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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Sexualidade na Gravidez

A maternidade é um dos acontecimentos mais importantes da vida da mulher e representa um desafio à sua maturidade.

Na época actual, os ideais do amor romântico tendem a fragmentar-se sob a pressão da emancipação e da autonomia sexual feminina. A ideia do “para sempre” e do “único amor” é substituída pela procura de relacionamentos especiais e da realização sexual.   As múltiplas facetas que assume, neste período, enquanto conjunto de acções, comportamentos, emoções, sentimentos e valores, variam de pessoa para pessoa, quer social quer culturalmente, ou de acordo com as convicções religiosas e/ou espirituais. 
 As relações amorosas e conjugais, analisadas nas diferentes épocas, apontam para a ideia de que o ser humano sempre procurou meios para “organizar” os relacionamentos afectivos e sexuais, ora com explicações pautadas na natureza, ora na afirmação da vontade de Deus, ora na razão pura do homem. Na sociedade contemporânea, estas três formas aparecem, quer separadas, quer  interligadas, para justificar ou condenar os relacionamentos sexuais humanos. A sexualidade encerra o mistério da vida humana, pois, a partir dela, surge a vida, e é em função dela que a vida continua após a morte. A procura do prazer toma a forma da procura da verdade, substituindo-o pela procura da felicidade do século XIX.
No passado a mulher realizava-se quase essencialmente através da maternidade, hoje em dia, é um pouco diferente, uma vez que ela encontra ganhos na realização pessoal, área profissional, académica e social. Ser mãe passou a ser uma opção como tantas outras e o procurar a realização a esses níveis faz com que a maternidade seja protelada. A decisão de ter um filho, é agora um passo mais complexo do que outrora. Actualmente, a maioria dos casais sente que deve limitar o número de filhos que vão ter, e que devem ainda, adiar a gravidez, até que ambos reúnam as condições que consideram indispensáveis para o nascimento de um filho. A maternidade deixa assim, de ser a primeira e única preocupação da mulher. 
A sexualidade na gravidez, apesar dos receios, preconceitos e/ou medos ligados a este tema, homens e mulheres estão cada vez mais determinados a viver este tempo, intensamente, descobrindo novas formas de prazer e indo ao encontro do desejo um do outro. 
Tudo começa na fecundação, o encontro fantástico dá-se no corpo da mulher reunindo energia, força e amor para dar vida a um ser humano.
O desejo na gravidez vai sofrendo oscilações. No primeiro trimestre está geralmente diminuído por causa da parte hormonal. Nesta fase a grávida pode encontrar-se nauseada, por vezes com vómitos, tem mais sono que o normal, tem frequentemente tonturas, lipotimias (desmaios), e as mamas aumentam de tamanho, tornando-se dolorosas. Nestas circunstâncias, é normal que a grávida não tenha muita disponibilidade para fazer amor. Já o homem, que continua a desejar sexualmente a parceira, receia muitas vezes fazer amor por poder prejudicar a gravidez, o que é um medo totalmente infundado pois, excepto se indicação médica (situações de hemorragia vaginal), o casal pode fazer amor sem problemas. Também poderá acontecer que a grávida não tenha qualquer tipo destes sintomas acima referidos e ter uma prática sexual normal.
No segundo trimestre, a libido (desejo) da mulher, geralmente, volta aos níveis normais. Os vómitos, as náuseas e tonturas desaparecem, as mamas tornam-se menos tensas e até o sono diminuiu. Estes três meses são considerados uma boa fase da gravidez: barriga pequena, a grávida sente-se bem, com uma auto-estima favorável. O casal só precisa de imaginação, para conseguir algumas posições mais confortáveis.
No terceiro trimestre poderão surgir novos receios relacionados com as modificações corporais, medos relativamente ao parto e até mesmo uma baixa auto-estima que poderá levar a mulher a evitar o relacionamento sexual. Neste trimestre da gravidez, os casais geralmente reduzem a frequência da actividade sexual. A mulher não se sente sexualmente atraente pois a sua imagem está alterada. Com a barriga aumentada, o número de posições sexuais fica reduzido e fazer amor pode ser um pouco incómodo, a criatividade é a palavra-chave na procura do prazer. No entanto é muito importante saber que não existe qualquer contra-indicação médica à actividade sexual e chega mesmo a ser aconselhável, o orgasmo e as contracções por ele provocadas, pode até ajudar o nascimento, ou seja, induzir o trabalho de parto naturalmente.
Este trimestre também é caracterizado pelo aumento da ansiedade, devido à proximidade do parto, e pela condição eminente da maternidade. As alterações físicas estão a chegar ao término, e a mulher passa a ver-se como pouco atraente aos olhos do marido. A lubrificação vaginal diminui, e os mitos do sexo vaginal durante a gravidez ganham força. Aproximadamente 80% das mulheres percebem que têm uma diminuição drástica no desejo sexual. Neste período é muito comum o cônjuge também estar vivenciando a ansiedade da chegada da paternidade e o seu desejo sexual geralmente fica prejudicado.

A mulher grávida pode manter a sua actividade sexual durante os últimos meses de gravidez? 

Nos últimos meses da gravidez mantendo-se o medo de magoar o feto, muitas grávidas acreditam que manter a actividade sexual durante a última fase da gravidez poderá ser um perigo para a saúde do bebé; outras sentem-se menos atraentes fisicamente devido às alterações corporais, tendo receio que os companheiros percam o interesse por elas; os companheiros por seu lado, têm medo de magoar o bebé e outros pensam ainda que as relações sexuais são menos agradáveis devido às alterações corporais da mulher.
Ao realizar educação sexual na gravidez a enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia deve procurar:
- Incentivar a comunicação entre os parceiros sexuais;
- Confrontar a mulher a cuidar da sua aparência, para que se sinta atraente;
- Informar o casal sobre os posicionamentos alternativos, mais adequados para a prática do acto sexual durante o terceiro trimestre (mulher em posição superior, posição lado a lado e posição de missionário);
- Explicar ao casal que, quando este não pode ou prefere não ter relações sexuais com penetração, a necessidade de intimidade e união pode assumir outras formas e demonstrações de carinho, como beijos e carícias;
- Advertir os casais que gostam de praticar sexo oral de que, o parceiro pode não sentir tanto prazer devido ao cheiro mais intenso das secreções vaginais, sobretudo no terceiro trimestre da gravidez;
- Alertar sobre as contra-indicações do coito, nomeadamente em situações de: ameaça de aborto, risco de início de trabalho de parto pré-termo, placenta prévia, presença de contractilidade uterina e/ou hemorragia vaginal.

Algumas da posições aconselháveis:
Em suma vários autores referem que se a grávida, possuir um bom relacionamento conjugal e familiar, durante a gravidez e no pós-parto, a sexualidade na gravidez, poderá ser mais facilmente ultrapassada. O casal tem que ter conhecimento que, relação sexual apenas é proibida ou restrita em algumas situações como: hemorragias durante a gravidez; descolamento de placenta; perda de líquido amniótico; ameaça de parto pré-termo; ameaça de aborto, entre outros. 
Será o casal que vai descobrir juntos, as melhores posições para aproveitar a intimidade até o bebé nascer. E tem que se reforçar que esse momento deve ser vivido com muito prazer. Existem autores que acreditam que, na maioria dos casos, a gravidez por si só não provoca uma ruptura na sexualidade de um casal, seja qual for o trimestre de gravidez, se esta era previamente satisfatória. No entanto consideram importante a abordagem por parte de profissionais de saúde, dado ser um tema de extrema importância e ainda tão frequentemente esquecido. 
Bibliografia e Sites:
  • “Entregue-se a 9 meses de amor”, revista Crescer, Setembro 2006, Editora Impala, p.84-85
  • Sexo durante a gravidez? Claro que sim!, revista Crescer- especial gravidez e parto, nº 12, Editora Impala, p. 27- 29
  • http://www.apf.pt/
  • http://guiadobebe.uol.com.br/psicgestante/sexualidade_na_gravidez.htm
  • BOBAK, Irene [et al.]- Enfermagem na maternidade. 4ª ed. Lisboa: Lusociência, 1999. 989p. ISBN 972-8383-09-6;
  • LOWDERMILK, Deitra [et al.]- O Cuidado em enfermagem materna. 5ª ed. Lisboa: Artmed, 2002;
  • GRAÇA, Luís Mendes- Medicina Materno- fetal. 3ª ed. Lisboa: Lidl, 2005. 733p. ISBN 972-757-325-8;
  • PORTELINHA, Cândida – “Sexualidade na Gravidez”. 1ª Edição. Coimbra Quarteto Editora. Novembro 2003.
  • SANTO, Maria do Céu – Sorria com o Corpo Inteiro – Amor Sem Limites. 1ª ed. Lisboa: Oficina do Livro, Outubro, 2011, pag. 141 – 159.
Por : Enfermeira Ana Nobre