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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Os manos na mesma escola e o meu coração a transbordar de felicidade

Começaram as aulas. E os meus meninos, voltaram a estar na mesma escola.

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 Pode parecer estranho para quem, isso, sempre foi o óbvio, com os seus filhos, fazerem um caminho curricular lado a lado, mas para mim, que por variadas razões ( monetárias, familiares, de localização) tem sido uma luta esta decisão e concretização... estes primeiros dia em que "a coisa" está efetivamente a acontecer, estão a ser de uma alegria que me enche de tal forma, que se torna difícil explicar. Mais ainda, por serem filhos de pais diferentes e por isso, muitas vezes a nossa família nuclear se "desmembrar" com um cá e outro "lá"....

 

Chegar à escola e dar de caras com os manos, a brincar no recreio, ele a ajudá-la a subir a uma estrutura de trepar que existe na areia, cúmplices, orgulhosos por mostrar aos outros meninos a força e confiança que ter um irmão por perto, lhes dá... Oh God! Que doces! Que feliz e completa me sinto...

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Apesar de eu ter uma irmã, ela só chegou à minha vida, aos meus quase 15 anos... o que sempre fez de mim uma "filha única com uma irmã" se é que me percebem. Toda a minha infância, vivi sem crianças ( nem primos tinha), sem irmãos.. e sonhando sempre com essa cumplicidade única que se consegue com um irmão com idade próxima à nossa. Mesmo que por vezes, também com muita embirrice à mistura, mas que tabém faz parte... Talvez por isso, por este meu desejo de companhia e companheirismo que sempre acompanhou a minha meninice, tenha insistido tanto no fato de os desejar juntos, a caminhar lado a lado, a criar o mesmo circuito de amigos ( os miúdos nesta escola são relativamente poucos e todas as idades interagem no recreio, além disso há muitos irmãos em turmas diferentes, o que ainda torna este espaço académico mais único e familiar, algo que tanto procurei para eles).

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A Matita apesar de falar ainda muitas vezes na escolinha antiga ( a creche que tanto gostámos e a fez feliz durante 2 anos), parece estar a adaptar-se muito bem à sua sala dos "crescidos" de 5 anos. O Afonso, senhor do alto da sua 2a classe, a adorar reencontrar amigos e professores. A Mãe feliz com este reeínicio de rotinas, apesar de agora... ter mais uma lancheira para organizar e cozinhar de véspera ( todos os dias preparo as refeições e os dois lanches do dia), mais birras de manhã ( Como vamos para mais longe, temos que acordar um pouco mais cedo e tenho que ser sempre eu a levar os dois), mais ginástica no orçamento familiar ( opções e prioridades bem definidas onde muitas vezes nos deixamos de lado, pela decisão de manter os dois filhos no ensino particular) e... um caminho cheio de gritinhos, conversas, birras, risadas, histórias, palermices... agora.. com os dois!! Mais um dos momentos que nos vamos para sempre lembrar, estes caminhos matinais que têm de tudo um pouca, mas especialmente tempo bem "gasto" entre família. Há lá melhor que isso, minha gente? Não há, pois não? ( mesmo que com esta opção, o meu carro continue esmurrado e não me veja a fazer viagens em lazer nos próximos anos loolll... não... o dinheiro não estica e sim.. " não dá para tudo", mas se eu decidir que o meu "quase tudo " são eles e é aí que prefiro aplicar o que vou tendo... quem me pode apontar o dedo?...)

 

Beijinho a todos... aproveitando para desejar um bom ano lectivo para todos desse lado! Sejam felizes nesse vosso percurso, façam as escolhas que puderem e que vos forem no coração e aproveitem para reviver os vossos tempos de escola ( eu faço-o muito) com os vossos miúdos. O tempo não volta atrás... e o tempo.. é agora!

 

 

 

Feliz Natal a almoçar sozinha...

Dia de Natal.

 

Almoço sozinha frente à tv com o Shrek e a princesa Fiona como barulho de fundo, enquanto me passeio em viagens virtuais por sites de cultura e lazer para saber se há algum programa a fazer hoje à tarde em Lisboa. Por isso, este não é mais um post sobre presentes ou espírito de Natal com criancinhas e família, provavelmente o mais esperado num blog sobre família e maternidade. Este é um post sobre uma mãe, também mulher, ser pensante e emocional. Querem?

 

Não não estou sozinha por obrigação, nem por zangas, nem por não ter por onde ir ou com quem estar. Estou sozinha porque quero. E estou mesmo bem. Agora, depois de um dia 24 cheio e a aguardar que a noite de hoje seja mais uma vez a loucura, numa espécie de rewind da ceia de ontem e de mais uma visita do Pai Natal... era mesmo isto que eu precisava, um momento de namoro entre mim... e a minha manta.

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Pode parecer estranho a muitos, talvez até mais por imposição da sociedade mas uma coisa que a maturidade nos dá é isso.. é já não nos pautarmos tanto pelo que os outros acham que é o correto, mas por aquilo que Eu acho que é o correto.

 

E os meus filhos? E a minha família (ou famílias, tendo em conta que tenho várias "frentes" nessa batalha...)? E o tal almoço solidário? Bem, comecemos por aqui.

 

O ano passado passei o almoço do dia de Natal numa associação e estava decidida a fazer o mesmo este ano. Uma forma de aproximar os meus filhos das causas sociais e levar sorrisos e uns miminhos de Natal a quem tem tão menos do que nós. Então? Porque é que não fui? Opá... olhem, coisas à Mendinha, decidi em cima do tempo qual a associação que queria, sugerida por um médico e amigo, que me cedeu o contacto do diretor... mas só o número fixo (e na net quase nada de informações....). A verdade é que liguei umas 5 ou 6 vezes e nunca atenderam. Entretanto.. os dias passaram, e estavamos em terça feira. Já não deu para fazer nada. Mea Culpa, que não me devia ter atrasado nesta combinação, mas como tudo na minha vida é a mil... olha... deixei o essencial "para amanhã" e acabou por correr mal ;(

 

A acrescentar a isso.. o meu príncipe Luz, o Afonso passou o 24 com a família do pai e quando ele me perguntou se tinha algo combinado para hoje, não tive como lhe dizer que não fosse a casa do irmão com ele, onde estão todos os primos que o Afonsinho tanto gosta, a celebrar o Natal confuso que faz as delícias dos putos. Ou seja... essa parte de mim ( sinto-me desmembrada sem um deles, é inevitável não me sentir um pouco triste com este afastamento, mesmo que o finja para fora) só volta hoje ao fim da tarde, para casa da avó Clara (a minha mãe), onde vamos, com essa parte da família, simular a consoada de ontem. 

 

A Estrela, a minha Matilde?! Ui... com essa tem sido a loucura, ontem, noite com a família da casa do pai , única criança... imaginem a excitação. E hoje... eu sugeri ao pai Hugo, irem os dois de novo almoçar com eles, enquanto eu ficaria em casa. Primeiro desconfiou da minha "boa onda", julgou-me chateada com algo... depois expliquei-lhe que este momento mais calmo, tão raro, me iria saber bem... e que no fundo seriam só 3 ou 4 horas. Estranhou que me sentisse bem a almoçar os restos do cabrito de ontem ( o que servi à hora do almoço com a minha irmã, avó, meninos e pai, que está separado da minha mãe por isso, não entra nas outras festividades, mas não queria deixar de estar com ele) num tabuleiro, sentada no sofá.. mas depois acedeu. Fazia sentido eles irem, sim, até porque os bisavós da Matita, que são do Norte, quase não têm oportunidade de vê-la... ah.. e eu ainda me agarrei à desculpa de que tinha ( e tenho, porque como estou aqui a escrever-vos, ainda não tratrei nada disso) que embrulhar alguns dos presentes para a festa da noite, onde ainda seremos 12 ou 13.

 

O Natal para mim é família, união... e acreditem, que assim... "às mijinhas"... tudo me parece estranho e desinteressante , só cansativo uffff.... Sei racionalemente que é assim que tem que ser... mas emocionalmente e sendo fiel aos meus verdadeiros sentimentos referentes a isto, parece que não me faz qualquer tipo de sentido com tanta "subdivisão".... Faço-o, celebro-o pelos outros, não por mim. A acrescentar a tudo isto, a minha separação do pai do Afonso e o estar longe metade da quadra, existem também os meus pais, que não estão juntos há uns 10 anos e família do marido atual da minha mãe. Ah e ainda a parte da Matilde... a da família do Hugo, portanto. quem me dera poder juntar todos, meu Deus! Aí... conhecendo-me como me conheço, não pararia um segundo e o meu coração estaria cheio de Amor e orgulho. Quem me dera poder ser eu a receber em casa. Mas a cas não é grande o suficiente e mais que isso... nenhuma das partes estaria disposta a isso. Entende-se. Ou não... por mim, que tenho um free spirit e uma hippy (chic ;)) forma de pensar. Por mim, receberia família e amigos e até (como já quis em tempos e deu "espiga"...) pessoas solitárias ou necessitadas que me tenham tocado o coração... Não é demagogia, ou querer "parecer bem"... sei que não daria para todos, para se se fizer a diferença na vida de uma pessoa, acredito que já valeu a pena.

 

Enfim... aqui estou eu, neste momento solitário, vivido assim, no meio da incongruência que é a minha vida. Normalmente queixo-me de não conseguir parar um segundo, rodeada de amigos, família, filhos, trabalho, compromissos. E hoje, quando quase todos andam tradicionalmente nessa azáfama... aqui estou eu, a escrever em paz, a usufruir da minha casa (desarrumada mas em plena paz) e a tentar "uliliuzar" este momento para tirar lições, pensar no ano que passou e prespetivar o que aí vem.

 

O tabuleiro está ainda aqui ao meu lado com o resto da refeição, os sonhos e rabanadas em cima do aparador, seduzem-me para serem os seguintes, juntamente com um cafézinho expresso (bebido sem stress, com a Matilde a querer sorvê-lo também ou o Afonso a pedir para mexer na máquina enquanto o tiro..). A árvore de Natal ali ao fundo como se me piscasse mil olhos e fosse cúmplice deste meu momento. Eu... orgulhosa por finalmente, ao fim de tantos anos a andar ao "mando e vontades" alheias, conseguir afincar pé e fazer o que me vai na alma. Neste caso, ainda por cima, sem ferir susceptibilidades, sabendo que ambos os meus filhos estão felizes com quem estão e que já fiz e irei fazer ainda o meu papel de filha, neta e familiar presente, oferecendo carinho, miminhos e tudo o que é exigido no Natal.

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Aproveito para ainda desejar uma excelente quadra a todos. Ainda vou a tempo de o fazer e apesar de tudo só agora consegui fazê-lo. Sim, é que ao invés deste momento sozinha, até há pouco, os minutos de pausa são poucos e fico feliz e com a sensação de missão cumprida, de ter utilizado um bom pedaço deste, para escrever um post de Natal diferente, numa experiência que acredito não ser comum, sobre a minha opção (porque gosto de acreditar que sou uma mulher de opções diferentes, mas sempre coerentes e sem ferir os que me rodeiam). Porque no Natal todos deviamos ser, ou pelo menos perseguir, o que nos faz feliz. Ser bom para os outros e também para nós mesmos. E eu... sinto-me hoje, bem assim., a almoçar sozinha.

 

Feliz Natal. Com muito amor, auto-estima, solidariedade e união. Apareçam estes sentimentos de que forma for, mesmo que não sejam da mais tradicional e clichet. 

 

(E agora... bora lá embrulhar mais umas prendas.. que os meus meninos ainda vão hoje à noite, vibrar muito com as surpresas ;))...