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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Aylan e Galip: 3 e 5 anos. A idade dos meus filhos...

Aylan tinha três anos. Galip, o irmão, cinco.

 

A idade dos meus filhos. Meu Deus! Não tenho pensado noutra coisa. No meio dos meus afazeres, das minhas rotinas, do sorriso e das birras dos "meus 3 e 5 anos" cá de casa ( fazem ambos em Outubro, falta só um mesinho, e posto tudo isto, só penso... que um dia pode fazer a diferença na vida de uma mãe, de uma família, de crianças como estas ou como as nossas).

 

Eram filhos de Rihan e de Abdullah, um casal que viajava junto com os seus pequenos tesouros assustados mas valentes... que buscavam uma vida melhor. Mais justa e sem terror. Uma Vida. Ponto.

  

 

Atravessaram vários quilómetros através da Turquia até chegar o momento ao mar Egeu rumo à ilha grega de Kos — a rota entre Bodrum e Kós é uma das mais curtas a ligar a Turquia às ilhas gregas, totalizando um percurso de cerca de 21 quilómetros. 

Eles e a mãe morreram naquela praia turca. Tinham vindo da Síria, estavam na Turquia e sonhavam com o Canadá que lhe recusou asilo. Só o pai sobreviveu. Eles tinham nome, caras, sorrisos, sonhos, já tinham experimentado uma "vida normal" como a nossa, a que levamos, aqui neste cantinho à beira mar plantado, esperando, ou fingindo que o mundo vai bem e que o nosso dia-a-dia anestesia dores, medos, injustiças...

 
Das minhas pesquisas e leituras que tenho quase um pouco obsessivamente feito, nestes últimos dias sobre esta crise na Síria, sobre os porquês, sobre os voluntários e ONG´s, sobre os refugiados... dei de caras com estas fotos. Simples, verdadeira, uma foto igual à de tantas crianças em tantas famílias. sorrisos ingénuos de meninos que podiam ser os nossos. Eles e o seu peluche. Eles a fazerem gracinhas para os pais. Eles a desenhar o mundo inteiro na sua inocência...
 

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“A Europa não o pôde salvar”, “O fillho de alguém”, " Uma criança é um mundo inteiro"...titularam os jornais. E assim Aylan virou um símbolo da sua própria desgraça. E assim, a imagem do menino, ja morto nos braços do mar, do mundo, de um militar em serviço... tocaram mais que tantas outras, não pela indiferença mas talvez pela dormência em que esta sociedade nos incumbe a viver. E assim, não tenho ( nem eu nem tantas outras mães e gentes de coração e estômago...) conseguido dormir como deve ser. E assim, ando a pensar em como agir e não falar em lamentos e queixas momentâneas da vida e do mundo...

 

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 E os fatos? Os fatos foram estes. Os que se seguem. Fica a descrição para os mais desatentos. Se isso me importa mesmo? Sim, para perceber o percurso e sonhos desta gente em pânico e que tentam tudo mas tudo para salvar a família de uma vida a que nenhum ser humano devia ser submetido. Não. Porque a história é igual à de tantos outros que nunca chegaram a ser conhecidas. E todas elas deviam servir de bandeira a um movimento contra a injustiça do mundo...:

 

"Aylan Kurdi tinha três anos e era o irmão mais novo de Galip, de cinco. O filho de Rihan e de Abdullah. A família viajava junta e atravessou vários quilómetros através da Turquia até chegar o momento de cruzar o mar Egeu rumo à ilha grega de Kos .O objetivo era alcançar a Europa. Deixar o país que o viu nascer e que o condenou a conviver com um conflito armado — atirar para trás das costas a Síria e os destroços causados pelo autoproclamado Estado Islâmico. Fugir da guerra e agarrar a vida noutro local, na segurança do solo de países da União Europeia, uma espécie de terra prometida à imagem e semelhança do que um dia foram os Estados Unidos para quem tinha os bolsos fundos de esperança e vazios de dinheiro. O sonho deles era da Europa partir depois para o Canadá.

 Aylan, Galip e Rihan nunca chegaram onde queriam. As duas crianças e a mãe não tinham os respetivos coletes salva-vidas quando a embarcação em que seguiam se virou no escuro da noite, cerca de 30 minutos depois de ter deixado a localidade turística de Bodrum, na Turquia. O pai, esse, conseguiu chegar a terra e vencer a agitação do mar. Alcançou a terra e o futuro idealizado, embora sem poder partilhá-lo com o resto da família.

 

Abdullah, o pai, segundo o “National Post”, do Canadá, tem agora um único desejo. Voltar a Kobani, a cidade síria de onde partiu, e onde quer enterrar a mulher e os filhos, e onde o Estado Islâmico já não muda porque as forças curdas levaram a melhor em janeiro. O sonho de se juntar à irmã no Canadá morreu na praia.

 

“Ouvi as notícias às cinco da manhã”, contou Teema Kurdi, a irmã de Abdullah, ao National Post — que mora em Vancouver, no Canadá, onde trabalha como cabeleireira. Foi a ela que a família inicialmente se quis juntar. Pediram asilo ao Canadá, mas o pedido foi recusado por problemas com a Turquia. “Estava a tentar financiá-los e até tinha amigos e vizinhos que tinham feito depósitos bancários, mas não conseguimos os vistos. Estava a pagar-lhes o aluguer da casa onde moravam na Turquia, mas é horrível a forma como lá tratavam os sírios. Por isso tentaram sair de barco”. Uma viagem fatal."

 

Fonte dos fatos descritos: OBSERVADOR.PT

 


 

 

Como continuar a vida com "menos um" dos que gostamos...

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 A vida é isto mesmo... dói a tua partida... mas a vida continua. Porra...Talvez pareça frio mas é tudo menos gelo. É proteção. A vida continua sempre. Ela é uma estrada inevitável de percorrer. E não há como travá-la...

 

E ela continua com os seus afazeres, os seus horários e as suas rotinas, as suas contas e os seus compromissos, os nossos filhos, sobrinhos e tal e tal, os sorrisos sinceros que vamos tendo (ou a tentativas deles), o trabalho, a família, a luta diária, o tentar encaixar os amigos no meio de tudo para uns minutos de lazer. Segue. E tu que partiste...E o teu filho ficou...( Deus como isso dói..)

 

Para uns a vida acaba assim sem avisar. Para outros, apesar do choque e do "abre olhos" que é... tem que continuar. Na busca incessante da felicidade. Nem que seja em honra de quem já partiu e não teve mais oportunidade de buscar os seus sonhos e desejos terrenos. Percebem?

 

Pronto é isto. Quanto mais vivo mais o sei. E ser realista doi ainda mais. 

 

Se gosto da Vida? Amo... mas acho que ela, podia, de vez em quando dar-nos tempo para chorar e encontrar uma reclusão que, pelo menos a mim ( que vivo literalmente de tudo o que conquisto) não deixa...  

 

Sinto que cada vez mais, se expõem sentimentos nas redes sociais, mas que na vida interna de cada um se esfumam muito mais rápido que os posts... Chorar não e bem visto. Tudo tem que ser explicado, esmiuçado... às vezes não existem razões aparentes e expressivas... é só o coração adormecido pela rotina do dia a dia que desperta. O meu despertou agora e fez-me viajar até a um passado "próximo" mas já com mais de 10 anos.. Eramos todos "tão meninos", tão cheios de sonhos, ideias, certezas... 

 

E agora, que para ti acabou... para nós... 3, 2,1... Tem que ser um "Siga para Bingo"... (esperamos sempre que o "bingo" esteja ali a frente) com um estranho e colado apego na alma aos que, sem razão aparente (podia ser um de nós, esse é o sabor que fica depois de uma morte permatura e próxima) se despediram e partiram para outra realidade (se a houver efetivamente...).

 


Somos todos feitos de Estrelas e as Estrelas são feitas dos que hoje, nos iluminam e vigiam lá de cima. Mas preferia que algumas "estrelas" não brilhassem ainda ;(

 


Beijinho na alma e boa viagem, meu amigo. A nossa, aqui, continua sem parar, mesmo estando fixada e colada ao mesmo sítio e às mesmas certezas que de certas não têm nada. Tudo assim, correndo ao sabor de uma estratégia de um tempo cronológico lixado... tudo, até ao dia... que todos esperamos que demore a chegar, mas que chegará a todos. É esta a minha dificil e quase culpabilizada reflexão de hoje. Volta a dar? Não me parece..

 


O que é afinal a Morte? Como deviamos viver afinal a Vida? Oh Good... tanta coisa na cabeça... e mais as fraldas e os jantares, e as reuniões e os horários e os projetos... e tu e tu e tu e mais tu, pessoas que me marcam ou marcaram... que vão deixando de estar por cá...

 


Com Amor. Era assim que devemos, temos obrigação de viver a vida. E com vontade, mesmo que às vezes pareça tão difícil e estranho.. Viver sem grandes dramas ou ciúmes ou chatices por "coisas poucas" que acreditamos serem "o mundo". Viver sem dores escusadas, sem ânsias ou invejas. Sem dor...

 


A vida é curta mesmo. Vivas 20, 40 ou 90 anos. Se a amarmos será sempre curta... E agora, perto dos 40, ainda mais esse peso cai sobre mim.
Se não a amarmos, acredito que seja um alivio a partida. Mas mesmo assim, tenho em mim que na hora da partida quase todos desejassem uma segunda chance... 

 


A vida de quem cá fica ...continua, é disso que falo. E  como raio conseguimos gerir este sentimento? Uff...

 

 

Honremos a tua e a partida de outros próximos ou que fizeram parte importante da tua vida, tenha sido em que fase tiver sido. Aqui, nestas coisa, o tempo torna-se relativo, só o sentimento... Deixemo-nos de merdas. Sejamos agradecidos e encontremos momentos bons a cada dia que passa.

 

Só isto... Estou toda atabalhoada em sentimentos...

 

Eu.0

Alma Gémea

O Afonso passou hoje o dia comigo.

 

Um dia só nosso. Não fizémos nenhum programa especial, apenas usufruímos um do outro, assim, num dia normal, caseiro, de bairro.

 

Ele pode acordar mais tarde e sentiu-se todo "promovido" porque a mana foi para a escolinha e ele não (de fez em quando passo tempo só com um deles, acho importante sentirem essa atenção de Mamã de vez em quando, sem ser dividida com o outro mano).

 

Fizémos torradas como ele gosta, passeámos no parquinho atrás de casa, fomos ao supermercado e deixei-o enroscar-se no cestinho pequeno, o que o deixou divertidíssimo. Fizémos desenhos, vimos bonecos na tv.. estivémos na ronha.

 

A certa altura, já a tarde ia alta, diz-me ele, carinhoso:

 

"Ó Mãe, quero ficar contigo para sempre.."

 

Eu: "Para sempre? Ou sempre meu amor?"

 

Ele: "Para sempre. Quero ficar contigo agora, depois quando for crescido, e quando for velhinho e depois quando morrer, tá bem?"

 

Eu... disfarcei a conversa. Quando morrer?? Fogo, ele já pensa nisso, questionei-me...

 

Ele: " Quando morrer podemos ficar juntos?"

 

Eu: " Sim, vamos s os dois juntos para as estrelinhas, boa?" ( nessa altura, acreditem que tive que conter umas lágrimas que me deram um daqueles nós na garganta que nem vale a pena explicar, porque todas sabemos o que é...)

 

Ele: " Tá bem Mãe, mas então temos que ir de mão dada que é para não irmos enganados, eu para uma Estrela e tu para outra..."

 

"Sim filho, sim, imagina o que seria... está combinado!"

          

 

Ai, meu Deus, acho que ainda não tinha sido assim confrontada com a mortalidade, desde que sou Mãe. Nem tempo para pensar em coisas metafísicas tenho, acho que é por isso... Mas hoje, a minha pequena migalha de gente, da forma mais natural do mundo, fez o favor de me oferecer esse pensamento...

 

E pronto... agora vou ter que passar o resto da vida a tentar descobrir a quem terei que meter "a cunha" para que não se engane nas Estrelas para que nos enviará um dia... É que é mesmo bom que seja a mesma, senão lá terei eu que mover os Céus para mudar esse destino enganado.

 

Sim, porque eu e o meu filho (nesta vida), somos mesmo feitos para estar juntos. Cada dia que passa, tenho mais certezas que as nossas almas tinham mesmo que se encontrar e caminhar juntas. Agora, em crescidos, em velhinhos... e um dia, a passear pelas estrelas. 

 

E é a isto que  eu chamo de Alma Gémea. Não há mesmo volta a dar... Concordam? 

O perfil "Côderosa" da Nonô

               

A menina que Portugal acarinhava morreu... Mas não vou escrever sobre isso, como acontecimento...

 

Todos tememos essa dor de pai e mãe, todos sabemos o quanto eles e esta princesa lutaram. E não há muito mais a dizer publicamente, a não ser palavras rebuscadas que tentam verbalizar o que todos desejávamos não existir. As crianças não deviam morrer. Só os idosos ;(

 

Queria, antes falar dos "velhos do Restelo" que maldizem o perfil que homenageia a menina e que está a invadir o facebook. Não sei onde nasceu a ideia, mas não, por acaso neste caso não considero "palhaçada" este género de homenagem. Li, por aí, já algumas criticas e muito duras e feias (arrisco até a apelidar de insensíveis) aos "perfis cor de rosa".  E apetece-me, isso sim, desancá-los, mesmo alguns sendo até amigos meus reais ou virtuais. Paciência...

 

Sabem que mais? É o poder das redes sociais, é o mundo em que vivemos atualmente. Com que compactuamos. E esses críticos, os que desdenham, então porque continuam ligados? Então porque continuam a "alimentar a máquina"!? Então por que lhes faz isto confusão?


A Nonô morreu. E sim, muitos outros meninos estão na mesma luta. Penso muito, muito nisso, já pensava antes, durante a sua tentativa de cura. Que há, infelizmente mais Nonôs por aí.. Penso que mesmo na doença há pessoas (e crianças, neste caso) mais apoiadas que outros. Até na doença existem desigualdades...Ou porque têm mais posses, ou porque têm conhecimentos, ou porque por uma ou por outra razão se gera uma onda solidária à sua volta. Mas e então, ela não tem que ser condenada por isso... Qualquer pai faria o máximo pelo seu rebento doente. E os da Leonor não foram diferentes.

 

Sim, a dor dos pais e da família da Nonô não será maior do que dos da Joana, do Afonso, do Pedro, da Inês... mas ela acabou por se tornar um símbolo. E é disso que falo agora. Um símbolo, principalmente da força e da esperança que o lidar com esta doença exige a todos os que a vivem. Era, por outro lado, a imagem espelhada do terror que cada um de nós, pais e mães, tem, que um dia um filho nosso possa ter que passar pelo mesmo. Por isso, agradeço todos os dias a saúde. Que é sem dúvida o principal, o mais importante no meio de tudo o que possamos estar a passar... tudo o resto, de uma forma ou de outra se resolve... a doença crónica, a morte... não.


A Nonô tornou-se "grande" mesmo sendo pequenina, por isso, sim, se há tanta treta a passar e a comentar-se pelo facebook, porque raio é que se insurgem a este simbólico e tão querido movimento? Que raio de motivo para criticarem.... fiquem na vossa...


"Côderosa" era a sua cor. Qual o mal de o expor como forma de a homenagear? Realmente há gente que só olha mesmo para o seu umbigo.


Ah... também li que a vida é que devia ser homenageada, não a morte. Concordo plenamente, é essa a postura da sociedade hipócrita em que vivemos. Mas, por acaso (ou não), não foi este o caso, esta princesa foi acarinhada em vida e um grande exemplo. Muito devido à sua Mãe Vanessa Afonso, que com descrições maravilhosas e tocantes desta história misturada entre medo, esperança e luta, nos foi mostrando quem era esta migalhinha de gente...


Se as redes socias, podem ter algo de positvo, são estas partilhas. Onde aprendemos, nos sensibilizamos e até, a partir das quais ajudamos. Se os posts são efémeros, momentâneos e se esquecem facilmente? Sim... mas acredito que a Nonô, também devido a esta onda de Amor, vai manter-se na nossa memória. E também em honra aos outros meninos e meninas que não foram ou são tão mediatizados...


O meu perfil, mantem-se rosa. Porque acredito que ela sorrirá ao saber que tanta gente triste com a sua morte, consegue (também devido à forma, sentida mas especial que os seus pais viveram a sua doença e vivem agora o seu desaparecimento) pensar nela como uma linda princesa que amava esta cor e queria ser princesa.


Piroso, desnecessário, fútil? Por favor... queria ver se fosso com um filho vosso...


Desnecessário é criticar tudo... principalmente o que é feito de coração... <3


Querida Nonô e família, queridos meninos que passam por esta terrível doença. Este perfil é para vocês. Esta cor é vossa. Para voarem com a alegria, de quem se libertou da dor...<3

Não há borracha que apague algo que foi escrito com a força de Deus...

 

 

Inevitável não ficar afetado com a morte de um filho de alguém. Essa morte, é contra-natura. Seriam os pais a partir antes dos filhos, é essa a lei natural da vida, mas ela parece, na realidade, uma roleta russa que muitas vezes se distrai e dispara ao disparate, acertando em quem não deve. Nos filhos. Nos dos outros. Dos que depois "disso" deixam também eles de viver e passam a sobreviver, que é mesmo a única opção para quem é assim esbofeteado pela vida.

 

"Dos outros", achamos sempre nós... "porque connosco é impensável". Até ao dia... No nosso mais profundo íntimo de mães e de pais, o nosso maior terror vive longuinquo (mas como uma sombra, sabem do que falo não sabem?...) e é essa a forma de lidar com o receio pavoroso. Conseguimos solidariezar-nos, oferecer o colo, as lágrimas até. E o alento que daí surge, é no fundo o exorcizar de um medo, um terror tão profundo de que um dia este tiro acerte a nossa família. E assim, a única forma de continuar a viver a nossa normalidade diária... é não acreditar que a nossa famíla também está "a jogo".

 

Mas está. E acho que é também por isso, que situações tão duras como a que nestes últimos dias acompanhámos de uma Judite de Sousa, jornalista de renome, figura pública e acarinhada do nosso país... e Mãe... nos afetou tanto. Me afetou tanto... ao ponto de ter insónias e pesadelos e quase não dormir há duas noites. Sim, estamos todos "a prémio", e desta vez a má sorte calhou-lhe inexplicávelmente a ela (s)...

 

A força das redes sociais, a força dos orgãos de comunicação enfatizaram desta vez, é certo, uma realidade horrível, mas que acontece desde que o Mundo é Mundo, desde que o destino ou o Karma existem (para quem acredita), desde que a destruição faz parte do vocabulário em paralelo com a palavra Amor. Sublinho este fato, porque acho que a dor de tal perda é tal, que muitas vezes não se fala propositadamente. Com medo "que os Deuses ouçam" e se lembrem "de nós". Só quem passa por ela grita em silêncio e encontra as forças inimagináveis da sobrevivência.

 

Talvez por isso, ainda não tivesse aqui abordado este tema. Não que tantas vezes não me lembre com o carinho da dor de algumas Mães que sei que se perderam, perdendo os seus filhos (as próximas e cujas histórias conheço bem, quase de cor... e as longuínquas, cujas histórias me são alheias mas das quais não deixo de sentir a dor coletiva que se parece colar ao meu próprio medo cada vez que penso nisso)...

 

A verdade é que num blog que celebra o nascimento, a maternidade, a alegria, abordar a morte de um filho, é trazer uma núvem escura a quem vive o céu azul da Primavera.

 

Mas hoje não. Hoje o país está de luto. Por esta mulher, que perdeu o filho num estúpido tropeção numa piscina. E também pela Mãe de 2 meninos ( dois meu Deus!!) que faleceram vítimas de um acidente com uma moto quatro. E também pela criança que morreu num incendio.  E também... pelas outras mães que todos os dias, por aí, em Portugal e no mundo, se perdem a si, perdendo os seus filhos "porque sim". Seja por doença, por guerra, por acidente. Seja pelo que for.

 

O meu coração está triste. E está com elas. E garanto-vos que não só hoje. Todos os dias. Porque todos os dias o medo de que algo aconteça aos nossos é tão grande... que a única forte estratégia é... tentar não pensar nisso, para que os dias fluam, para que a vida corra, para que haja lugar a sorrisos e sonhos...

 

Hoje, depois de mais uma noite de insónias, a sofrer uma dor que não é a minha, mas que no fundo também o é, pela incompreensão desta falta de lógica e imperfeição no "chip do mundo" ( não devia ser permitido por "lei de Deus", que um filho, tivesse a idade que tivesse, morresse antes dos seus progenitores)... aqui deixo a homenagem sentida, a solidariedade possível, as lágrimas deixadas cair pelo rosto e escorridas pela alma, de quem ao Amar tanto os seus, sofre através daquele fio invisível.. que une todas as Mães e mulheres do mundo (tenho também pensado muito na namorada/mulher do André, ele que era do círculo de amigos do meu Hugo e que tinha exatamente a mesma idade dele).

 

Independentemente da classe social, da idade, do país, da cultura, das creças de cada uma ( e um... porque os pais também o sentem sem dúvida), os nossos filhos são a nossa vida e a continuação da nossa existência. E quando esse elo se quebra, quebramos nós também com ele.

 

Deus proteja todas as mulheres que passam tamanha provação, sejam elas quem forem.  Para mim, são mulheres como estas que personificam a força e a coragem. Heroínas, que se levantam, sem ter vontade de o fazer. Simplesmente porque, apesar de tudo.. a vida deve ser honrada. E vivida, nem que seja... por eles, esperando pelo dia de abraçar de novo os seus anjos desaparecidos da terra.

 

Hoje é uma segunda feira feia, triste. Mas... a vida, o dia a dia, as tarefas correm, essa é que é a verdade. E têm que correr, continuar. E os nossos que estão cá merecem-nos a nossa boa energia. Mais que nunca, não lhes podemos transmitir este terror de Mãe. A mim, no entanto, só me apetece, não largar os meus filhos, nem por um minuto. O medo não deixa de me correr pelas veias, essa e que é essa...

 

Não há borracha que apague aquilo que foi escrito com a força de Deus... ;( Só há a esperança de que a dor se transforme na paz do descanso...

 

Bye bye sweet Peaches ;(

  

 Não era uma "estela galática" daquelas que se reconhecem nos 4 cantos do mundo, alguns provavelmente nem saberão à partida de quem falo, mas Peaches Geldof era, para além de apresentadora, um recente ícone de estilo em terras Britânicas, principalmente depois de ter "sobrevivido" a uma adolescência problemática e depois da maternidade a ter tornado uma "outra" mulher cheia de estilo, alegria e adepta de um estilo de vida saudável.

 

Eu, seguia-a, curiosamente, no instagram. Mãe estilosa, trendy, moderna e... real apesar de figura pública, era giro conhecer o seu dia a dia, que no fundo, até se parecia muito com o que eu vivo. Profissões parecidas, bebés de 1 e 2 anos e meio... ainda me chocou mais por esta "proximidade" virtual, de "onda" e de vivências parecidas;(

 

Sempre viveu sob a alçada da imprensa, era modelo, fashionista, ex-colunista da “Elle” inglesa, filha de Bob Geldof e Paula Yates e irmã de Pixie, figura também conhecida no mundo da moda.

(aqui, uma foto com a Mãe Paula, quando tinha a idade do seu filhote mais velho:)

 Peaches tinha 25 anos e deixa dois filhos, de 1 e 2 anos, frutos de seu casamento com o roqueiro Thomas Cohen. E "assim" se acaba uma vida que estava ainda agora a começar. Sim, porque ser Mãe, para ela, como para tantas de nós, lhe estava a abrir novos caminhos, a apresentar novas e únicas experiências, a mostrar que a vida são também e principalmente "Eles", mais do que tudo o que passamos ter vivido antes. Que pena...

Após uma perícia inconclusiva sobre as circunstâncias da morte da apresentadora de 25 anos Peaches Geldof, o jornal inglês The Sun divulgou nesta sexta-feira (10) que a socialite pode ter falecido ao lado do filho, Phaedra, de apenas 11 meses.

 

E basicamente é esta a razão desta minha crónica.

 

A sua morte é triste, mas como tantas outras. O facto de ser Mãe de dois bebés com idades próximas dos meus ainda me tocou mais, mas o fato, a ser verdade, que morreu ao lado de um deles, torna, para mim, esta descrição de morte um verdadeiro pesadelo. E acredito que para qualquer uma de vocês.

 

A última coisa que deveria acontecer a uma mãe. Morrer ao lado de um filho adulto, é uma coisa, até apaziguador, acho. É a lei da vida e uma pessoa de 20, 30, 40 anos, já consegue digerir esta tristeza e até poderá fazer algum sentido.

 

Mas uma criança? Um bebé?? Todas sentimos, que é suposto protege-los, estão sobre nossa alçada mesmo por isso, era suposto sermos o seu conforto e porto de abrigo certo... E esta morte vai fazer parte da História deste pequeno ser. Vai marcá-lo para sempre. Será justo?

 

A informação divulgada é de que uma vizinha teria encontrado o corpo de Peaches ao lado de Phaedra, que brincava junto à mãe. "Phaedra estava ao seu lado o tempo todo, mesmo quando ela estava "dormindo". Pelo menos há o conforto de saber que ela não estava sozinha quando morreu", declarou uma fonte da publicação.

 

Peaches teria sido encontrada pela vizinha pois após inúmeras tentativas de contatar a esposa ao telefone, o músico Thomas Cohen, marido da apresentadora, teria pedido a ela para que fosse verificar se estava tudo bem com Peaches e o bebê.

 

Ainda de acordo com a publicação, a vizinha lamentou a morte de Peaches e falou sobre o pequenino: "Ele (o bebê) é tão pequeno que esperamos que ele não vá se lembrar de nada. O mais importante é que ele está bem. É devastador para Tom não ter estado ali, mas não poderia ter evitado".

 

Sim... tudo isto é real.
Mas tudo isto é também o pior pesadelo de qualquer mulher. Pensem nisso. Não é??
A não terem sido efetivamente drogas - e se assim o for toda esta homenagem ficará em águas de bacalhau, porque não equaciono, em situação alguma, uma Mãe drogar-se com os filhos por perto- (uns especulam-no, devido à mãe de Peaches, ter morrido de uma overdose quando ela tinha 11 anos, mas a maioria e até as entidades competentes dizem não ter encontrado qualquer  substância ilícita no seu organismo, outros a uma dieta rigorosa feita à base de líquidos), sim... mas, ok, a não terem sido drogas, nem quero imaginar o que terá sido o momento final daquela jovem mulher, ao sentir-se mal (não sabemos bem como), estando com o seu bebé ao lado e não ter tempo nem reação para o proteger do que estava a acontecer...
Nem quero imaginar ou consigo compreender muito bem, como uma Mãe nova, bonita, aparentemente saudável, se vai assim, sem lhe ser permitido pelo Universo que a levou.. vir a vivênciar de perto, acompanhar o crescimento dos seus pequenos infantes... sem protegê-los deste momento assustador e avassalador (mesmo sem ele se ter apercebido por ser pequeno demais).
Ainda ontem, nem a propósito, falei neste tema ao meu marido. Algo que não apetece verbalizar, mas que uma estranha situação destas e com a visibilidade que está a ter, trouxe à tona e me está a revolucionar os sentimentos. Nunca queremos imaginar que vamos "faltar" aos nossos filhos. Mas a vida é uma roleta russa... E se!? "E se um dia eu desaparecer e eles forem pequeninos!?"...
 
Quanto a esta linda Menina-Mãe, só desejo que descanse em paz e que, se assim for o "depois" que acompanhe com Amor os seus filhos de lomge, como se estivesse perto... mas sei lá. Estou confusa, triste e imagino que a todas as famílias podem acontecer desgraças destas. Que karma, a de algumas. Que tristeza, que medo (ainda por cima, porque agora depois da sua morte surgem história mesmo mesmo assustadoras. Como ESTA AQUI...)



Nesta avenida que piso, tu passeavas também...





Para além da dor natural numa situação destas.. dou por mim, enquanto dou passos largos a caminho de casa, a pensar... que a Vida é mesmo breve, damm!!

... Ainda "há uns dias", eu brincava e vibrava com as conversas e com a voz poderosa da Tia Celeste. E hoje, ela e os seus 85 anos, foram-se embora..


No velório, pedi-lhe que, ao chegar "lá",  beijasse a avó Gi e o Avô Zé e que ... Não, não que lhes dissesse a falta que fazem,  porque eles sabem-no bem (principalmente a mim, nos momentos em que preciso encontrar o caminho e me sinto a cambalear  no escuro)... Mas que ... os brindasse, antes,  com a gargalhada que dela me lembro e que os 3 se sentassem a contar as novidades e a ironizar com elas, como tão bem os 3 fizeram sempre em vida !!

 Sim, divertidos e a mandar força genuína para nós, através da boa disposição de que tanto precisamos/preciso para ultrapassar os "pequenos grandes males" que se nos vão colando à pele, à alma e ao dia a dia.


Também  o tio Centeno, de quem ela morria de saudades, a esperará .. Mas esse encontro é só deles.

E também a minha querida bisa Alice,  ai que saudades...

Ela estará por lá, de braço dado com as amigas da época, para a acompanhar nas passeatas regadas com conversa trivial, tal qual fizeram anos a fio, aqui pelo perímetro da Avenida de Roma...

A mesma Avenida, que eu, ainda hoje, ainda viva, ao voltar agora, no silencio da tua despedida, Tia, piso.  A mesma Avenida, que com os meus Filhos, vossa descendência, calcorreio todos os dias ao vir para chegar até casa, numa rotina que é agora minha, mas que já foi a de outras gerações...

Nós somos ainda um pouco de ti Tia celeste. E de ti Avó Gi. E de ti Avô Zé. E de ti Bisa Alice...

E assim, as memórias nos fazem viver, sendo por vezes, necessário o impacto e a força deste sopro da Morte, ao levar mais um dos nossos, para nos "acordar" e querer, efetivamente... Viver. Ter medo do tempo que passa e querer aproveitá-lo da melhor forma, não só "estar por estar"...

Querer Viver por nós mesmos. E por vocês, que já se foram.... mas que, no entanto, merecem o nosso respeito, e a homenagem da vossa continuidade.

Tentá-lá-ei honrar todos os dias, juro ... E quando não conseguir ... Conto com uma das vossas gargalhadas inesquecíveis ( é impressionante como a memória visual me trai... mas a auditiva não...) para me darem nas orelhas, orientar com sabedoria e perdoar, Perdoar, acreditando de novo em mim, nas minhas capacidades, na minha força e ignorando as almas negativas e destabilizadoras.

Sempre com um sorriso e uma palmada bem disposta. O vosso sorriso e a vossa palmada, que a partir de certa altura, já se confundem com o que me pertence também. porque em mim, vos tenho a vocês, tal como acredito acontecer com a maioria das pessoas sensíveis e ligadas à família...

Boa viagem Tia / Mulher ... Celeste.



Bom descanso. Bons reencontros.