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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

E se ...!?








Esta foto foi tirada há mais ou menos um ano e 4 meses, não me esqueço da data - 12 Setembro - porque foi nesta noite, com este " cenário" e a fazer um set meio revivalista... que eu e o Hugo nos vimos pela primeira vez (sim... ele também... Jura-me que, distraído como é... todos os amigos sabiam que eu era " A" Rita Mendes e que ele nunca me tinha visto mais gorda LOL. Até hoje, não percebi se era género ou mesmo verdade... ).

Hoje, viemos ( "de" Matilde e tudo ) dormir à mesma casa onde a festa dessa noite de Setembro aconteceu, a casa de um dos seus melhores amigos, o Guilherme -cujo Pai, que todos conhecem, mas que agora não é para aqui chamado, costuma fazer grandes e badaladas festas ... ). 

Há pouco, acordámos numa cama grande do casarão , com a nossa Matita ao lado... E depois daquele silêncio maravilhoso da ronha da manhã e enroscados num abraço, eu sussurei : "Olha se eu tivesse decidido não vir tocar a essa festa?" -é que, por outra série de razões que também não são para aqui chamadas... estive mesmo para não vir à ultima...-.

Olhámos para a nossa Estrelinha... Ficámos de novo em silêncio... E o nosso abraço ficou ainda mais apertado...♥

( existe afinal Destino ?)

Quase fiz Curto Circuito.. no " Curto Circuito"





Que o mundo dá muitas voltas.. já todos sabemos e é um dos grandes clichés da vida... mas é sempre giro, quando num ou noutro momento da TUA vida, deixas a tua cabeça entrar numa nostálgica espiral .

Hoje é um destes dias. Voltei aos estúdios da SIC RADICAL para ser entrevistada por um dos meninos sobre... imaginem... Maternidade ( e o nosso blog )...

O espanto sobre o tema não é nenhum para quem tem acompanhado esta mais recente fase da minha vida, esta “versão revisitada” de mim mesma.. 

Para mim, no entanto, se “me estacionar” na garagem certa... também não, que é Aí que está o meu centro... mas, se por uns segundos, me enganar e entrar numa garagem da rua mais abaixo correrei o risco de me deixar levar por uma máquina do tempo... 

O meu carro era um Fiat Panda, corria o ano de 99, vivia ainda com os meus pais - que ainda estavam casados - saltitava de namorado em namorado e nem me importava sequer com isso, conheci alguns dos meus grandes amigos, comecei à sair à noite de uma nova forma... como " Vip" - e uiiii... ser " Vip " na altura era mesmo à séria - ... e era considerada " a menina revelação da televisão portuguesa", depois de ter feito um " Portugal Radical", o programa jovem mais emblemático da altura ... 

Curtia bem, da forma inocente, intensa e cheia de sonhos e perspetivas que só uma miúda de 21 anos pode curtir. Aproveitado cada cantinho daquele estúdio ( era outro, no início nas zonas da Expo ), saboreando a descoberta da palavra - frequentava o curso de Jornalismo da ESCS - , usufruindo do estatuto de ícone dos jovens da minha geração..

Imaginava o meu futuro. Seria brilhante. E ... fácil, achava eu ... Porque achava que assim o merecia. Sucesso, realização profissional e pessoal. Sem dúvida. No fundo... acho que ainda acreditava na justiça...

Encontraria o princípe encantado rápido, rápido. E seria mãe muito cedo também. Tal como a minha mãe o foi, lá para os 22, 23, achava eu... Mas sê-lo-ia... " à comédia romântica", não " à dramalhão inglês"... 

Seria TUDO fácil e muito cool, o meu marido lindo e blasé e ajudavar-me-ia sempre com "aquele" sorriso na cara e boa vojntade na alma...

Eu teria uma vida endinheirada e um apartamento na cidade maravilhoso e minimalista, clean, de design eco-chic ( loll.. impossível... com filhos a passarenhar por lá, mas nem isso eu sabia na altura ) e.. claro, uma moradia na praia onde eu , os meus filhos e o meu marido fariamos surf e beberiamos sumos naturais o dia inteiro, sempre sorrindo como num catálogo da La Redoute..

Bem... passaram 14 anos! 14 anos Meu Deus ! E não... não vou fazer agora a minha biografia pessoal ou profissional, que este texto ficaria gigante e chorão... mas o que interessa reter, é que , entre muitos altos e baixos... nada aconteceu como eu esperava, nem a vida de casal ou maternal é de todo como eu imaginava nesses tempos de encantamento pela vida.

Voltemos a Estúdio.. isso sim.. Falo-ei agora nesta crónica. É e acho que sempre será lá, O “ meu lugar”. Aí sinto-me como peixe na água, mesmo que passe meses ou anos sem pisar um ou sentir o calor dos projetores.

 Foi " ali", num daqueles plauteus que nasci efetivamente para a Comunicação. Que aprendi que gosto de dar de mim ao outros. Em forma de palavra, de energia, de sorriso. Que tudo isso me faz a mim, ser  mais Feliz.. mesmo quando estou triste. ( quantas vezes, devido a problemas pessoais que foram surgindo, aquelas 3 horas de direto eram o meu antídoto...),

Hoje... sinto-me estranha, confesso.

 Feliz pelo estranho retorno às Origens e, por apesar de tudo, estes 14 anos terem passado por mim, deixando algumas nódoas, mas não estragando definitivamente o tecido.

 Nostálgica, por outro lado... porque nunca queria ter saído de lá. ( Não se leia no "lá", " curto circuito" atenção! Se lá me tivesse mantido, eu já seria a tiazorra armada em jovenzinha e já na altura, quando saí a aprendizagem tinha terminado para mim... refiro-me sim,  à Tv, às entrevistas, à escrita de peças, à adrenalina dos diretos, ao namoro com as camâras...)

Hoje... um dos temas da mini "flash intervew" foi a minha volta à televisão, não como "A" apresentadora de prime-time, que um dia pensei que podia ser ( eacredito que podia ter sido... porque paixões assim na vida fazem-nos ser os melhores )... mas não menos feliz, acreditem ( é fantástico descobrir em mim este crescimento, que ao longo dos anos, me fez sofrer cada dia um bocadinho menos, quando pensava no percurso não prosseguido e abria sozinha outros caminhos... ). Porque aprendi que as pequenas vitórias podem ser grandes, principalmente nos dias que correm... e é mesmo bom regressar :)

Integrarei a partir do próximo mês o " elenco" do Programa da Sic Radical " Dance TV"...

Faz todo o sentido, nesta altura do ( meu ) campeonato abraçar ambas as minhas carreiras : a de apresentadora / reporter e a de DJ e amante de dance music e dance scene  ( é que o sou mesmo... não " entrei na moda", eu "criei a moda" lol). 

E a vocês, que me acompanham por aqui irei contando mais pormenores pelo caminho.-.. ( até porque este retorno às lides, influênciará a minha vida e decisões como Mãe - aiiiii... como custa deixar os nossos bebés para ir trabalhar...)

Outra coisa que me " chocalhou" foi definitivamente... ir falar de Maternidade, já vos disse. 

Maternidade, a definição da Plenitude da Mulher. E eu, já o sou duplamente. E.. tanta " água passou de baixo da ponte"... Um dia que contar " A História " toda, todinha perceberão que estes 14 anos, tanto parecem que começaram ontem.. como equivalem a vivências de quase o dobro do tempo... Ui que canseira... 

Bem, isto hoje está a ficar um bocado "pró" ambiguo. Por isso e para não me alongar em mais considerações, deixo-vos com algumas fotos giras de hoje. Acho que no fundo... ainda me sinto em família, apesar de uns " primos" mais recentes e novinhos ...

Ora vejam só :




 À Saida de Casa, ainda sem maquilhagem mas já com a camisola e a bijouteria da " Tendencias Store" ( o Hugo e a bebé Matilde acompanham-me porque ainda a amamento..)







A Make Up na sala de maquilhagem e cabelos - que nunca faço porque estes caracóis já nasceram assim e assim eu gosto deles ... -








WHAT !??  Fechei os olhos por um minuto... e quando os abro... é o Jel dos" Homens da Luta" que me está a maquilhar .... Medoooooo










No meu camarim... encontrei estes dois ( o Hugo e o Vasco Duarte, ou Falancio para os amigos lol)  a tomar conta da pequena Matilde Estrela - que dormia o sono dos justos -....






A Domingas... ou antes, a Tia de todos nós... a mais querida senhora das limpezas de todas as estações de televisão ;)






João Paulo Sousa e Maria Botelho Moniz, os atuais apresentadores do programa, em ação!








Encontrei nos bastidores e prestes a entrar o cantor João Pedro Pais e a Maria Sotto Mayior do Hard Rock Caffè, ambos a propósito da Battle de bandas que está a decorrer no espaço ;) Já não o via há um montão de tempo... Bom reencontro!









                               A entrevista ao vivo e a cores !  ( literalmente lol )














A minha quadra Natalícia foi passada... no hospital com a Matilde (das) Estrela(s) :(

Está quase a passar uma semana que a Matilde Estrela saiu do hospital. Uma bronquelite que evoluiu para pneumonia (que lhe infectou o pulmão direito e felizmente não passou ao outro) e que me/nos fez passar dos maiores sustos... e o Natal perto da minha menina internada na urgência.

Apesar de ter acesso à  net e por isso, continuar a "alimentar" o FB e o blogue da Barriga, a verdade é que andei em rodeios e rodeios para que não se soubesse na altura onde e como estava, senão, a imprensa estaria em cima, divulgaria a notícia e, quem sabe, até apareceria por lá... Evitei-o e ainda bem. Viver um risco de vida com um filho bebé já é suficientemente assustador para ter que dar mais justificações a não ser aos nossos próximos.

A Matilde pegou uma constipação do mano mais velho, que a pegou na escola e que nos pegou a todos. O normal, não fosse a Matita tão "tenrinha" e a coisa viral tivesse piorado.

Duas passagens pelas urgências depois - aspiraram-na, observaram-na e mandaram-na para casa -, na tarde de 24 de Dezembro, a caminho de casa dos meus sogros, decidimos passar lá só "para ficar descansados"... Não saímos  durante uma semana :( Acabei por ter que orientar a vida para ficar por lá a acompanhá-la sempre enquanto aquele bebé tão mínimo era espetado com catéteres e agulhas, aspirado com tubos até ao estômagozinho e ficava medicado e ligado a varias máquinas que o monitorizavam...

Tive tempo para pensar muito, no meio das poucas horas de sono e do medo. De sentir muito, na condição de mãe aflita. De equacionar o que seria se uma tragédia pessoal acontecesse e como será a dor das famílias a quem efectivamente acontece. Senti na pele - felizmente "só" por uma semana o que muitas mães passam nos hospitais quando fazem dessas instituições a "sua casa" para acompanhar cada respirar dos seus filhotes. Ao fim de uns dias já conhecia as pessoas, os corredores, as regras, os horários. Senti o que é estar sozinha no meio de tanta gente, o que é a fragilidade da vida... 

Agora, aqui estou eu, aqui estamos nós... já recuperadas. Da doença e do susto. E a decidir esta partilha, por acreditar ser importante para todas as mães que acompanham este blogue. Pode acontecer a todas, com maior ou menor gravidade. E as que já passaram por horas de aperto assim, saberão que a vossa "Barriga Mendinha" a partir de agora "não fala de cor", também já lá esteve...

Aqui ficam as imagens possíveis, sentidas e que me acompanharão para sempre. Este foi o primeiro Natal com a minha filhota, que saiu do hospital exactamente no dia em que fez 2 meses.

É uma Guerreira das Estrelas. Te amo Matilde ...



Começámos assim... a testar a saturação de oxigénio da Matilde, que descobrimos estar abaixo dos 90. Foi por isso que ela foi internada. Pouco oxigénio no sangue e no cérebro podem causar sequelas graves. Nem pensar em arriscar deixá-la sair do hospital :(




Noite de Natal... Esta foi a minha consoada na cantina do Hospital S. Francisco Xavier. Arroz de pato, sopa, sumol, gelatina e uma sala literalmente fria e vazia, à exepção da rapariga do refeitório e e uma senhora da limpeza, que, ao fundo, assistiam à emissão de Natal da "Casa dos Segredos"... 



O quarto dos cuidados intensivos tinha 3 caminhas que estavam, dia 24, todas ocupadas . Depois, um a um, os bebés, foram "subindo" para o andar da pediatria onde ficavam já só sob observação. Aqui, neste quartinho, as máquinas a que os bebés estavam ligados apitavam toda a noite e a maioria deles chorava cada vez que isso acontecia...




A minha cama improvisada durante 6 noites. Um cadeirão desdobrável, ao lado da caminha de grades da Matilde, que só abandonei no dia 25 para ir dar um mimo de Natal ao meu Afonso, que também tinha direito a ter a mãe um bocadinho presente no 1º Natal com mais percepção das coisas... Como de noite era difícil dormir, tentava algumas sestas durante a tarde, nos intervalos dos cuidados da minha bebé e dos dos seus coleguinhas.




O cansaço já era tanto que lá para o 3º dia comecei a ficar com menos leite. As enfermeiras disseram-me ser normal e a partir daí (e porque a Matita estava a ser alimentada por sonda e não mamava) comecei ainda a tentar tirar mais leite com a máquina elétrica do hospital para estimular o seu fabrico, porque ficaria muito triste se isso acontecesse.




A minha "colega" da cama ao lado, a mãe do João, outro menino doente de 2 mesinhos com bronqueolite grave. Era a Neolondiza, a quem eu chamava Marisa e que era uma guineense mãe de três crias, vinda de Queluz de Baixo... Engraçado como as circunstâncias unem pessoas que nada tem a ver umas com as outras. Saímos com os bebés curados na mesma manhã e felizes uma pela outra ;)





A amamentar a Matilde, nas suas primeiras "incursões" pela maminha depois de ter tirado a sonda. Felizmente correu bem. Ela é uma super-menina... e foi só depois de ela se conseguir alimentar sem se cansar e a respirar bem (ao fim de 7 dias) que a minha Estrelinha pode vir embora para o conforto da sua casinha.





Às vezes o cansaço era tanto (só conseguia dormir à volta de 2, 3 horas por noite) que os cuidados à Matilde eram feitos (normalmente de 3 em 3 horas) e eu... assim, neste estado...





O bonequinho com música que me ajudou a adormecê-la algumas das noites, quando estava irrequieta, o kit para retirar o meu leite, o paracetamol e os pingos para o nariz... porque para piorar tudo, também eu estive quase todo o tempo, doente com uma renite e constipação das valentes.




 O meu anjinho tinha uns  "óculos nasais" (os tubinhos que levam o oxigénio controlado ao organismo) e uma sonda enfiados no narizinho. E ainda um catéter na mãozinha esquerda com uma tala para não a dobrar. Dava dó vê-la assim...





Ficou com pouca força, a minha bebécas... Dormia quase o tempo todo. E assim tinha que ser, para conseguir recuperar.






A equipa do Hospital S. Francisco Xavier é realmente fabulosa. E acreditem que não era por "ser eu"... todos os papás e bebés eram tratados com um cuidado, carinho e as vezes até humor, tão essenciais para minimizar a dor, a preocupação, o cansaço, as dúvidas... Dentro do mau que tudo isto foi, ao menos fomos muito bem tratadas e acompanhadas. Obrigada às enfermeiras Marta, Sílvia, Graça, Maria João, Carla... e às vossas equipas... Obrigada Dra. Marta Aguiar e a todos as que nos assistiram estes dias tão longos.





A Matilde e os outros meninos receberam um presente de Natal no dia 25. Um miminho mas que caiu tão bem não pelo valor material mas pelo simbólico...





O leitinho que eu tirava de mim era depois administrado por sonda - um tubinho enfiado no nariz e directo ao estômago - na minha princesa, que assim e com o soro continuou forte e alimentada.





Os cuidados e controle a meio da noite. Esta era a minha visão, encostada ao "famoso cadeirão" onde tentava dormitar.... Ter ali o meu anjinho tão perto era essencial e eu acordava a cada apito, tosse ou choro com medo que ela se engasgasse ou deixasse de respirar... 





O pai choroso... porque ia passar o Natal sem nós. Custou muito...




A nossa Matilde e a sua cama nº 7 da Pediatria.





Às vezes, no meio da tristeza, há pequenos pormenores que podem fazer a diferença. Este foi um desses e que me deu mais esperança e positividade. Haviam vários quartos - o quarto Planetas, o Lua... - mas não é que a nossa Matita Estrela ficou na "Sala das Estrelas"? E depois de uma semana internada, tudo acabou mesmo bem :)