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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Nesta avenida que piso, tu passeavas também...





Para além da dor natural numa situação destas.. dou por mim, enquanto dou passos largos a caminho de casa, a pensar... que a Vida é mesmo breve, damm!!

... Ainda "há uns dias", eu brincava e vibrava com as conversas e com a voz poderosa da Tia Celeste. E hoje, ela e os seus 85 anos, foram-se embora..


No velório, pedi-lhe que, ao chegar "lá",  beijasse a avó Gi e o Avô Zé e que ... Não, não que lhes dissesse a falta que fazem,  porque eles sabem-no bem (principalmente a mim, nos momentos em que preciso encontrar o caminho e me sinto a cambalear  no escuro)... Mas que ... os brindasse, antes,  com a gargalhada que dela me lembro e que os 3 se sentassem a contar as novidades e a ironizar com elas, como tão bem os 3 fizeram sempre em vida !!

 Sim, divertidos e a mandar força genuína para nós, através da boa disposição de que tanto precisamos/preciso para ultrapassar os "pequenos grandes males" que se nos vão colando à pele, à alma e ao dia a dia.


Também  o tio Centeno, de quem ela morria de saudades, a esperará .. Mas esse encontro é só deles.

E também a minha querida bisa Alice,  ai que saudades...

Ela estará por lá, de braço dado com as amigas da época, para a acompanhar nas passeatas regadas com conversa trivial, tal qual fizeram anos a fio, aqui pelo perímetro da Avenida de Roma...

A mesma Avenida, que eu, ainda hoje, ainda viva, ao voltar agora, no silencio da tua despedida, Tia, piso.  A mesma Avenida, que com os meus Filhos, vossa descendência, calcorreio todos os dias ao vir para chegar até casa, numa rotina que é agora minha, mas que já foi a de outras gerações...

Nós somos ainda um pouco de ti Tia celeste. E de ti Avó Gi. E de ti Avô Zé. E de ti Bisa Alice...

E assim, as memórias nos fazem viver, sendo por vezes, necessário o impacto e a força deste sopro da Morte, ao levar mais um dos nossos, para nos "acordar" e querer, efetivamente... Viver. Ter medo do tempo que passa e querer aproveitá-lo da melhor forma, não só "estar por estar"...

Querer Viver por nós mesmos. E por vocês, que já se foram.... mas que, no entanto, merecem o nosso respeito, e a homenagem da vossa continuidade.

Tentá-lá-ei honrar todos os dias, juro ... E quando não conseguir ... Conto com uma das vossas gargalhadas inesquecíveis ( é impressionante como a memória visual me trai... mas a auditiva não...) para me darem nas orelhas, orientar com sabedoria e perdoar, Perdoar, acreditando de novo em mim, nas minhas capacidades, na minha força e ignorando as almas negativas e destabilizadoras.

Sempre com um sorriso e uma palmada bem disposta. O vosso sorriso e a vossa palmada, que a partir de certa altura, já se confundem com o que me pertence também. porque em mim, vos tenho a vocês, tal como acredito acontecer com a maioria das pessoas sensíveis e ligadas à família...

Boa viagem Tia / Mulher ... Celeste.



Bom descanso. Bons reencontros.

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