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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O perfil "Côderosa" da Nonô

               

A menina que Portugal acarinhava morreu... Mas não vou escrever sobre isso, como acontecimento...

 

Todos tememos essa dor de pai e mãe, todos sabemos o quanto eles e esta princesa lutaram. E não há muito mais a dizer publicamente, a não ser palavras rebuscadas que tentam verbalizar o que todos desejávamos não existir. As crianças não deviam morrer. Só os idosos ;(

 

Queria, antes falar dos "velhos do Restelo" que maldizem o perfil que homenageia a menina e que está a invadir o facebook. Não sei onde nasceu a ideia, mas não, por acaso neste caso não considero "palhaçada" este género de homenagem. Li, por aí, já algumas criticas e muito duras e feias (arrisco até a apelidar de insensíveis) aos "perfis cor de rosa".  E apetece-me, isso sim, desancá-los, mesmo alguns sendo até amigos meus reais ou virtuais. Paciência...

 

Sabem que mais? É o poder das redes sociais, é o mundo em que vivemos atualmente. Com que compactuamos. E esses críticos, os que desdenham, então porque continuam ligados? Então porque continuam a "alimentar a máquina"!? Então por que lhes faz isto confusão?


A Nonô morreu. E sim, muitos outros meninos estão na mesma luta. Penso muito, muito nisso, já pensava antes, durante a sua tentativa de cura. Que há, infelizmente mais Nonôs por aí.. Penso que mesmo na doença há pessoas (e crianças, neste caso) mais apoiadas que outros. Até na doença existem desigualdades...Ou porque têm mais posses, ou porque têm conhecimentos, ou porque por uma ou por outra razão se gera uma onda solidária à sua volta. Mas e então, ela não tem que ser condenada por isso... Qualquer pai faria o máximo pelo seu rebento doente. E os da Leonor não foram diferentes.

 

Sim, a dor dos pais e da família da Nonô não será maior do que dos da Joana, do Afonso, do Pedro, da Inês... mas ela acabou por se tornar um símbolo. E é disso que falo agora. Um símbolo, principalmente da força e da esperança que o lidar com esta doença exige a todos os que a vivem. Era, por outro lado, a imagem espelhada do terror que cada um de nós, pais e mães, tem, que um dia um filho nosso possa ter que passar pelo mesmo. Por isso, agradeço todos os dias a saúde. Que é sem dúvida o principal, o mais importante no meio de tudo o que possamos estar a passar... tudo o resto, de uma forma ou de outra se resolve... a doença crónica, a morte... não.


A Nonô tornou-se "grande" mesmo sendo pequenina, por isso, sim, se há tanta treta a passar e a comentar-se pelo facebook, porque raio é que se insurgem a este simbólico e tão querido movimento? Que raio de motivo para criticarem.... fiquem na vossa...


"Côderosa" era a sua cor. Qual o mal de o expor como forma de a homenagear? Realmente há gente que só olha mesmo para o seu umbigo.


Ah... também li que a vida é que devia ser homenageada, não a morte. Concordo plenamente, é essa a postura da sociedade hipócrita em que vivemos. Mas, por acaso (ou não), não foi este o caso, esta princesa foi acarinhada em vida e um grande exemplo. Muito devido à sua Mãe Vanessa Afonso, que com descrições maravilhosas e tocantes desta história misturada entre medo, esperança e luta, nos foi mostrando quem era esta migalhinha de gente...


Se as redes socias, podem ter algo de positvo, são estas partilhas. Onde aprendemos, nos sensibilizamos e até, a partir das quais ajudamos. Se os posts são efémeros, momentâneos e se esquecem facilmente? Sim... mas acredito que a Nonô, também devido a esta onda de Amor, vai manter-se na nossa memória. E também em honra aos outros meninos e meninas que não foram ou são tão mediatizados...


O meu perfil, mantem-se rosa. Porque acredito que ela sorrirá ao saber que tanta gente triste com a sua morte, consegue (também devido à forma, sentida mas especial que os seus pais viveram a sua doença e vivem agora o seu desaparecimento) pensar nela como uma linda princesa que amava esta cor e queria ser princesa.


Piroso, desnecessário, fútil? Por favor... queria ver se fosso com um filho vosso...


Desnecessário é criticar tudo... principalmente o que é feito de coração... <3


Querida Nonô e família, queridos meninos que passam por esta terrível doença. Este perfil é para vocês. Esta cor é vossa. Para voarem com a alegria, de quem se libertou da dor...<3

A minha "estreia" na pediatria do IPO

 

 Muito cansada física e psicológicamente, que estes dias têm sido a "abrir" e cheios de emoções... mas ainda quero e consigo descrever o que me vai na alma, ao analizar a importância do dia de ontem.


Passar três horas, em "esteia absoluta" na pediatria do IPO a convite da Fundação PT, foi para mim uma honra. Sim honra, porque testemunhar de perto a força destas mães (e alguns pais e até avós) e meninos e tentar levar-lhe um bocadinho de alento, brincadeiras e sorrisos é sem dúvida enobrecedor.

Em cada uma daquelas bravas crianças, imaginava os meus filhos, porque cada vez mais sei que a vida é uma "roleta russa" e que "os outros" podemos ser nós, um dia.

Pouco ou nada entendo das injustiças do nosso Mundo e do seu Deus, mas uma coisa Sei agora. Sei que sou forte o suficiente para este "trabalho". Sei que mais do que tristeza ou angústia (que tanto me acautelaram que ia sentir) senti uma benção. Sei que dar é melhor que receber. 

Porque o que o Universo, nos oferece depois em troca é um misto sentimentos que mistura muito orgulho com a certeza de conseguir mais que nunca relativizar os nossos problemas.
 

 

 

Levámos bolinhos em forma de coração. estrelas e flores, no fundo como simbolo de alegria, amor, esperança...

 

 

 

 

Aqui, a linda Benedita, filha de mais uma mamã linda e forte, a Susana, com quem tive o privilégio de conversar um pouco, encantou-nos com a sua vivacidade, e.. felicidade, mesmo dorida com picas e catéteres ;(. Sim, felicidade. Que essa é feita de Momentos..

 

 

 

Obrigada a ti, Miguel Marques Castilho, que me convidaste a participar nesta ação, aos profissionais simpáticos e valentes do IPO, à PT e ao Kabir, à Helena da Fundação, à Ana da N' Cakes, à Marta Veiga Cake Design e à Ana da Mimos da Quinta que fizeram os bolinhos, o bolão e os cupcakes.

 

 

 

Obrigada especialmente à Energia que senti hoje.

E sim... tenho fé na melhora de Todos!! Que mais?...

 

 

Ah... e até cantámos os parabéns!! 

A quem? A Todos os meninos internados ou em tratamentos no IPO.. sim, porque acreditamos, rezamos e... cantamos em voz alta "Muitos anos de vida" com significado ainda mais cheio de verdade e esperança....

 

 

 

Cansada por antecipação...

 

A pensar na intensidade que vai ser mais uma semana..e já estou exausta... e aqui esparralhada no sofá, para tentar descansar um pouco.. antecipadamente lol.

Pai que continua no Hospital, a recuperar finalmente, mas que exige mimos, visitas, atenções logísticas e sentimentais diárias.

2a feira vou em visita ao Instituto Português de Oncologia para conhecer 30 crianças com cancro, sendo a madrinha de uma ação da Fundação PT.. Vai ser a primeira vez... e vai ter tanto de emotivo como de angustiante.

3a feira, irei ser uma das convidadas do programa VOCE NA TV, da Tvi, juntamente com outras Mommy Bloggers e o Dr. Quintino Aires, que tanto considero e me identifico nas opiniões. Vai ser muito divertido, verdadeiro e... madrugador. Mais cedo do que o normal, tendo em conta que tenho que tratar dos miúdos e levá-los à escolinha.

Ah no meio disto.... grrr.... a minha carrinha pifou hoje.... por isso... stands, garantias, oficinas, seguros... já estão a ver não estão? Eu não... que tenho tantas reuniões e compromissos.. enfim... tudo se faz não é?!! ( positivity is the only way)

Bem, já estou mesmo cansada só de descrever isto tudo.

Os babies já dormem. Eu vou me atirar para a cama também... antes que a Matilde comece o choro da uma ou duas da manhã para beber o biberon...pufttt...

Até amanhã ... Mendinha´s off now . Click.

O Rodrigo partiu e com ele tantos corações se partiram por ele ;(






Até há dois dias, falar do Rodrigo era falar de luta, de inocencia, de emoção. De esperança. Cada vez que pensava nele pensava também numa mãe incansável e corajosa como ele. Cada vez que acompanhava a sua história, sabia que ninguém é imortal, mas que os meninos-criança como ele , têm uma capacidade que os grandes não têm... que é a de se centrar no dia a dia, que é a de viver "o agora", que é a de pedir a Deus, sem no fundo, saber muito bem que o está a fazer. Porque são genuínos, doces e permeáveis às coisas boas, mais do que às más. E talvez por isso, acreditava que o impossível se tornaria possível...

Mas os dias passaram. E a espera também. Mas o otimismo e a energia dos que por eles "torciam" e rezavam, não chegaram. Mas o seu corpinho de criança-ser humano real, feito de carne, orgãos, água e ossos não resistiu à brutalidade de umas células maldosas que, não se entende porquê... começavam a assambarcar esse seu templo. E o Rodrigo acabou de se ir embora.






Foi-se embora, deixando todos boqueabertos, deixando todos admirados, porque acho que todos acreditavam efetivamente num desfecho feliz para este menino e para a sua família. E porque, na sua página, onde íamos acompanhando todos os desenvolvimentos da doença, dos tratamentos e da condição deste agora anjinho... sentiamos, que apesar da dor (física e emocional) efetivamente vivida, existia uma positividade, que também a nós nos dava força.

A história do Rodrigo, acabava quase por ser uma "bandeira", um símbolo para outros meninos que partilham a mesma luta e que não conseguiram ter tanta visibilidade mediática, porque com ela, nós, pais de filhos saudáveis, sentiamos uma obrigação não imposta, mas muito sincera e sentida de agradecer ao Universo, não termos que passar pelo mesmo.

Sim, estas doenças, são uma roletta russa, e manter uma família saudável é sem dúvida o Mais importante... Pode não haver dinheiro, podemos sofrer traumas psicológicos, ter problemas relacionais.. e outros que tais, mas a verdade, e desculpem-me quem nesse género de situação se sente a "morrer", definhar, deprimir...  a verdade, é que de uma forma ou outra, tudo se pode eventualmente resolver. Mas a saúde,  a saúde não. Perto dela, tudo o resto são pormenores. E perto da eventualidade do sofrimento ou morte de um filho... Meu Deus, nem consigo imaginar, como tudo o resto vira supérfulo perto de uma sombra com esse peso esmagador...

Hoje... a luta, a inocencia, a emoção, a esperança transformaram-se em tristeza, sensação de impotência, perante um Universo que injusta e aleatóriamente escolheu esta pureza de menino para roubar aos pais, à vida, ao seu próprio futuro, que não chegou a existir....

Hoje, o otimismo dá lugar à incompreensão e à revolta, dando vontade de perguntar aos Céus, algumas questões tornadas clichet, mas que no fundo o são, simplesmente por fazerem tanto sentido para  todos os seres humanos com bom coração e que para isto não encontram respostas : " Porquê? Porquê tanta gente maldosa, "suja", desonesta, incorrecta a viver anos e anos a fio e crianças puras como o "nosso" Rodrigo, se vão assim num misto tão grande de sofrimento e sensação de tempo de vida interrompida, quase sem ter começado?"..






Sem resposta, com o coração nas mãos, com o pensamento no sofrimento desta mãe-heroína ( e outros pais-heróis, porque sim, não consigo esquecer que os há por aí sem uma história com tanta visibilidade) que "hipotecou" a vida para oferecer ao seu filho, todo o tempo e esperança possível... faço aqui, no meu Barriga Mendinha, a singela e possível homenagem ao Rodrigo e aos outros meninos que passam por doenças crónicas, terminais, dolorosas. 

Faço também uma vénia a quem, ao longo deste processo e devido a este caso, se tornou dador de medula, algo que eu própria ando sempre a dizer que farei "para amanhã"... É que o Amanhã, para nós, na rotina e azáfama da vida, parece fazer todo o sentido, mas no progresso dos minutos contados destes doentes que aguardam uma compatililidade... pode fazer a diferença... E o peso, agora ainda é maior :(

A ti, pequeno Rodrigo, desejo, depois de tanto tempo em sofrimento, um momento Eterno de Paz e brincadeiras das que gostas. A vocês, familiares próximos e principalmente à sua Mãe Cátia, tento entregar a possível (quase impossível) palavra de conforto, que acredito não existir, mas ser de coração enviada.

 A dor de um pai ou mãe que perde um filho deve ser a mais dilacerante da vida. Força para que o dia a dia continue a fazer algum sentido... só isso.Pouco mais há a dizer. Sim, porque o vosso anjinho, estará a olhar por vós no Céu, como vocês, tão incansáveis e valentes, olharam por ele na terra...