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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Um país em que personalizar se torna perigoso...

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Hoje dei de caras com um texto muito bem escrito sobre a forma como uma mãe (no geral, não lhe conhecemos o nome nem a identidade) lida com as birras da sua filha em público. Mais um do género.

 

Noutro dia, deleite-me com outro em que uma mãe afirma ser "perfeita na sua imperfeição" , uma descrição irónica mas muito realista, sobre os pensamentos e atos que são pouco politicamente corretos, mas que nos passam na cabeça a todas...

 

Mais outro em que alguém conta o que faz "nas costas dos filhos" para seu próprio deleite, até porque uma mãe não deve deixar de ter os seus segredos e os seus pequenos momentos egoístas.

 

Textos sexistas mas divertidos, mães que só querem meninos e as suas diabruras masculinas, outros de mães que só gostam de folhinhos e frufrús. Podemos até não concordar, mas fazem-nos pensar e tentar entrar na vida e experiências de outra mãe. Porque nem todas somos iguais, efetivamente, mas acredito que ao partilhar estas maneiras de estar e de ver a vida familiar, todas as formas acabam por ser válidas e nos fazer pensar... E se?...

 

Textos de mães que se acham o "top" por terem em casa uma equipa de futebol e consideram as de filhos únicos quase que uma farsa no mundo da maternidade, outros textos opostos, em que o filho único ocupa um lugar central na vida de uma mulher que só assim consegue ser feliz e não se imagina a "desfocar" a atenção para outras crianças...

 

Ah.. muita coisa sobre o sono (ou falta dele), o cansaço,  a alimentação, a  educação, o mercado de trabalho VS a vida familiar... principalmente sobre como estes ítens, que no fundo são aqueles que mais nos tocam, às mães dos tempos modernos. Temas que passam muito por histórias e formas de contornar a realidade que que ... há mesmo momentos em que as nossas amadas crianças dão mesmo connosco em doidas! Muita coisa que, basicamente... eu (ou outra blogger que se identifique), por mais vontade que tenha, não podia escrever nunca!!! Ou então teria a cabeça a prémio.

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É triste, porque sim, neste nosso país que tanto amo, mas que de tanto preconceito vive, é assim, enquanto que noutros ( Inglaterra, Estados Unidos, Brasil e até aqui tão perto, em Espanha, por exemplo), existem-nas aos magotes.

 

Mommy bloggers com milhares de  felizes seguidores ( apelido-as de felizes porque não comentam só para criticar, mas muitas vezes para dar ânimo à pessoa que escreve) e.... seguidores que comentam, que aplaudem, que entendem a ironia  e que riem com a "desgraça alheia" de quem sabe rir dos seus próprios stresses familiares (ninguém por dizer que está exausta e precisa de tempo para si, que o seu filho não come nada de jeito, que os coloca de castigo por estar de cabeça em água com as suas má criações ou que não aguenta as birras de outro e por isso, lhe apetece "pendurá-lo" no estendal!... lol... o vai pendura mesmo, get it???)...

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 A verdade é que há temas de que me apetece tanto falar. Contar histórias mais privadas da minha vida de mãe, um pouco ao espelho dos tais textos que correm aí pela net tão divertidos, incisivos, que colocam o dedo na ferida... e que arrecadam milhares de likes e  comments ao nível do" Pois!! É que é mesmo assim que é lá em casa", "Eu não diria melhor", "Ser mãe não é ser perfeita", "Podia ter sido eu a escrever"... mas não fui.

 

Acabo sempre por desistir porque Eu Existo. Tenho nome, uma imagem pública (há quem acerte e quem não faça puto de ideia de que sou efetivamente) e... somos portugueses. Um povo que gosta de encontrar gaffes, encontrar "no que pegar"...Basicamente é isto.

 

Dou-vos um ou outro exemplo, coisas que me fazem  travar a ironia e forma aberta de escrever sobre temas mais delicados, para que percebam porque me controlo:

 

Imaginem, por exemplo que há uns tempos  cheguei a receber mails e mensagens que roçavam o malcriado, desejando-me mal e aos meus porque eu chamei "diabrete" à minha filha. Chegaram a dizer me que estava a chamar o diabo à minha vida. Ah... quando falei das birras que a Matita faz, dedos foram apontados dizendo que " a minha educação que dou é que não devia ser a correta". No que toca à alimentação, se mostro algum mimo menos saudável ( que não seja integral, fruta ou legumes e tal e tal...Hello!!! Sou preocupada mas não obcecada!!!), recebo mensagens e comentários acusando-me de que dou "veneno" à minha prol ou que devia ter mais atenção ao que lhes ofereço às refeições!...

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Enfim... e era isto. Tenho pena realmente. Porque quando leio estes textos tão giros, realistas, percebo que a maioria deles, apesar de veiculados por sites e blogues portugueses, são textos traduzidos, ou em última análise adaptados ao português.

 

Por outro lado, observo que as outras mommy opinion leadears aqui da nossa vida digital portuguesinha... quando o tentam fazer, acabam por ser aniquiladas pelas "verdadeiras mães de famíla perfeitas" que existem aí pela net aos montes. Aí. E só aí. E que se acham no direito de se achar melhores ou maiores ou de criticar o que não é para ser citicado, mas sim partilhado.

 

Por isso... é que sinto que mais vale ler e rir com os textos extrangeiros ou não assinados do que me "colocar a jeito" dessas inquizidoras da treta, que só decidem tirar uns minutos para dedilhar o teclado do computador... para dizer mal, porque Eu (ou outra que se identifique e seja real)  assinei a ironia, a asneirada, a piadola, a história embaraçosa, a insegurança, a dúvida ou o sentimento mais íntimo...não é isso minha gente? Que tristeza...

 

É que há tanta coisa "politicamente incorreta" super gira de ser partilhada, não há, digam lá?

 

Toda a famíla tem momentos de família louca, toda a mãe dedicada tem momentos de insegurança, toda a mulher com M grandes tem momentos em que se sente de novo menina e incapaz de seguir em frente. Mas depois... acaba tudo por correr bem de novo. É essa a magia...

 

Há tanto texto e tema irreverente de que se pode falar de forma real e didática,  mas ao mesmo tempo, puxar um sorriso ou até uma gargalhada... Porque de momentos maus, tambem podemos sacar divertimento. Só assim faz sentido...Bem... tanto texto, tanto texto.... Desde que não seja assinado... pelo menos por mim... que não quero ser saco de pancada.

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