptação ao "está-não está" do irmão... a minha preocupação com o Afonso é a de se conseguir "posicionar" em ambas as famílias que são diferentes em rotinas, formas de estar, interesses... e que tudo isso o torne um menino mais forte.

 

Ter filhos de pais separados é duro. Mas nao há nada a fazer, a não ser "entrar no jogo". O que interessa são eles, os miúdos. Pode parecer clichet, mas os clichets são isso mesmo... realidades que não podem ser senão essas. E a verdade é que ter filhos de um pai que vive connosco ( e por isso o filho tambem a 100%) e de outro, cuja vida é outra completamente à parte ( e por isso ter que dividir o tempo com essa família) ainda sublinha a preocupação e tentativa de fazer "tudo certo" se é que isso será alguma vez  possível. Pelo filho número 1 e pelo filho número 2. Cada um pelas suas razões. Cada um pelas mesmas razões.

 

Bem, amanhã é sexta feira, dia 15. Começam as duas semanas de "pai". Sei que ele vai gostar. Mas sofro (mais que ele, de certeza) pelas noites, pelos pesadelos, pelas manias que conheço e não sei se eles sim, pela constipação que ele já leva, pelos perigos dos mares e das piscinas e dos roubos e gentes más por aí nas ruas, fora do meu alcance e longe dos meus braços e conforto.. mas... mas... não há mais mas... não pode. O politicamente correto é este. O sentimento verdadeiro é a de que ter filhos de pais separados é uma grande merda... E pronto. É "isto".

 

Bora lá continuar a viver... mesmo de coração apertadinho ;(

 

E amanhã aproveitar ainda o dia com os meus dois bebézões bem juntinho a mim. Tem sido uma semana maravilhosa ;)

 

 

"Fazes parte das nossas veias" Feliz Natal amor!




Há coisa de 2 anos atrás conheci um menino. Mais precisamente há 2 anos e meio. Ele surgiu na minha vida assim de rompante. Chorando um dia, sorrindo o outro, fazendo a minha vida valer a pena, mesmo quando não me deixava dormir e eu resmungava cansada ou quando me tinha que debater com uma solidão típica de mãe solteira.

A esse menino, quis o destino (e a mãe) chamar Afonso Luz. A esse menino ofereceu, também, o Universo, o poder de melhorar o que estava à sua volta e os que estavam perto de si. Era realmente uma Luz.

Digo que o “conheci”  nessa altura, porque, no fundo sempre soube que ele viria encontrar-se comigo, só não sabia bem quando, nem como, nem em que condições. E ele veio. Na altura certa. Porque mesmo com dificuldades, a  altura em que se conhece o Amor incondicional só pode ser a única, a hora certa e... a nossa própria mudança acontece. Eu era uma pessoa diferente da que sou hoje. Tão diferente. A essência era a mesma, mas as prioridades, sonhos, passos e decisões tomadas eram radicalmente ao lado. Foi o meu abrir para a vida eterna. Sim, porque, como me disse um dia uma amiga, "Ser mãe torna te Eterna“...

A minha gravidez foi passada num misto de solidão repleta de sonhos e instabilidade emocional mas certa de que aquele era o caminho. Sem o pai dele por perto, devido a uma opção muito pensada mas sofrida, desde cedo este menino ainda me ficou mais colado à pele. Ao coração. À vida, que deixou de fazer sentido sem ele.

As dificuldades logísticas, profissionais, até familiares existiram nesta fase. Como existem quase sempre na vida de uma artista, freelancer, que vive mês a mês procurando a realização pessoal, profissional e financeira. Mas agora era Ele o meu centro.

O apoio familiar (Mãe e irmã principalmente) foram essenciais nos primeiros tempos. Senti-me um pouco menos sozinha e tive com quem partilhar o medo que sempre me assombrou de que me tivesse que separar deste meu novo e intenso Mundo. O meu filho, o seu cheirinho, o seu palrar, a sua alegria, as suas descobertas, que eu queria sentir e acompanhar dia a dia perto de mim.




Mas cedo vieram as visitas ao pai. A opção foi minha e tinha, por isso, ainda mais que respeitar estas saídas apesar de ficar com o coração na boca. Sabia que, ao ter tomado este caminho, o da separação (acredite, quem me aponta o dedo que não havia outra opção. Uma criança não deve ser submetida a discussões e ambientes tensos e impróprios), o pai teria o direito de o ver, visitar, levar para sua casa, passar tempo com ele. Ele seria também importante no seu desenvolvimento e descoberta emocional. E assim foi. 

Logo aos 2 mesinhos, o pai começou a passar fins de semana com ele e, mesmo a saber que ele era bem tratado, amado, acarinhado... não só a minha alma, como os meus olhos ficavam muitas vezes a chorar: Sou mãe, não consegui conter este sentimento.






Dois anos passaram. Para mim, parece pouco tempo mas não me posso esquecer que para o meu bebézão.. 2 anos equivalem à sua vida inteira. Uma vida que já passou por tanto, mas que eu tenho a certeza de ter conseguido proteger das confusões, más energias, discussões, tristezas. 

Tem crescido saudável e aprendido tanto. Sinto-me tão orgulhosa dele. E acho que, no fundo, também de mim, que ao passar pelas “minhas“ tempestades o tenho deixado sempre debaixo do telheiro, a ver a turbulência passar ao largo sem se aperceber sequer do que se passava...

A “pessoinha” que se está a tornar é muito bonita. Já a descobrir princípios, a distinguir o correcto do incorrecto a entender quem o ama e a saber como lidar com uma Mãe e um Pai que não vivem juntos. Um “Papi“ e amigo que o adora e que é pai da nova mana que nasceu na sua vida, uma tia que está na casa que também é a dele fim-de-semana sim fim-de-semana não... vários avós... uns biológicos, outros de coração, primos, amigos... enfim... a verdade é que lá se vai, para orgulho da Mãe adaptando e sendo feliz!

Chegámos agora ao Natal. O 3º da sua ainda curtinha e intensa vida.

O 1º passou inevitavelmente junto a mim, ainda o amamentava, tinha só 2 mesinhos. Vestiu se com um baby grow de pai Natal e foi... O ano da Mudança. 

O 2º Natal também esteve só por cá, porque o Pai estava a viver em Londres e mais uma vez, a casa da minha mãe e os nossos mais próximos acolheram a nossa felicidade no dia 24. No dia seguinte, a 25, foi o primeiro contacto, com aquela que viria mais tarde a ser a nossa família de coração, a do pai da Matilde (no ano passado ainda nem sonhávamos que iríamos ser pai deste doce de menina um ano depois...). O Afonso começou, nessa altura, a entender que o Natal era uma época diferente,  de festa, de união.




Mas este ano a época será diferente. Pela primeira vez, o meu caracolinhos vai passar esta quadra longe de mim. Com toda a legitimidade do pai e da sua família, que depois da incursão no estrangeiro, está a estabilizar a sua vida e como tal a firmar laços com o seu filho. E ainda bem. Racionalmente, é obvio que prefiro um pai presente e que o ame do que um ausente e que não se importe. Emocionalmente... não deixo de sofrer com a sua ausência.

Este ano, a vida e as escolhas da mesma, trouxeram-me uma Estrela, a Matilde. O meu segundo filho, a família que sempre desejei... os amigos e familiares dizem-me: “Não fiques triste no Natal, agora tens a Matilde...”. Quem diz isso, não entende que ela não o substituirá, nem o contrário nunca acontecerá. Acontece-me pensar, com algum sentimento (acho que compreensível) de culpa, se a Matita será mais feliz que ele só porque tem os pais juntos, porque vivi uma gravidez lado a lado com o seu pai... 

Sinto-me, num primeiro momento impotente e instável neste género de emoções, mas depois, percebo que não posso fazer nada, a não ser dar-lhe a educação e as explicações adequadas para que ele saiba lidar com isso (e também a irmã, que chegará a uma época da vida em que não perceberá muito bem porque é que o mano não está sempre presente, porque é que tem outro quarto e outra casa e outros pais, porque é que às vezes têm uma vida tão parecida e outras vezes tão diferente).

Os Natais, por exemplo. Este Natal, tão estranhamente ambíguo para mim. Tão mais triste por não ter o meu Anjinho de Luz ao meu lado. Tão mais feliz por estar acompanhada com a nova Estrela do meu Céu. Um filho longe. Um filho perto. UM só coração para viver as duas realidades.

Mais um ensinamento da vida, que a mim, sistematicamente,  me tem ensinado da forma  mais irónica, curiosa, kármica e ambígua que... não podemos ter tudo. Eu pelo menos, não posso. Nunca pude. E agora só o sublinho de forma mais dolorosa mas também mais tranquila. Uma dor madura  que tenho que aceitar para que todos passemos bem por tudo isto.

O meu coração sofre porque o Afonso não está comigo. Foi embora hoje e só voltará na 3a-feira, depois da noite de Natal, da consoada. Sei, no entanto, que ele estará contente e entretido na família do pai. E isso apazigua-me um bocadinho. No fundo ser mãe também é isto: Nunca mais seremos um Ser à deriva sozinho por aí a navegar no mundo com as suas próprias e egocêntricas decisões. Nunca mais estamos sós. Para o bem. E para o mal.

Amo-te  muito meu Filho.

Feliz Natal para ti! Desejos do núcleo duro cá de casa, deste lado do teu coração... Estarás a cada minuto no coração. 

Fazes tão parte de nós como as nossas veias.