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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O cérebro do coração






Ainda não percebi muito bem se o coração tem cérebro. Será que o sangue o bombeia tendo por única razão a rotina imparável dos batimentos cardiacos ou será que os litros o afagam à sua passagem só porque acham que lhe sabe bem?


Sempre o vi afastado da razão e perto do sentimento mas ultimamente uma ideia insistente tem alterado a minha forma de o olhar. Lá dentro, bem no fundo, esta máquina destemida não me parece ter só sentir, nem só medo, nem só amor, nem só adrenalina ou ritmo. Lá dentro, bem no fundo, o coração anda desatinado pelo pensamento, o que me parece cada vez mais incoerente, já que pensamento vem da cabeça e não surge do tórax.


O Coração, esse que sempre acreditei ser o mais puro dos órgãos, mesmo quando poluído pela insensatez ou pela frieza, parece-me, cada vez, uma peça do puzzle. Que pena. Eu, que o julgava único e implacavelmente auto-suficiente.


Acho que ele se torna, com os anos e os dias e as horas a passarem por ele, um chico-esperto. Ele sabe o que lhe convém e foge do que o magoa e lhe causa arritmia. Sim, eu acho que ele tem cérebro. Um cérebro pequenino que o faz saber o que quer, mesmo que essa certeza não seja a sua melhor conselheira.

De volta à estrada... Com o coração na boca e o mix nas mãos ;)







Voltar a estrada é assim.... Emocionante. No fundo... é a minha área. Por isso é um "back to bussiness"

 Mas também um misto de pica profissional e remorso familiar.

Uma espécie de realização por ter o meu público de braços no ar mas também o coração pequenino por ter que deixar os meus pirralhos, o espaço de uma tarde (viagem), uma noite (da atuação), uma manhã (porque tenho obviamente que dormir) e outra tarde de novo (a  viagem de volta). Isto quando não é um fim de semana!!...

O que era tão "chapa 5" antes, tão natural na minha vida., tão bem encaixado na minha rotina de anos de carreira de dj e artista (porque mesmo antes, em reportagem, sempre viajei imenso)...agora... deixa-me o coração pequenino e numa ambiguidade tremenda.




Adoro tocar, adoro a sensação de por as pessoas a dançar, gosto do risco do "live", do aprumo técnico, da leitura da casa onde estou, do público. Gosto de conhecer pessoas novas, que me apreciam, com quem troco experiências e ideias. Gosto de música e de oferecer sons diferentes do que as pessoas estão habituadas. Gosto até de "papar" quilómetros umas vezes a conduzir, outras no conforto de uma comboio, quando estou mais cansada. Mas agora que tenho as minhas crias longe de mim quando viajo em trabalho.. ai meu Deus... sinto-me incompleta e... sempre preocupada.

Juro que tento afastar essa onda de mamã galinha mas é tão dificil. Ainda esta 5a feira quando me preparava , no hotel para a minha atuação da noite, apercebi-me que já não o fazia com o mesmo entusiasmo de antes.  (ainda por cima a Matita estava com febre ;( )

É que esse, sempre foi um momento fútil e agradável de mulher que apreciei.. LOL: Maquilhar-me, pôr a roupinha pipi, olhar e "reolhar" para o espelho, sentir-me a preparar-me para ser a "rainha da noite" ehehhe. Ah.. e usufruir do Hotel (normalmente são giros) num momento só meu. Sempre usei e abusei desses momentos anteriores ao Gig da noite.

Mas esta semana... senti-me diferente. Já aquando do meu " recomeço de estrada" depois de ter o Afonso me senti um pouco assim, mas agora, no 2º round, acho que é diferente, mais intenso ainda... ai... vida, porque tens que ser sempre feita de escolhas???

Ah.... além de que, vocês nem imaginam o que é deitar-me as 7 da manhã.... e 24 horas depois estar na rotina habitual de Mamã que acorda as 7 ou 8 da matina ... Ui, e os 30´s também não ajudam. Demoro muito mais a recuperar.




E agora.... como raio vou eu fazer o trabalhinho de Verão, que está aí à porta? ( sim porque os trabalhos em Lisboa são muito mais raros, as tornées são o pão nosso de cada dia, já que cada terrinha do país tem uma festa no Verão e cada vez há mais bares e discotecas... mesmo em momento de crise..)...Bem, como o vou fazer?... Com o coração na boca e a mesa de mistura nas mãos,,, certo? Lá terá que ser.

Há coisas piores... ( olha eu a convencer-me). Ao menos tenho trabalho, adoro fazê-lo e sei que os meus bebés estão bem acompanhados na minha ausência...

Beijinho e... já agora... oiçam muita música!!! Essa sim, é o antídoto para tudo! ( Sim, porque acreditem que as 3 horas que estou na cabine no meio do meu gig, só ela é o meu foco e me serve alegria...)


O dia D : A Matita foi para a creche ! OMG!...



Prometi que escreveria sobre o dia... e apesar do cansaço extremo vou cumprir o combinado, até pela importancia do tema, que não quero deixar passar em branco todas estas emoções.

Comecei esta 3a feira com o seguinte post no FB da Barriga:






... Acho que para tentar convencer-me a mim mesma  que tudo acontece na altura certa e porque assim o tem que ser. Nada de dramas, era por aí...


E o porquê  de tudo isto?


Porque hoje foi "O dia Temido". Por mim. E pela Matilde.. Que mesmo sem saber o que temia, parece que pressentia, já que as suas horas de sono matinais que costumam ser tão tranquilas foram hoje cheias de "dorme-acorda tumultuados".


Hoje... acordei mais bem mais cedo, tomei o banho possível (como estava já sozinha em casa com os miúdos, tive que sair toda a pingar 2 vezes do banho porque a Matita chorava que nem uma torneira estragada) e depois.. comecei a arranjar um de cada vez...


Hum!?? O quê? Sim. Um de cada vez. Porque a Matilde, a minha Estrela, foi hoje fazer a primera experiência na creche " Rei Bebé", onde o mano Afonso anda há já um aninho.


Evitei mas teve que ser. E teve que ser agora.

 Tenho andado exausta demais e a deixar muitas tarefas para trás ( não se esqueçam que não tendo "patrões" fixos, ou eu vou atrás do trabalho.. ou ele não se deixa a dormir à sombra à espera de mim. Telefonemas, reuniões com patrocínios, agentes, colegas, horas colada ao computador a escrever e a trabalhar música e textos...imaginem isto sempre desde a primeira semana depois de ter sido Mãe e com o meu amor bebé sempre colado a mim...). 

Pensei e repensei e não tendo gente próxima ( avós, tias, madrinhas..) que possam dedicar os seus dias da semana para me dar apoio, percebi já há algum tempo que se estava a tornar incomportável andar sempre a mil... e de ovinho ou marsúpio às costas. Giro... mas extenuante.Valham-me as vitaminas!!


Sabem, que, apesar de ser legítima esta opção, acho que esta é das decisões mais importantes, angustiantes e custosas que uma Mãe tem que fazer na primeira fase da vida dos seus filhos.


Agora percebo toda aquela "pseudo-chachada" da Mãe que chora mais que a criança, no primeiro dia de escola.. porque é mesmo complicado, para nós, seres protetores, deixarmos "assim" a nossa cria longe de nós. " Atirada" ao mundo... E por mais que saibamos que eles são bem tratados... o nosso coração fica tão pequeninooooo.


Bem, mas antes dessa parte emotiva, veio a parte logistica toda .. e aiiii Meu Deus... só espero mesmo que euzinha, comece a agilizar mais daqui para a frente... porque, acreditem ou não, demorei literalmente 2 horas !!! Desde que me levantei até que saí de casa com eles...


E " ca granda" confusão.. ufff.. comecei a manhã já a morrer de cansaço, digo-vos eu. Ainda por cima tudo aconteceu, neste dia emblemático LOL....






Ora vejam só: O Afonso decidiu fazer xixi nas calças depois de estar vestido e ainda queria "polo" enquanto eu descia as escadas com o coco num lado e o sacalhão das coisinhas da Matilde do outro. Ela, pões-se a bolsar, quando já estava no coquinho, eu não tinha papa suficiente para levar para a creche. E para finalizar, quando cheguei ao carro, depois do esforço todo, depois de os ter aos dois cada um na sua cadeirinha ( Yeeeee!!! Granda Mãe!! ) tinha-me esquecido da carteira em casa....


Como acabou tudo por correr tudo isto? Bem, mas emotivo. Para mim e para ela, que ficou a chorar quando a deixei.


O Mano, esse estava todo promovido, porque " a minha mana vai para a minha Escoua" e mais : " eu sou gânde e eua vai para a sala dos bebés" ;)... Tá visto que a meio do dia depois da sesta conseguir ir dar-lhe um beijinho e " acalmá-la" de mais um ataque de choro.. e isso, sim, eu acho muito giro. A ligação deles e a sensação de proteção e responsabilidade que esta entrada da irmãzinha na escola do Afonso Luz, está a fazer-se sentir nele.


Resumindo, a minha princesa ficou hoje 4 horas e meia, no " Rei Bebé", o chamado " meio tempo" ou " meio termo"... Acaba por ser uma forma de adaptação tanto da bebé, como da Mamã enquanto volta e reconquista a sua volta à vida normal.

Sim, é difícil este " desmame" este " descolar". Há meses que não nos separamos fisicamente  deste ser, que esteve inclusivé dentro de nós... e um dia... capummmmm, parece que uma bomba nos separou e fica cada um do seu lado.... ai que dorzinha no peito de saudades. e foram só umas horas.

Sim, porque hoje tive compromissos até quase as 23h e foi o pai Gú que foi buscar ambos à escola e ficou com eles até eu chegar, o que ainda aumentou mais esta sensação de afastamento...

Bem, agora já estou com ela. Com eles. Adormeceram os dois na minha cama. Na " cama grânde"... cada um enroscado do seu lado. Enquanto os mimava ( e a Matilde se contorcia embirrenta e o Afonso dizia " Pára Manaaaaa! ), eu, no meio disto tudo... senti-me a pessoa mais sortuda do mundo!

Activa, com trabalho, com projetos profissionais e sonhos por concretizar e a lutar por eles , rodeada de Amor na minha vida e da energia maravilhosa destas crianças lindas e saudáveis que o Destino me ofereceu. E isso é O Importante. O resto são pormenores que se vão gerindo...

Feliz também, por ter conseguido dar este importante passo,  fazendo um esforço tremendo para não me culpabilizar (as que já passaram por este processo sabem do que eu falo)- e deixar a minha bebézinha de já 5 meses na escolinha, que entretanto, felizmente, já se tornou tão familiar para mim e para o meu Piripiri Afonso, que, no fundo sinto uma confiança tremenda em deixar a minha Malagueta Matita com as educadoras de lá. Foi o que me valeu em todo este processo de decisão.


Ela choramingou. Eu no carro também, mal cheguei lá abaixo. Ainda agora, ao escrever este texto, deixei cair uma lágrima ou outra.

É que ser Mãe e Mulher Profissional, que enfrenta a vida de frente, tem tanto que se lhe diga minhas amigas... Ás vezes gostava de poder ter o efetivo poder de escolha para ficar só em casa com eles e dedicar-me exclusivamente à sua educação.. mas não existindo essa hipótese de todo... para mim há sempre o " Rei Bebé" e para vocês, que me lêem haverão outras profissionais da infância que, por umas horas farão esse papel. E como é assim que tem que ser... que seja sem muito sofrimento, não é?

A ideia, para já, será dosear a "coisa", uns dias vai, outros não e, acho que apesar de ser uma charada de horários ( O hugo trabalha no Hospital por turnos imaginem..), felizmente conseguirei, gerir, juntamente com o pai da pirralha, os horários, para a apanharmos  mais cedo na escola. Quem lucra com isto é o Afonso, que assim também virá mais cedo para casa... Enfim.. tira-se de um lado.. oferece-se ao outro.

No fundo a vida é deita de decisões, de cedências, de adaptações e de escolhas..

E assim começa a " socialização" da minha filha. Com tudo o que isso acarreta de bom. E de mau...

Ai ai...

Wish us luck! Cá vamos nós Vida...







 www.reibebe.com

Arranjar o coração






Ontem o Afonso Luz pegou nas suas ferramentas de cartão, enfiou-as dentro da minha camisola e começou a fazer " movimentos de trabalho"...

Perguntei eu:

" Filhote, o que estás a fazer?"

Ele :

" Estou a  alanjáre o coiação da Mãe..."

Fiquei derretida, mas logo a seguir o derretido deu lugar a melaço.... porque ele esperou uns segundos e depois de sentir que tinha terminado a tarefa, perguntou-me ainda:

" Agoia estás Fuíz? "...

Como poderia não estar ??....