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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Põe um sorriso nessa cara ;)

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Não o conhecia pessoalmente, mas conheço muitas pessoas que sim. Não o conhecia mas conheci muitas das suas palavras inspiradoras, através da escrita, entrevistas, palestras.


Uma gota neste mundo que se torna cada dia mais feio, mas onde paralelamente sinto, de coração, que estão a nascer mais almas viradas para a mudança, para a consciência. Pouco a pouco, seres especiais aparecem aqui e ali.


Manuel Forjaz era assim. Pediu-nos sorrisos. Cá está o meu. Ele merece. E eu também. E vocês, que me leêm.


Quantas vezes não é facil, mas ser fácil não é necessariamente bom e o que é conquistado tem sempre um melhor sabor.


Sorrio, porque vivo e cada dia pode ser um recomeço. Sorrio porque a memória é o nosso património e através dela todos podemos fazer a diferença. Como o Manuel.


Beijinhos e sorrisos daqui. Até aí <3


‪#‎poeumsorrisonessacara‬

A minha "estreia" na pediatria do IPO

 

 Muito cansada física e psicológicamente, que estes dias têm sido a "abrir" e cheios de emoções... mas ainda quero e consigo descrever o que me vai na alma, ao analizar a importância do dia de ontem.


Passar três horas, em "esteia absoluta" na pediatria do IPO a convite da Fundação PT, foi para mim uma honra. Sim honra, porque testemunhar de perto a força destas mães (e alguns pais e até avós) e meninos e tentar levar-lhe um bocadinho de alento, brincadeiras e sorrisos é sem dúvida enobrecedor.

Em cada uma daquelas bravas crianças, imaginava os meus filhos, porque cada vez mais sei que a vida é uma "roleta russa" e que "os outros" podemos ser nós, um dia.

Pouco ou nada entendo das injustiças do nosso Mundo e do seu Deus, mas uma coisa Sei agora. Sei que sou forte o suficiente para este "trabalho". Sei que mais do que tristeza ou angústia (que tanto me acautelaram que ia sentir) senti uma benção. Sei que dar é melhor que receber. 

Porque o que o Universo, nos oferece depois em troca é um misto sentimentos que mistura muito orgulho com a certeza de conseguir mais que nunca relativizar os nossos problemas.
 

 

 

Levámos bolinhos em forma de coração. estrelas e flores, no fundo como simbolo de alegria, amor, esperança...

 

 

 

 

Aqui, a linda Benedita, filha de mais uma mamã linda e forte, a Susana, com quem tive o privilégio de conversar um pouco, encantou-nos com a sua vivacidade, e.. felicidade, mesmo dorida com picas e catéteres ;(. Sim, felicidade. Que essa é feita de Momentos..

 

 

 

Obrigada a ti, Miguel Marques Castilho, que me convidaste a participar nesta ação, aos profissionais simpáticos e valentes do IPO, à PT e ao Kabir, à Helena da Fundação, à Ana da N' Cakes, à Marta Veiga Cake Design e à Ana da Mimos da Quinta que fizeram os bolinhos, o bolão e os cupcakes.

 

 

 

Obrigada especialmente à Energia que senti hoje.

E sim... tenho fé na melhora de Todos!! Que mais?...

 

 

Ah... e até cantámos os parabéns!! 

A quem? A Todos os meninos internados ou em tratamentos no IPO.. sim, porque acreditamos, rezamos e... cantamos em voz alta "Muitos anos de vida" com significado ainda mais cheio de verdade e esperança....

 

 

 

A Cura também é feita pela energia positiva. E sim... vocês também ajudaram!

 

 

 

 

Quem me acompanha não só pelo blog mas também pelos facebook quer Pessoal quer da Barriga Mendinha, sabe que tenho andado com o coração nas mãos com o meu pai internado no Hospital. Foi uma entrada de urgência, com uma septicémia muito grave em que me disseram..."prepare-se para o pior". Depois uma cirurgia em que perdeu tanto sangue que parecia impossível repor... seguiram-se dias dolorosos nos cuidados intensivos e agora... pouco a pouco, quase miraculosamente... já estamos em fase calminha de recuperação e fora de perigo.

 

Não dei muitos detalhes, até porque de chatices e pormenores sórdidos já está o mundo cheio, mas não deixei de partilhar um ou outro desabafo, uma ou outra foto do hospital, tendo em conta que esta minha comunidade virtual me vai acompanhando mais ou menos em tudo e é muito difícil esconder com posts mais ou menos "chapa 5", a tristeza e preocupação que me iam cá dentro do peito...

 

Muitos criticam o Fb e as redes sociais por aparentemente se moverem por amigos virtuais e que em nada acrescentam à tua "vida real", a não ser um afagar de ego e uma tentativa de esconder algumas solidões. Eu concordo, obviamente em alguns pontos e dependendo da forma de utilização e das motivações que se têm para estar on line, acredito que muitas vezes tudo não passa de "bluff". Mas nem sempre.

 

Quantas vezes, fico triste com uns likes (ou dislikes) postos ao acaso de pessoas que sabes que se estão a borrifar para ti, quantas vezes, alguns comentários despropositados me entristecem e me fazem ver uma sociedade dura, egoísta, preconceituosa, de gente que cara a cara não consegue "vomitar" o que descarrega na net... Mas a verdade é que aqui, com a doença do meu pai senti conforto... E por isso vos agradeço.

 

Deixem-me explicar-vos.

 

 

 

Eu sei que vivemos todos a mil e alguns de nós temos até relações mais virtuais do que reais (se querem que vos diga isso não me incomoda tanto assim, porque os meus amigos "olho no olho" continuam a existir, a telefonar, a jantar e a passear comigo... o resto é um simpático aproximar de pessoas com empatia e até de gente com a qual não contactariamos de outra forma), mas também sei que as "futilidades", polémicas, humor, imagens chocantes... são o que mais suscita comentários, Likes e afins. Por isso, me senti tão bem ao perceber a quantidade de gente amiga, conhecida, seguidora, fã, amiga de amigo... que tirou o seu minuto para escrever, desejar as melhoras, deixar-nos uma palavra de força.

 

Acreditem que eu, que "sou toda das Energias", acho que isso "nos" ajudou. Ok, ok???!!! Energia através do computador!?? Qual quê! Energia positiva das pessoas. Sim, todos têm uma vida a mil, todos se preocupam com o seu "umbigo"... mas se num segundo que seja, as 300, 400, 500 pessoas que puseram um "gosto" no meu curto texto que falava da recuperação do meu pai, que quase nos deixou... e de repente começou a recuperar, sim se  nem que tenha sido por um segundo, todas elas emanaram a Energia que precisava para me sentir confiante, isso ajudou sim!

 

É bom saber, que mesmo sem o conhecerem, se aperceberam, deste tão especial Amor que lhe tenho e... "Likaram", e me ofereçam palavras de conforto e lhe mandaram beijinhos e abraços... e eu, que, como vivo muito na rede, nem sempre consigo comentar tudo o que se passa ou dirigir-me a todos os que me abordam de uma ou de outra forma... aqui, nesta situação, não vi como se esquivar a agradecer-vos a Todos sem exepção.

 

Também para mim o tempo é curto, também faço um scroll rotineiro e rápido na cronologia dos meus amigos virtuais e sem dúvida que só paro para escrever algo, quando essa pessoa me diz mesmo algo ou o tema me toca particularmente. As horas urgem, a sociedade vive a correr, a preocupação com os outros é escassa, porque todos andam "na luta"...

 

 

Mas o agradecimento é o melhor tempo que se pode "perder". Porque não se perde. Ganha-se. Em gratidão, em sorrisos, em simpatia, em verdade, em amigos, em reconhecimento. E ganha-se um pedacinho mais do Mundo.

 

Só que passa "por elas", por um susto assim sabe do que estive e estou ainda a sentir. Tudo parece ficar para segundo plano. Muitas vezes, um desfecho infeliz é inevitável e temos que nos preparar para ele, é a lei da vida... mas a verdade é que quando a ciência, a força, a vontade de viver...e... a Energia Positiva se conjugam... há que agradecer a todas essas condicionantes e ao Universo.

 

Sim, porque acredito agora  (depois de uma semana e meia de tensão e aflição) que o Avô Mário ainda vai andar aí um bom tempo a curtir os seus netinhos, a "azucrinar" a minha cabeça e a da minha mana... a ter ideias estapafúrdias... e a "pegar a vida pelos cornos" lol... Esta analogia veio-me agora à mente... porque ouvi várias vezes os médicos dizerem: "Este homem é um touro" ... sim, tudo o que o podia ter levado de nós, foi até agora ultrapassado.

 

Agora, cá estamos. Eu que já "tinha pouco que fazer"... agora tenho mais esta preocupação. Ele ainda está no hospital onde o visito diáriamente e terei, quando ele sair (não sei se numa semana se num mês) de tratar de todas as deligências para que se sinta digno e confortável na sua recuperação.

 

Mas sabem que mais? É nestas alturas que percebemos na realidade o que significa "Amor incondicional"... É isto. Mesmo que seja difícil, mesmo que me leve horas a outras coisas, mesmo que me aborreçam algumas rotinas do dia-a-dia que irei passar a ter, mesmo que o sistema de saúde (ai o sistema....) me dificulte a vida, onde devia facilitar... mesmo assim: Ainda bem que o meu pai está cá para isso tudo. E a verdade é que, se já gostava muito da sua companhia, agora irei com certeza, depois deste susto, dar muito mais valor a cada pedacinho passado com ele.

 

Sabe o que adoro? Vê-lo a brincar com os meus filhos! E é nessa imagem que me centro quando penso nas suas melhoras.

 

Todos os meninos e meninas deviam ter avós presentes, brincalhões, amigos e atentos. E os meus.... vão continuar a ter! Obrigada avô e Pai Mário pela tua luta pela vida, apesar de sabermos que a dita vida não ter sido muito simpática para ti nos últimos tempos... Mas tudo muda. E para que isso aconteça... precisamos do quê? O.p.o.r.t.u.n.i.d.a.d.e....Só isso... E eis que ela está aqui!!

 

Obrigada a todos.

Obrigada ao Universo. A Deus.

Obrigada a todos os profissionais que o ajudaram tanto no Hospital de São José, como no Curry Cabral, onde ainda está.

Obrigada à família próxima (principamente ao meu Hugo, à minha irmã, aos primos Francisco - e sua Sofia- e Marilú e e ao meu padrinho Luís) e...

Obrigada ao bater do coração ( o meu que aqueceu ainda mais com esta intensidade de sentimentos... e ao dele... que continua a bombar como se quer!!)

OBRIGADA...

 

O Rodrigo partiu e com ele tantos corações se partiram por ele ;(






Até há dois dias, falar do Rodrigo era falar de luta, de inocencia, de emoção. De esperança. Cada vez que pensava nele pensava também numa mãe incansável e corajosa como ele. Cada vez que acompanhava a sua história, sabia que ninguém é imortal, mas que os meninos-criança como ele , têm uma capacidade que os grandes não têm... que é a de se centrar no dia a dia, que é a de viver "o agora", que é a de pedir a Deus, sem no fundo, saber muito bem que o está a fazer. Porque são genuínos, doces e permeáveis às coisas boas, mais do que às más. E talvez por isso, acreditava que o impossível se tornaria possível...

Mas os dias passaram. E a espera também. Mas o otimismo e a energia dos que por eles "torciam" e rezavam, não chegaram. Mas o seu corpinho de criança-ser humano real, feito de carne, orgãos, água e ossos não resistiu à brutalidade de umas células maldosas que, não se entende porquê... começavam a assambarcar esse seu templo. E o Rodrigo acabou de se ir embora.






Foi-se embora, deixando todos boqueabertos, deixando todos admirados, porque acho que todos acreditavam efetivamente num desfecho feliz para este menino e para a sua família. E porque, na sua página, onde íamos acompanhando todos os desenvolvimentos da doença, dos tratamentos e da condição deste agora anjinho... sentiamos, que apesar da dor (física e emocional) efetivamente vivida, existia uma positividade, que também a nós nos dava força.

A história do Rodrigo, acabava quase por ser uma "bandeira", um símbolo para outros meninos que partilham a mesma luta e que não conseguiram ter tanta visibilidade mediática, porque com ela, nós, pais de filhos saudáveis, sentiamos uma obrigação não imposta, mas muito sincera e sentida de agradecer ao Universo, não termos que passar pelo mesmo.

Sim, estas doenças, são uma roletta russa, e manter uma família saudável é sem dúvida o Mais importante... Pode não haver dinheiro, podemos sofrer traumas psicológicos, ter problemas relacionais.. e outros que tais, mas a verdade, e desculpem-me quem nesse género de situação se sente a "morrer", definhar, deprimir...  a verdade, é que de uma forma ou outra, tudo se pode eventualmente resolver. Mas a saúde,  a saúde não. Perto dela, tudo o resto são pormenores. E perto da eventualidade do sofrimento ou morte de um filho... Meu Deus, nem consigo imaginar, como tudo o resto vira supérfulo perto de uma sombra com esse peso esmagador...

Hoje... a luta, a inocencia, a emoção, a esperança transformaram-se em tristeza, sensação de impotência, perante um Universo que injusta e aleatóriamente escolheu esta pureza de menino para roubar aos pais, à vida, ao seu próprio futuro, que não chegou a existir....

Hoje, o otimismo dá lugar à incompreensão e à revolta, dando vontade de perguntar aos Céus, algumas questões tornadas clichet, mas que no fundo o são, simplesmente por fazerem tanto sentido para  todos os seres humanos com bom coração e que para isto não encontram respostas : " Porquê? Porquê tanta gente maldosa, "suja", desonesta, incorrecta a viver anos e anos a fio e crianças puras como o "nosso" Rodrigo, se vão assim num misto tão grande de sofrimento e sensação de tempo de vida interrompida, quase sem ter começado?"..






Sem resposta, com o coração nas mãos, com o pensamento no sofrimento desta mãe-heroína ( e outros pais-heróis, porque sim, não consigo esquecer que os há por aí sem uma história com tanta visibilidade) que "hipotecou" a vida para oferecer ao seu filho, todo o tempo e esperança possível... faço aqui, no meu Barriga Mendinha, a singela e possível homenagem ao Rodrigo e aos outros meninos que passam por doenças crónicas, terminais, dolorosas. 

Faço também uma vénia a quem, ao longo deste processo e devido a este caso, se tornou dador de medula, algo que eu própria ando sempre a dizer que farei "para amanhã"... É que o Amanhã, para nós, na rotina e azáfama da vida, parece fazer todo o sentido, mas no progresso dos minutos contados destes doentes que aguardam uma compatililidade... pode fazer a diferença... E o peso, agora ainda é maior :(

A ti, pequeno Rodrigo, desejo, depois de tanto tempo em sofrimento, um momento Eterno de Paz e brincadeiras das que gostas. A vocês, familiares próximos e principalmente à sua Mãe Cátia, tento entregar a possível (quase impossível) palavra de conforto, que acredito não existir, mas ser de coração enviada.

 A dor de um pai ou mãe que perde um filho deve ser a mais dilacerante da vida. Força para que o dia a dia continue a fazer algum sentido... só isso.Pouco mais há a dizer. Sim, porque o vosso anjinho, estará a olhar por vós no Céu, como vocês, tão incansáveis e valentes, olharam por ele na terra...