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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

A alegre ambiguidade de uma vida que “lá vai correndo bem” entre pais e famílias separadas

Uns dias o coração fica tão pequenino e apertado que parece estar enrolado num daqueles saquinhos de vácuo: são as saudades a esmagar o peito, principalmente quando temos “deste lado” programas que ele gostaria de participar ou quando a mana chora por ele ( às vezes chega a por a mesa para quatro e insiste em “falar” com o irmão enquanto o faz como se ele estivesse em casa).

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Outros dias, sinto que ele precisa “da outra família” e se sente também feliz por lá (não estou a fazer demagogia, como muitas por aí fazem, acredito mesmo nisso!) e isso conforta-me o sentimento de mãe saber que, quando ele crescer, não perdeu vivências em nenhum dos lados. Este sentir é algo que se apura, sim, não sou tão boazinha e perfeita assim! Mas lá vou tentando e acreditem que nos dias que correm já é tão genuíno quanto as saudades. No fundo, só quero o bem do meu “puto” e que cresça com a cabeça no sítio.


Os meus filhos são oficialmente meio-irmãos! Irmãos (só) da parte da mãe mas, cada vez mais essa “treta” do ser qualquer coisa pela metade não faz sentido nenhum. Basta observar, por exemplo, num caso como o da nossa família, como o Afonso Luz consegue ser “inteiro” em ambos os lados (porque também do lado do pai tem um irmão mais pequeno) . Separei-me do pai do meu filho ainda grávida e vivi um processo que não foi fácil mas que tive de gerir e que ainda hoje tento “aperfeiçoar”. Na verdade, há um caminho que tento seguir e outro ao qual vou estando atenta a sinais aos quais não seguir, para onde não quero escorregar. Tenho visto relações entre pais separados tão feias, infantis, ignóbeis, irracionalmente destrutivas que, desde cedo (mesmo com razões fortes para a nossa rutura) decidi que essa nunca seria a linha de relacionamento com o pai do meu filhote. No fundo, o meu filho viveria a relação com o pai (e mais tarde com a família que ele foi criando também) da forma mais próxima e mais saudável possível. Acredito, que também por isso, o respeito se foi instalando também da parte dele, e mais tarde da mulher que tem ao seu lado.

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E aqui é que me tiro, a mim mesma, o chapéu (sem falsas modéstias), porque aprendi a gerir as crises, discordâncias, problemas com calma e muita paciência, porque, acreditem que para mim a prioridade não é a nossa (não) relação mas sim a felicidade do nosso filho. E agora, passados quase sete anos “disto” - de uns momentos em que tive que engolir sapos, de outros em que me controlei, de alguns ainda em me readaptei - até consegui que o “outro lado” se fosse moldando também. Sei que foi o caminho certo! E foi tão certo, que a cereja no topo do bolo foi que conseguimos chegar a uma plataforma de entendimento e carinho tal pelos miúdos ( de ambas as casas ) que a minha filha já dormiu umas quantas vezes na casa do pai do mano e é sempre muito bem recebida quando isso acontece. Até lhe chama também “Pai João”, imaginem!

 

Agora ando a tentar que seja a Matilde a entender como as coisas se processam, porque ela sim é só sentimento, não há cá racionalizações em crianças de quatro anos, e sofre bastante quando o mano se vai embora. Ainda é difícil explicar-lhe mas a pouco e pouco vai captando. Além de que muitas vezes arranjo estratégias para amenizar a ausência: ora vai para casa da avó, ora brincar com amiguinhas … Sei lá! No fundo, procuro entretê-la para que não sinta tanto a falta do companheirinho (como de embirrice, ou não fossem irmãos com idades próximas). Isso e gerir essa minha sensação de impotência e injustiça por ter com ela muitos “momentos de filha única” nos momentos em que ele está fora e com ele serem quase impossíveis e sentir que o tempo que lhe dedico é curto... Mas, enfim, essa é mais uma luta para a qual, acredito, conseguir mais dia menos dia algumas pequenas soluções apaziguantes. A ver vamos... Até lá vamos vivendo com a sorte, o amor e a ( tentativa de ) coerência no coração e na forma de nos relacionarmos. Com o foco nas crianças e não nos adultos. Nós já estamos (ou deveríamos estar) resolvidos… A eles, sim, temos de dar o nosso melhor para que venham a tornar-se seres completos, sérios, com as prioridades e os princípios no sítio e o menos confusos possível. quicksquare_2017117165318773.jpg

A vida, cada vez mais, passa por saber gerir situações e ser feliz ao aceitar as nossas cada vez mais sui generis realidades: familiares, sociais, profissionais... O meu esforço em “tudo isto” é esse mesmo: oferecer-lhes bases para que se adaptem e sejam felizes com quem são e com quem os

rodeia. Este é um bom objetivo e foco como Mãe e como pessoa, não acham?


( Texto escrito para a edição Outono/Inverno da revista Lux Crianças)

 

Sobre a ida dela para casa "do pai dele"...

Este fim de semana foi importante. E memorável na história da minha família.

 

Enquanto, lá fora, tristemente as desgraças afetavam a vida de centenas, aqui no nosso (ainda) cantinho, a mãe Rita foi trabalhar para o Norte. A vida "normal", dentro do "não tradicional" que é vida aqui desta nossa família Mendinha. Eu fui para Guimarães e meninos ficaram, como tantas vezes, por Lisboa.

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Como sabem, a minha vida é assim. Sem rotinas e com muitas saídas para fora. É a rotina, fora da rotina... e nós já nos habituamos assim a ela.  A diferença deste fim de semana foi... a "distribuição" das crianças. Normalmente, cada um fica no seu pai. Ou com as avós. O Afonso com o pai João, a Matita com o pai Hugo ou, quando assim não pode ser, ambos com a avó Clara, a minha mãe. Desta vez abrimos um precedente e um tão bom precedente. Um do qual me orgulho muito e que espero que seja a porta aberta para um futuro melhor, principalmente para eles, as crianças.

 

Neste caso não falo só das minhas. Acrescento uma ao "rol", passam a 3, nesta história, porque, talvez muitos/as de vocês não saibam mas o nosso Afonso Luz, tem um outro mano de 2 anos, do lado do pai... um mano, sobre o qual a Matita já começa a levantar muitas questões. Já pergunta por ele, quem é, onde está, em que escola anda, quem é a mãe...são perguntas normais de uma cabecinha inocente como a dela. E ultimamente, chorava quando via o irmão a entrar no carro do pai e ir com ambos embora. Nada de anormal, no entando... faz parte do desenvolvimento. Faz parte da história da nossa família. Faz parte das consequências das escolhas que eu, como mãe, fui fazendo, conscientemente para todos. Mas... há sempre um mas...

 

Mas a verdade é que eu ficava com pena. Não deixava de ficar de coração partido ao ver a minha Estrela tristinha e cada vez mais, crescia em mim uma vontade de que os irmãos do Afonso tivessem uma relação maior um com o outro. Maior e principalmente melhor. Sim, porque se continuasse a ser esse o único contato entre os dois ( verem-se nas entregas do irmão aos fins de semana), sentia que não estava a ajudá-los a criarem a identidade certa um do outro. Era algo que andava mna minha cabeça há um tempo. E nas converesas com ambos os pais... tinha receio que a Matilde começasse a sentir ciúmes, vazio, porque a indifinição do que é o "outro lado", o lado do "pai dele" ( como diz a Matita) já se via que lhe começava a fazer confusão... E por isso... este fim de semana.. ela foi para lá! Siga!!

 

Pois bem, antes do "big event" conversámos todos os pais ( sim, porque no fundo, são 4, aqui, os envolvidos e "cada cabeça com sua sentença") e decidimos fazer a experiência. A mana de cá foi conhecer o mano de lá e passar uma noite e um dia na casa do pai do Afonso. E nem vos conto a felicidade de todos ! O Afonso Luz, então, nem cabia em si de contente. Quando lhe disse que a mana ia com ele para casa do pai João, disse-me em extâse: " A mana vai para casa do meu pai, a primeira vez!! E vai dormir comigo e com o mano Filipe! Uau! Boa mãe, boa!!" E nem vos conto também  como a sua reação me encheu o coração e o orgulho que sinto em saber que vou, assim conseguindo, fazer um caminho que nem imaginei existir, mas que me vai fazendo cada vez mais sentido....

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 E assim foi ela de mochilinha já feita para a noite, para a escola, na sexta feira,eu lá avisei as auxiliares e professoras que não estranhassem que o pai do Afonso levasse ambos esse dia, que assim tinha sido decidido por todos. E lá aconteceu então tudo, da forma mais natural possível. A mulher do João, a Vânia também tem um coração grande e recebeu em sua casa a minha menina. E em vez de uma criança ( no fundo só tem um filho..)... aturou três essa noite e esse dia... e pelo que sei, correu muito bem.

 

Ficou a vontade para repetir e tenho a certeza que os miúdos também e quem sabe um dia destes não sou eu a receber em minha casa o mano Filipe, sabendo que então aí... os brilho nos olhos do meu filho seria ainda maior. A ver vamos. Um passo de cada vez. Mas o primeiro já foi dado e com ele muita satisfação entrou nas nossas vidas, garanto.

 

E assim se faz, pouco a pouco, o caminho de uma vida. E assim se tomam decisões, que ao parecer gotas pequenas no grande oceano que é o mundo, se tornam enormes na vida familiar de crianças que têm a personalidade em construção.

 

E que bom que será, se ao sentir no futuro que a sua mente aberta, o seu sentimento solidário, o seu viver longe de sentimentos como o preconceito,a raiva, a diferença, o ciúme, a inveja... possam também  ter vindo de uma génese que nós, os pais destes pirralhos, lhes conseguimos ensinar, não só com palavras, mas também com atos.

 

E sabem que mais? Não há mesmo ninguém como um irmão... seja ele meio irmão, irmão "verdadeiro" ou irmão de coração. E esse legado é o que mais lhes desejo deixar.

 

 

"A vida é assim" mas quem me dera que não fosse

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"A vida é assim"... e é assim que temos que vivê-la e tirar dela o melhor possível..

 

Mas há momentos, epá... há momentos... em que eu penso tantooooo em como gostaria que a vida "não fosse assim" e que eu e os meus filhos e eu mesma não nos tivéssemos que separar nunca.

 

A verdade é que a maioria dos filhos de pais separados, se filhos do mesmo pai e mãe, acabam por andar sempre juntos nas "bolandas" dos fins de semana alternados e dias e noites nas casas de cada um dos progenitores. Tenho amigas que, divorciadas e tendo um, dois ou mais filhos do casamento já finalizado... brincam, aceitando a "coisas" como podem e até tirando partido da situação, dizem coisas como: " Até nem é mau, uma semana sou super mãe outra tenho uma alta vida de mulher solteira" ou " Este fim de semana estou super focada nos putos, mas para o outro, estão no pai e posso fazer o que quiser!".... Bem , mas isto, acontece só a quem tem filhos do mesmo pai. 

 

E muita coisa já se escreveu, teorizou, sobre o melhor para os filhos, o melhor para os pais, sobre os sentimentos da separação, os traumas, os benefícios, saudades, retorno a casa... sei lá... coisas cada vez mais normais para os dias que correm, porque os divórcios ou ausência de um dos progenitores é também cada vez mais corrente.

 

Mas meu caso e no de algumas (poucas) outras "criaturas" por aí pairam nesta estranha e aparentemente moderna sociedade, quando os pais são dois ( ou quiçá 3 ou mais... pffff... nem quero imaginar o que será), e quando "ainda" (lol) estamos com um deles existe, para além dos normais sentimentos de saudade que se tem quando um está fora.. a sensação de que é "injusto" para esse que se ausenta, todos os programas e momentos que , em família vivemos sem ele e por outro lado, para aquele que fica, pois não entende o porquê do irmão ou irmã estar agora... mas daqui a dois dias não.

 

Juro-vos que vivo esta angústia quase em segredo. Como podem imaginar, ao comentar com próximos estes sentimentos dizem (talvez para me apazigar, talvez por alguma frieza não sei bem) que "é normal" (odeio esta frase feita que no fundo não diz nada de nada), que eles se adaptam na boa, que quem sente mais somos nós, que não tenho que me sentir culpada.. sim eu sei, minha gente, mas e então? E se eu vos disser que eles sentem essa mudança? Mesmo na sua embirrice natural de irmãos, a verdade é que durante dias e dias a presença nas rotinas do outro é constante e depois, quando o mais velho se "pisga" para casa do pai e fica 2, 3 ou até 4 dias (acontece pontualmente mas acontece)... a minha mais pequena anda um bom bocado desasada. Ai... e como isso me doi.

 

Vê-la, pela casa a fazer tudo com um ar despachado... e sempre a chamar pelo mano, como se ele estivesse mesmo atrás dela, mas não está ... Ela ainda é muito "troncha moncha", fala à trapalhona mas já sabe muito bem o que quer e o que faz. E a verdade é que as nossas rotinas a 3 ( ou a 4, quando está o pai) já são tão nossas e repetitivas que ela já as conhece de cor. Escolhemos a roupa para um e depois para outro e colocamos em cima da mesinha para o doutro dia. Um lava os dentes e o outro também com a sua escovinha igual mas de outra cor. A mesa baixinha das suas refeições tem uma cadeira frente a frente (que fica vazia quando o Afonsinho não está), mas ela chega a colocar o pratinho de plástico para ele e...para sublinhar tudo isto... desde há um mês e meio atrás que eles dormem juntos na mesma cama, porque o Luz ganhou (como se previa lol) medo a dormir no beliche do mano e só se sentem confortáveis juntos.

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Tenho vivido este dilema, com alguma angústia, uma angústica que no fundo será inevitável viver para sempre!!! Oh God!! E desta vez, eu que costumo dizer que a minha Matita é a minha "princesa rebelde" e o Afonso Luz o meu "vidrinho sensível"... sinto que é ela que sofre mais. No fundo, ele sai da nossa casa e parte para o "divertimento" do "fim de semana de pai", os locais são os outros, as pessoas diferentes das com que nos damos por aqui, as rotinas também. Não digo que não tenha uma ou outra saudade, mas felizmente sei que está feliz e está "na dele". Epá... e graças a Deus, senão assim, eu não choraria por uma, choraria por dois...

 

Este texto, veio hoje a lume, porque depois de uma série de situações que vamos contornando (como dizer que não quer leitinho porque o "Atcontcho" não está e aponta para o copo vazio dele), no domingo à noite, na hora de ir para a caminha começou a chamar por ele, de novo. Vai daí, o Hugo teve a ideia de ligarmos ao pai do Afonso para ela falar com ele pelo  telefone. E pronto foi aí que a mamã Rita virou uma torneirinha choramingas...Fiquei de fora a assistir quietinha: Falaram os dois feitos palerminhas e num dialeto lá deles ( O Afonso fica mais abébézado quando fala com a mana mas lá se entendem, riem e chegam às suas conclusões), e a Matita, decidida como só ela, tirou-nos o telefone da mão, deitou-se sozinha, chegou-se para o lado onde ela dorme em vez de se deixar estar no meio da cama, contou-lhe o fim de semana dela ( "Ah motos, ah popó, ah avó, ah mãe, ah pai, ah bolo, ah chupa, ah parque, ah menino" etc, etc... e depois (ela que estava a chorar) mandou lhe um beijinho, deu uma risadinha, colocou o telefone na almofada onde o mano dorme normalmente, tapou-se sozinha e... acalmou e adormeceu <3... Assim.

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A mamã no meio disto? Coração apertadinho mas a tentar tirar o melhor daquilo.. que gostava que não fosse assim... A ligação deles está a construir-se. Tão pequeninos e já tão certos de que a presença (física ou só pela certeza de que estão do outro lado) dos manos é mesmo algo importante e indestrutível ... uma viagem sem bilhete de volta, só muita cumplicidade e turras pelo meio, tal e qual tem que ser, sem tirar nem por. Mesmo com fins de de semana e dias fora da rotina normal dos meus anjos-diabretes...

 

 

O dilema da Mãe separada: as férias grandes dos filhos... aiiiii....

Bem então é assim, a tentativa de explicar "isto".

 

O Afonso Luz vai amanhã de férias com o Pai João. 15 dias! 15 inteiros dias sem mim ;( Mas pronto, tem que ser, não é? Faz parte, Farto-me de me dizer isso a mim mesma. Mas uma coisa é a minha consciência, outra coisa é o meu coração... Estou que nem posso. Dizem que são sentimentos destes... que fazem de uma pessoa Mãe. É não é?

 

Vai daí, que como a semana anterior andei em "andanças das músicas", a trabalhar. Pelos Alentejos, pelos Algarves e, apesar deles no coração... 5 dias andei sem eles fisicamente, Cheguei na 2a feira à noite e...e.. apercebi-me, que o meu Caracol Douradinho, iria para as suas férias com a outra família... daqui a 4 dias!! Ai, que dor no coração. Peguei nele e na mana.. e estamos então, por isso (não só... mas também) nas nossas férinhas flash, na casa da avó Clara que tem piscina e é pertinho da praia. Foi o que "arranjei" assim de repente e de coração.

Sabem o que me consome juntamente com a ideia das saudades? O fato de sentir que ele e a mana não permanecem tempo suficiente juntos. Ou pelo menos, o tempo que eu gostava, que acho que eles necessitam para criar laços fortes. Muita gente, me diz preocupada demais, me garante que "eles", os pequeninos, são mais adaptáveis do que nós às diversas situações, que a relação é inabalável, estejam juntos todos os fins de semana ou fim de semana sim, fim de semana não...

 

Anyway... os miúdos que só tinham férias marcadas na escolinha a partir da segunda quinzena de Agosto, foram rapatados por mim e temos andado inseparáveis os úlimos dias. O trio invensível! Os três mosqueteiros. Inseparáveis (ai quem me dera não ter que me preocupar com as coisas mundanas e dedicar-me a este Amor mais e mais e mais tempo... porque segundo dizem.. ele voa.. e "amanhã" eles já terão 18 anos...).

               

Quando tive este flash, passei, então tudo para segundo plano (reuniões, blog, agendamentos de dj e de reuniões, amigos a telefonar...e o facto de sentir que tenho que estar ligada a tudo 24 horas por dia...) e eles, a piscina, a praia, os jogos, as petiscadas, os parques e jardins da zona,as leituras e histórias as passeatas e claro, pronto... um bocadinho de bonecos e tablet ao fim do dia ( os miúdos ainda são mais viciados que nós...) e... assim tenho enchido o meu coração e.. cansado a minha beleza... lol... Sim, que estar com os dois, com os seus caprichos, birras e ciumeira um do outro, também não é pêra doce, acreditem(as noites têm sido difíceis e os dias exaustivos) Se é compensador? Nem vos consigo explicar o quanto.

               

Amanhã o meu Afonso vai e a minha Matilde fica. Metade do meu coração vai murchar, mas não posso também deixar que ela se aperceba. Se esta é a situação ideal? A que eu teria escolhido? Não. Mas todos fazemos o melhor, eu sei. Mãe, pai, avós, padrasto e madrasta. Todos damos o nosso melhor para que as nossas crianças sejam felizes, disso tenho a certeza.

 

Só espero ir tendo a coerência para resolver na vida com sorrisos, o que o coração chora. A minha preocupação com a Matita é a adaptação ao "está-não está" do irmão... a minha preocupação com o Afonso é a de se conseguir "posicionar" em ambas as famílias que são diferentes em rotinas, formas de estar, interesses... e que tudo isso o torne um menino mais forte.

 

Ter filhos de pais separados é duro. Mas nao há nada a fazer, a não ser "entrar no jogo". O que interessa são eles, os miúdos. Pode parecer clichet, mas os clichets são isso mesmo... realidades que não podem ser senão essas. E a verdade é que ter filhos de um pai que vive connosco ( e por isso o filho tambem a 100%) e de outro, cuja vida é outra completamente à parte ( e por isso ter que dividir o tempo com essa família) ainda sublinha a preocupação e tentativa de fazer "tudo certo" se é que isso será alguma vez  possível. Pelo filho número 1 e pelo filho número 2. Cada um pelas suas razões. Cada um pelas mesmas razões.

 

Bem, amanhã é sexta feira, dia 15. Começam as duas semanas de "pai". Sei que ele vai gostar. Mas sofro (mais que ele, de certeza) pelas noites, pelos pesadelos, pelas manias que conheço e não sei se eles sim, pela constipação que ele já leva, pelos perigos dos mares e das piscinas e dos roubos e gentes más por aí nas ruas, fora do meu alcance e longe dos meus braços e conforto.. mas... mas... não há mais mas... não pode. O politicamente correto é este. O sentimento verdadeiro é a de que ter filhos de pais separados é uma grande merda... E pronto. É "isto".

 

Bora lá continuar a viver... mesmo de coração apertadinho ;(

 

E amanhã aproveitar ainda o dia com os meus dois bebézões bem juntinho a mim. Tem sido uma semana maravilhosa ;)

 

 

Irmão – Um super heroí ou um rival?

....Os dois, em vezes alternadas. Heroí... e rival...

 

Por vezes inseparáveis, outras vezes em briga. Como as amizades. E assim

é natural que seja.

 

A relação com um ou vários irmãos é o local privilegiado para aprender

como se constroí uma amizade, como nos relacionamos com o Outro,

como defendemos o que é nosso e aprendemos a respeitar o que não é.

Todos os Pais conhecem estas brigas alternadas com cumplicidades.

Para poderem respirar. E também sabem que a única forma de evitar

rivalidades é optar pelo filho único.

 

Truques? Alguns, básicos e simples:

 

-Opte por deixar as crianças resolverem sózinhas as suas questões

mas caso a “brincadeira” comece a ficar séria ou fora de controlo,

intervenha pois sempre que as crianças não consigam por elas

próprias mediar ou chegar a um entendimento necessitam da

intervenção de um adulto para as ensinar, orientar e colocar regras.

Não queremos que ninguém se magoe.

 

-Evite tomar partido e atribuir culpas. Se não presenciou o motivo da

zanga, parta do princípio que ambas as crianças são responsáveis

e aplique as mesmas medidas. Se o móvel estiver pintado, peça às

duas crianças para o limparem.

 

 -Procure sempre apresentar num discurso claro e simples, soluções

para a situação-problema (elas vão aprendendo).

 

-Ensine as suas crianças a identificarem sentimentos, a dizerem

o que sentem. Explore e incentive esta conquista. Quanto mais

dominarem esta competência menos utilizarão os gritos.

 

-Humor e momentos pausa: “Tudo para o Banho, vamos à caça de

E por aí, como é? Que truques utilizam? Existem casos mais dificeís?

Partilhem connosco!

 

 

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Gosto deles como sendo dois. Mas gosto dos dois como se fossem um.

 

 

 

Hoje apetece-me falar dos dois. Há muito que não o faço. E desta vez dos dois mas de forma diferente. Apesar de serem mesmo tão díspares e singulares, hoje quero falar dos dois... em um. Dos irmãos como uma "entidade"una, como um núcleo duro, um grupo de dois que podia ser de 3 ou 4... porque quanto mais observo estes e outros irmãos de famílias mais numerosas é assim que me entram na percepção. Principalmente quando são pequenos.

  

Ser irmão é algo que não se explica. Sente-se, vive-se, ganha-se (mesmo sem se querer ganhar nada..)

 

Mas ganha-se mesmo. Porque, principalmente, com idades tão próximas como os meus têm, numa altura das suas vidas em que ainda não conjeturam ou teorizam nada, a sua inocência e genuídade é o que vai ditar as regras. E elas vão mudando. Vão se adaptando, vão sendo primeiro "dele" (do irmão mais velho, que se sente o "superior"), depois as do mais pequenote, porque exige muita e extrema atenção de toda a rede familiar e mais tarde... quando o bebé já não é novidade e tudo já está instalado.. vão passar a existir as "nossas regras", as de ambos ( ou "trambos" se fossem três e aí por diante).

 

Dou por mim, a apreciar babada a interação dos meus dois anjinhos-diabretes. Sim... uma hora às festinhas e a soltar frases como "Ó Mãe... a mana é tão fofinhaaa", como logo a seguir um acotovelar de queixas sentidas porque a mana "destuíu" a torre de Lego ou.. "tá a comer a banana do Afonso"... ihhh.. e haviam de ver, o ar decidido de legítima satisfação quando a pirralha consegue roubar-lhe algo e meter na boca antes dele...

 

É algo que me comove deveras, assumo. Tanto vê-los aos beijinhos... como à pancada loll... sim, é isso mesmo, porque não serve este texto para analizar birras, ciúmes ou estratégias de como agir de forma justa e na diferença de cada um, isso é tema para outra crónica e sim.. um dia destes também o abordarei, mas aqui... hoje, é hora de falar da coexistência mágica destes dois seres que criei dentro de mim... e da forma como me enternece saber que sempre se terão um ao outro.

 

Acho que a melhor prenda que uma Mãe pode dar a um filho.. é um irmão. É uma oferta tão grandiosa, que passa pelo apagar de uma solidão que felizmente não conhecerão (pelo menos na infância, depois na vida adulta, já é outra história... porque aí quantas e quantas vezes a estupidez nata dos adultos interfere nessas relações que deviam ser inquebráveis...).

 

Talvez eu dê uma maior importância a este tema, porque eu mesma, apesar de ter tido uma infância feliz à minha maneira, esbarrei muitas vezes de cara com essa solidão do filho único e o meu maior desejo, sempre foi ter tido um ou uma companheira de casa, quando era pequenina. Mais tarde, nasceu a minha irmã, que é hoje uma grande amiga, mas a verdade é que eu tinha 15 anos, quando ela veio ao mundo por isso... até uma amiga imaginária inventei em criança. Chamava-se "Nanita" e andava sempre nos meus pensamentos. 

 

Cá por casa, a Matilde Estrela, do alto dos seus 17 meses... e o Afonso Luz com toda a maturidade dos 3 anos e 5 meses...lol... já começam a "encaixar" na vida, a ter uma cumplicidade própria nas rotinas e até nas brincadeiras um do outro. Sinto já que o mano tem por ela, um sentimento de proteção muito giro e ela... bem... e ela... tem reações de Amor, à maneira dela... Sinto-a triste, quando acorda de manhã e a primeira coisa que faz é olhar para a cama do mano.. e não o vê lá (algumas vezes está em "fins de semana de pai" ou numa das avós, devido aos meus afazeres profissionais) e percebo o quanto se diverte (aliás os dois) naqueles momentos em que o irmão já a deixa "brincar" ( mesmo que isso seja desarrumar tudo o que ele fez) nos seus espaços e momentos.

 

Gosto deles. Gosto deles por serem tão diferentes. E, ui, se são. Mas gosto também deles pelo que os une. Por serem só um. No meu Amor por eles. Pelo seu conjunto... que depois, se desdobra na singularidade de cada qual... 

 

E pronto, é desta confusão, nada confusa (sim, porque para nós faz todo o sentido do mundo, mesmo que alguns fiquem sem perceber muito bem).. que respira diáriamente o Coração de uma Mãe. Certo?...

 

E era isto... ;)

 

 

A primeira banhoca juntos






Hoje fiz a experiência de dar banho, pela primeira vez aos meus dois sapinhos.

A Matilde já se começa a sentar como uma senhora e por isso, "enfiei-a" numa estrutura própria para o banho que já tinha sido do Afonso.. e não é que ela se portou muito bem?

Enchi a banheira com águinha e espuminha da Mustela, que junta o cheirinho e a brincadeira, acrecentei o balde dos brinquedinhos do banho e... siga para a barrela ;)

O Afonseco é que teve um acesso giro de ciumeira e se queria sentar também na "cadeirinha"... mas depois lá se convenceu que ir " de comboio" com a mana também era muito giro.

Sabem que mais? Os meses vão passando e a vida vai-se facilitando um pouco. Esta, por exemplo é uma conquista do caraças... poder / conseguir dar banho ao mesmo tempo aos dois.... Ui que maravilha e que libertação.

Enquanto os entretenho e eles se vão entretendo um ao outro, eu vou conseguindo fazer umas coisitas em casa..

Pena que não o vá poder fazer até aos 15 anos... Lol... Sim, é que nem quero pensar quando ambos começarem com as descobertas "eu sou menino - tu és menina"... Ui... bem, ainda falta um tempinho... Agora , vou usufruir mas é do momento... e a verdade é que estes dois de "molho" juntos.... são uma delícia e um descanso!!

E assim, se dá mais um passinho em direção à (re)conquista de algum tempo menos stressado ;)

Do you know what I mean, dont you Mummies ???...