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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Ser mãe do meu primeiro filho ( a minha identidade enquanto mulher e mãe)

"Quem és tu e quem somos nós, Afonso Luz"

 

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Tal como te disse no início ( isto que agora lêem era parte de um livro que nunca foi editado, mas cujos textos vou descobrindo por aqui e me vão fazendo sentido aqui pelo blog ...), sempre fui daquelas mulheres para quem a maternidade sempre fez sentido. Talvez para quem me veja de fora, sempre com uma atitude festiva, por vezes roçando até o boémio e independente, não seja, sem dúvida, a característica que mais depressa se me adequa. Mas outra coisa que vais ter que aprender ao longo da tua vida é que “ nem tudo o que parece é”. Mal tenhas idade para ler e compreender, oferecer te ei “ o Principezinho” de St. Exupérie, a metáfora mais simples e bonita de todos os tempos, um livro escrito para crianças mas que serve de inspiração a adultos como eu. Um livro em que entram bichos e homens, sonhos misturados com realidades etéreas . Entre as grandes pequenas lições que o mini herói nos presenteia uma das frases que sempre seguiram os meus passos, avaliações e olhares diz nos que “ o essencial é invisível aos olhos”. E isso, que te fique bem incutido. Porque, acredita que esse é um exercício bem difícil de executar.

 

Pois bem, filha de pais separados . E juntos. E separados. E juntos. E mais uma vez separados… desde pequena que entendi que a família é o que tu fizeres dela. A minha era pequena mas unida. Menos o meu pai, que embora sempre tenha amado, era mais um amigo “ compincha” que aparecia de vez em quando e me levava a fazer uns programas giros do que um pai propriadamente dito. Esse papel, o de padrão e referência masculina, acabou por pertencer mais ao meu Avó Zé, porque era com ele e com a avó Nor que passava grande parte do meu tempo livre. Enfim , eles, a minha incansável mãe e uma outra personagem que ia entrando ou saindo acabaram por constituir o meu núcleo familiar. Nenhum dos os meus progenitores tinha irmãos… por isso, primos directos, casas cheias de miúdos, confusão daquela da boa, da familiar… foi coisa que não conheci. Vivi uma infância entre adultos e a sua sensibilidade e os problemas. E que problemas… Vivi uma infância em que aprendi a dedicar a mim mesma os meus momentos de silêncio, em que as brincadeiras eram vividas por entre as histórias dos livros, as tintas e os pincéis, as mãos sujas de barro e da massa dos bolos da avó e por vezes da companhia da minha amiga imaginária, a Nanita. Uma menina que povoava a rotina do meu imaginário , ruiva e de totós e que me acompanhava nas viagens a outros países e realidades e me ajudava a colorir um pouco mais a minha pequena mas não desagradável solidão de uma infância protegida e despretensiosa.

 

Talvez este isolamento , apesar de não me ter sido penoso, me tenha deixado o tempo mais que necessário na introspecção imaginativa de uma família numerosa cheia de catraios a animarem os meus dias, na antítese completa da meninice do meu arranque de vida e me fizessem desde cedo acreditar que, ao invés da minha família próxima.. o meu casamento iria ser feliz, os meus filhos iriam ser vários e barulhentos e os animais que sempre gostaria de ter tido seriam o elo de ligação entre adultos e crianças numa verdadeira sociedade familiar em plena comunhão, confusão e união… Sonhos de criança. Porque a realidade volta a repetir se. Ou até a sublinhar os erros que não queria já herdar dos meus antecessores e que, por coincidência ou não… pareceram acentuar se , na minha idade adulta, oferecendo me o peso de uma herança não desejada. Claro, que não me posso esconder só e unicamente atrás dessa premissa… mas a verdade é que há Histórias que se parecem repetir. Nomeadamente padrões menos simpáticos nas relações entres as mulheres da minha família e os homens com quem decidiram partilhar a vida ou momentos dela.

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Quem me conhece hoje, ou mais propriamente, quem conhece a minha imagem exterior e pública, não me imaginaria assim criança, tal como to defini. Quantas e quantas vezes, devido ao meu ar mais espalhafatoso de estar na vida, oiço conhecidos e até amigos de momentos mais tardios esboçar comentários do estilo: “ devias ser um traquinas…”. Pobre traquinas … que mais era uma menina imberbe e sonhadora, uma autêntica princesinha em castelos de cor criadas por mim mesma. Uma criança muito sensível à arte ( gosto adquirido desde cedo com as incursões com a minha mãe a peças de teatro, workshops de artes plásticas, aulinhas de ballet e muitas exposições que me foram aguçando a sensibilidade e a vontade). Era também divertida, não te enganes filho, com esta descrição um pouco melo-trágica da minha passagem pelos verdes anos, não. Histórias muitas tenho de partidas que pregava em casa, férias bem passadas no Algarve ou em Coimbra, ou no Banzão, ou em Colares, ou em S. Pedro do Sul ou em Pedrógrão, ou na Ericeira. Na quinta do Freixo, a terras a sul com os meus avós maternos e a minha Bisavó Alice e aí, sim , 4 ou 5 primos mais velhos mas muito activos e malandrecos. E, paralelamente todos os outros Verões até à adolescência, nas mais diversificadas “viagens na minha terra” pelas mãos dos meus avós paternos, que também me marcaram muito nessas épocas de meninice. A referência dos mais velhos… indiscutivelmente. Talvez por isso também o meu grande respeito pelos seniores da nossa sociedade. Sempre, mesmo em miúda, lidei com eles como se outros miúdos da minha idade se tratassem, taco a taco , mano a mano, mas sempre com muito respeito. Tenho agora a certeza de que a presença de crianças e da sua vivacidade na Inverno da sua existência, dos velhos, lhes oferece anos de vida e os desemperra da sua natural preguiça que a idade lhes vai oferecendo. Filho… os avós e bisavós, os tios mais velhos, os professores, alguns Mestres que se cruzam na nossa vida, são da mais inestimável utilidade à nossa alma, aprendizagem e mais tarde.. memória. Depois deles partirem e normalmente, depois de nos ter já passado a mania da juventude de que tudo sabemos ou podemos, aí é altura de reviver alguns ensinamentos desses Seres mais sabidos a que, muitas vezes não ligávamos.546734_320713224665048_1141467837_n.jpg

 

Vou me perdendo em tanto que te quero contar não é? E ainda há tanto, tanto para te oferecer, que desejo que conheças e percebas. Seria meu impossível desejo, aqui te descrever os sonhos, vivências, desgostos e vitórias de todos os nossos antepassados, tão importante foram todas essas vidas mesmo as mais simples. Sabes, nós somos assim, por causa deles. Por causa dos princípios que nos foram sendo passados ao longo das gerações, por causa das suas lutas, devido às suas condições sociais. Aqui temos toda a arvore genealógica e ambas as famílias. A minha e a do teu pai. E tu vais ser um ramo de ambas. Um ramo forte e cheio de nova vida, repleta de pequenas folhas verdes, fortes e frescas que mais tarde darão também origem a outras ramagens e ramificações. Mas só isso, a História dos Nossos me duraria mais uns quantos livros. Tentarei , no entanto, passar te o que de mais importante me passaram também a mim. O que ouvi também da vida do teu pai e o que me parece ser importante para que tu próprio, um dia tires, destas pequenas grandes Histórias de vida lições e paralelos com a vida que hás de viver. É que, acredita, não são raras as vezes, que a força nos vem deles, os nosso anteriores, os seus fantasmas, erros e triunfos. O Ser humano gosta de comparações. E as familiares são fortes como poucas.

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Voltemos ao facto de que sempre me desejei Mãe. Sempre me vi nesse papel e bem novinha me imaginava a sê lo. Tal como a minha mãe, a tua avó Clara, o foi. Lá para os 20 e pouco. Seria para mim um desejo ter uma pequena diferença de idades da minha cria. Talvez por isso tenha casado aos 22. Talvez por isso, tenha até a essa idade alimentado a tal idílica ideia da família tradicional. Talvez por isso tenha sido precoce na minha necessidade de ser uma “ senhorinha”, cheia de negócios e ideias que me iriam concretizar, realizar e sustentar. A mim , aos meus bebés e companheiro de jornada e trazer a virtude da Alegria que normalmente só aos loucos ou aos muito jovens é permitida. Pois, era mais uma louca. Porque afinal essa vontade não foi assim tão fácil de concretizar e a “vida real”, as suas dificuldades, desilusões e o horror de ter que começar a tomar opções muito concretas nos passos da vida, depressa se apresentaram no meu panorama. Divórcio um ano e pouco depois, nada de bebés, cães, casas na praia e felicidade idealizada, e de repente só um vazio… o vazio de afinal não saber bem o que queria efectivamente fazer, ser ou alcançar. E aí lá se foram as certezas. E aí começou o caminho de 10 anos que agora te vou tentar descrever e que tem o seu término, agora aos 33 anos e finalmente contigo, o grande Amor da minha vida no meu ventre. Tardou, mas vieste. E seja porque circunstâncias tenha acabado ( ou começado..) por ser assim, é porque assim teria que ser. E talvez porque Tu, o exacto Ser que aí vem (estávamos em 2010 e ainda nem eu sabia o filho "de Luz" que aí vinha...;))… só agora estaria preparado para surgir. E porque provavelmente também só agora eu esteja preparada para te receber. E assim então, o será.  14079645_1044650995604597_5821636704289138546_n.jp

( se gostarem.. vou continuando a editar o resto que para aqui anda, escondido em pastas, no meu computador... ainda há tanto a desvendar ;)...)

Um resumo rápido de um Amor que nasceu faz hoje 4 anos..

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Faz esta madrugada 4 anos que eu e o Hugo Caetano nos beijámos pela primeira vez! (e nesta foto... o beijo NA BOCA ainda não tinha sido dado imaginem... ;))

 

Durante uns dias eu só conseguia balbuciar de forma irónica entre os meus botões e em conversas com as minhas amigas: "C'um Catano" (em alusão parvinha ao nome do rapaz....;))... " não estava nada à espera disto"... E não estava mesmo.

 

O Afonsinho tinha 10 meses de vida e estavámos a começar os dois a assentar a nossa vida depois de uma gravidez passada sozinha e de uma relação falhada e conflituosa. Durante um tempo, tinha vivido com o bebécas em casa da minha mãe... mas tinha acabado de me mudar finalmente para uma pequena vivendinha "casa de bonecas" pertinho da praia, na zona do Estoril.

 

Estava a refazer a vida. Uma vida de mamã solteira. Orgulhosa... certa de que era o caminho, mas... triste por ter falhado no plano de oferecer uma família ao meu filho e no fundo a mim mesma.

 

E pronto... foi neste ambiente, que... surgiu o primeiro beijo. Numa altura em que "não queria nem saber de homens" (achava eu ....;)), em que estava a estruturar os meus passos, apoiada pela família próxima e me considerava "arrumada" de filhos, com o meu Afonso Luz a fazer as minhas delícias e a iluminar o meu mundo que durante tanto tempo tinha estado na penumbra.

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E pronto... surgiu o primeiro beijo... um beijio que mudou tudo. O rumo da minha /nossa vida curvou assim ali, a fundo, naquele paredão da praia de Carvelos, às 5 e tal da manhã do dia 23 de Setembro de 2011.

 

O beijo, dado depois de um noitada divertida numa discoteca em Lisboa, foi apaixonado, muito... e assim andámos durante muito tempo. Quase como que anestesiados e envoltos em sorrisos. (Olhem só o meu ar na foto de baixo- a data é 8 de Novembro 2011, duas semanas depois de termos grudado um no outro -.. completamente totó e in love ahahha)

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 O Afonso gostou dele. E ele do Afonso. Começaram a ser amigos. A "casinha de bonecas" foi-se tornando pequena... porque agora, os "dois bonecos" que viviam comigo (O Hugo dormia lá tipo 6 dias da semana, ok... para não parecer mal ficar as 7...) já faziam muito alarido, tinham muita tralha, ocupavam muito espaço, davam muitos tropeções. Até porque o Afonso estava literalmente, a começar a andar...

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Começámos a ter certezas. As de que "ninguém aparece na vida de ninguém por acaso" e de que passar tempo junto (e cada vez mais e mais e mais tempo) fazia sentido. Entre sonhos, passeios de Skate, brincadeiras com o puto, idas à praia, momentos a dois, apresentações às famílias de ambos... lá fomos encaixando uma vida na outra... e pouco tempo depois... um barrigão e um novo amor a crescer dentro de mim...quem diria!? Que turbilhão de acontecimentos... e sentimentos...

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Três meses e meio depois do Beijo... A nossa Estrela junta-se ao grupo. Começa o seu feijãozinho a crescer na minha barriga, que já tinha sido a casa do mano e agora era a dela. Loucura!? Sim... maravilhosa e... acabou, depois da surpresa por ser muito desejada. Mudámos de casa, transformá-mo-nos em "família oficial" E pronto... o resto é história já contada...

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Faz esta madrugada 4 anos que eu e o Hugo Caetano nos beijamos pela primeira vez!

 

E que a minha família nasceu, efetivamente, junto com este Amor. Obrigada Universo, pelo que me tens oferecido, desde então. Não é uma família tradicional, certo. Mas é uma família feliz e em constante aprendizagem. E apesar de nem sempre ser fácil e ser preciso muito golpe de cintura , estou-te mesmo muito grata... 

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Nova rúbrica de Domingo : "A Voz é vossa"



Lembram-se que num texto aqui há uns dias atrás vos desafiei a vocês e a mim mesma para algumas mudanças aqui no blog?..

Uma delas eram as rúbricas certinhas e semanais...cheias de novidades e temáticas interessantes para vocês.

Enquanto não organizo a lista final para vos apresentar tudo, qual professora, no quadro para os alunos da classe... vou lançando uma de vez em quando.

E esta??.. Ui e esta... tem mesmo a ver com vocês. Sim, porque vocês é que a vão fazer!!

Juro!! Como?

Passo a explicar:

Muitas são as vezes que vocês, por mail ou mensagens privadas no facebook, me fazem chegar opiniões muito consistentes me formato de texto, textos em forma de crónica, outros retirados de publicações e afins...

Ora, a partir de agora, acho que é perfeitamente legítimo que VOCÊS tenham um espaço para vocês mesmas aqui no nosso blog. Para me enviarem textos que eu, aqui no BARRIGA MENDINHA publicarei.

Falem de tudo. Das vossas histórias, experiências, usem o espaço para publicar uma entrevista feita a alguém que achem que o merece, enviem publicações artistícas, poesia, prosa...eu sei lá, vocês enviam, eu escolho uma ou várias por semana.

Todos os domingos, pessoal!! Sim, hoje é dia de publicar "A VOZ É VOSSA", assim se chamará a rúbrica e durante a semana, receberei através do mail barrigamendinha@gmail.com, as vossas palavras e imagens, que depois, obviamente, sofrerão uma triagem para se apurar o interesse, veracidade, consistência "da coisa"... e assim: O Domingo é vosso!

Gostaram da ideia!? Então vamos lá partilhar e puxar pela cuca amigas/os! Estou aqui também para vos dar a oportunidade de se dirigirem a milhares de pessoas...

A partir de... 1, 2, 3... Agora, podem começar a mandar os vossos textos!

E... antecipadamente... agradeço a vossa dedicação e participação.

Mil beijinhos

Rita

O meu pequeno grande passeio de ano novo...



Já há tanto tempo que não sentia este "cheirinho maravilhoso de tão horrível" nos meus caracóis... Acho que desde a adolescência, quando vinha à pendura da Portela rumo ao Café Roma (que agora é o Mac Donald’s da Av. Roma) com o pessoalzinho das motas... 

Entranhado este aroma a escape e gasolina queimada da Gilera do meu Hugo, que lhe resistiu também na adolescência, a vários pinotes e acidentes e que ele agora recuperou para andar por aí pela cidade. 

Os avós e bisavós fizeram uma visita surpresa cá a casa e quase nos "escorraçaram" para irmos beber um café e ficarem a dar miminhos (sem supervisão lol) à Matilde. Andamos caseiros em demasia e temos pouco tempo para NÓS...

Fomos dar uma volta de acelera, pela cidade do 1 de Janeiro quase vazia de trânsito mas cheia de famílias regadas com as boas intenções do Ano Novo.

Foi o meu "mergulho no mar", as minhas "cuecas azuis", a minha 13ª passa de uva. Passear de acelera de blusão de penas e calças rasgadas, com as mãos nos bolsos do blusão do "meu gajo" e a sentir o ventinho gelado nas pestanas perfeitas ;)

De repente e por minutos deixei de ter filhos e noites mal dormidas, contas para pagar, buscas incessantes de realizações profissionais e questões éticas, estéticas, morais e que tais... problemas de "grandes" portanto...

Voltei a saborear a Rita Rebelde, como me chamou o Hugo ainda há pouco e com ele percorri nesses minutos o meu intervalo de vida dos 15 anos até aqui. Sempre a ser feliz, com a "curte da minha vida", que se decidiu hoje a conduzir-me para ir beber um café.

Bom ano Amor meu. Gostava de te ter conhecido a vida toda e percorrido muita estrada e sonho contigo... Bem... e se calhar, no fundo... conheci...

Agora, que desmontei da mota e voltei à "casa dos adultos" que somos, agradeço ao frio, ao cheiro a gasolina, aos blusões gordos, aos risos, à Avenida de Roma e arredores... esta simples mas intensa entrada em 2013.

Às vezes, um pequeno passeio pode fazer-nos perceber que ainda temos a essência que amamos, apesar do cansaço que a vida nos vai emprestando.

"Fazes parte das nossas veias" Feliz Natal amor!




Há coisa de 2 anos atrás conheci um menino. Mais precisamente há 2 anos e meio. Ele surgiu na minha vida assim de rompante. Chorando um dia, sorrindo o outro, fazendo a minha vida valer a pena, mesmo quando não me deixava dormir e eu resmungava cansada ou quando me tinha que debater com uma solidão típica de mãe solteira.

A esse menino, quis o destino (e a mãe) chamar Afonso Luz. A esse menino ofereceu, também, o Universo, o poder de melhorar o que estava à sua volta e os que estavam perto de si. Era realmente uma Luz.

Digo que o “conheci”  nessa altura, porque, no fundo sempre soube que ele viria encontrar-se comigo, só não sabia bem quando, nem como, nem em que condições. E ele veio. Na altura certa. Porque mesmo com dificuldades, a  altura em que se conhece o Amor incondicional só pode ser a única, a hora certa e... a nossa própria mudança acontece. Eu era uma pessoa diferente da que sou hoje. Tão diferente. A essência era a mesma, mas as prioridades, sonhos, passos e decisões tomadas eram radicalmente ao lado. Foi o meu abrir para a vida eterna. Sim, porque, como me disse um dia uma amiga, "Ser mãe torna te Eterna“...

A minha gravidez foi passada num misto de solidão repleta de sonhos e instabilidade emocional mas certa de que aquele era o caminho. Sem o pai dele por perto, devido a uma opção muito pensada mas sofrida, desde cedo este menino ainda me ficou mais colado à pele. Ao coração. À vida, que deixou de fazer sentido sem ele.

As dificuldades logísticas, profissionais, até familiares existiram nesta fase. Como existem quase sempre na vida de uma artista, freelancer, que vive mês a mês procurando a realização pessoal, profissional e financeira. Mas agora era Ele o meu centro.

O apoio familiar (Mãe e irmã principalmente) foram essenciais nos primeiros tempos. Senti-me um pouco menos sozinha e tive com quem partilhar o medo que sempre me assombrou de que me tivesse que separar deste meu novo e intenso Mundo. O meu filho, o seu cheirinho, o seu palrar, a sua alegria, as suas descobertas, que eu queria sentir e acompanhar dia a dia perto de mim.




Mas cedo vieram as visitas ao pai. A opção foi minha e tinha, por isso, ainda mais que respeitar estas saídas apesar de ficar com o coração na boca. Sabia que, ao ter tomado este caminho, o da separação (acredite, quem me aponta o dedo que não havia outra opção. Uma criança não deve ser submetida a discussões e ambientes tensos e impróprios), o pai teria o direito de o ver, visitar, levar para sua casa, passar tempo com ele. Ele seria também importante no seu desenvolvimento e descoberta emocional. E assim foi. 

Logo aos 2 mesinhos, o pai começou a passar fins de semana com ele e, mesmo a saber que ele era bem tratado, amado, acarinhado... não só a minha alma, como os meus olhos ficavam muitas vezes a chorar: Sou mãe, não consegui conter este sentimento.






Dois anos passaram. Para mim, parece pouco tempo mas não me posso esquecer que para o meu bebézão.. 2 anos equivalem à sua vida inteira. Uma vida que já passou por tanto, mas que eu tenho a certeza de ter conseguido proteger das confusões, más energias, discussões, tristezas. 

Tem crescido saudável e aprendido tanto. Sinto-me tão orgulhosa dele. E acho que, no fundo, também de mim, que ao passar pelas “minhas“ tempestades o tenho deixado sempre debaixo do telheiro, a ver a turbulência passar ao largo sem se aperceber sequer do que se passava...

A “pessoinha” que se está a tornar é muito bonita. Já a descobrir princípios, a distinguir o correcto do incorrecto a entender quem o ama e a saber como lidar com uma Mãe e um Pai que não vivem juntos. Um “Papi“ e amigo que o adora e que é pai da nova mana que nasceu na sua vida, uma tia que está na casa que também é a dele fim-de-semana sim fim-de-semana não... vários avós... uns biológicos, outros de coração, primos, amigos... enfim... a verdade é que lá se vai, para orgulho da Mãe adaptando e sendo feliz!

Chegámos agora ao Natal. O 3º da sua ainda curtinha e intensa vida.

O 1º passou inevitavelmente junto a mim, ainda o amamentava, tinha só 2 mesinhos. Vestiu se com um baby grow de pai Natal e foi... O ano da Mudança. 

O 2º Natal também esteve só por cá, porque o Pai estava a viver em Londres e mais uma vez, a casa da minha mãe e os nossos mais próximos acolheram a nossa felicidade no dia 24. No dia seguinte, a 25, foi o primeiro contacto, com aquela que viria mais tarde a ser a nossa família de coração, a do pai da Matilde (no ano passado ainda nem sonhávamos que iríamos ser pai deste doce de menina um ano depois...). O Afonso começou, nessa altura, a entender que o Natal era uma época diferente,  de festa, de união.




Mas este ano a época será diferente. Pela primeira vez, o meu caracolinhos vai passar esta quadra longe de mim. Com toda a legitimidade do pai e da sua família, que depois da incursão no estrangeiro, está a estabilizar a sua vida e como tal a firmar laços com o seu filho. E ainda bem. Racionalmente, é obvio que prefiro um pai presente e que o ame do que um ausente e que não se importe. Emocionalmente... não deixo de sofrer com a sua ausência.

Este ano, a vida e as escolhas da mesma, trouxeram-me uma Estrela, a Matilde. O meu segundo filho, a família que sempre desejei... os amigos e familiares dizem-me: “Não fiques triste no Natal, agora tens a Matilde...”. Quem diz isso, não entende que ela não o substituirá, nem o contrário nunca acontecerá. Acontece-me pensar, com algum sentimento (acho que compreensível) de culpa, se a Matita será mais feliz que ele só porque tem os pais juntos, porque vivi uma gravidez lado a lado com o seu pai... 

Sinto-me, num primeiro momento impotente e instável neste género de emoções, mas depois, percebo que não posso fazer nada, a não ser dar-lhe a educação e as explicações adequadas para que ele saiba lidar com isso (e também a irmã, que chegará a uma época da vida em que não perceberá muito bem porque é que o mano não está sempre presente, porque é que tem outro quarto e outra casa e outros pais, porque é que às vezes têm uma vida tão parecida e outras vezes tão diferente).

Os Natais, por exemplo. Este Natal, tão estranhamente ambíguo para mim. Tão mais triste por não ter o meu Anjinho de Luz ao meu lado. Tão mais feliz por estar acompanhada com a nova Estrela do meu Céu. Um filho longe. Um filho perto. UM só coração para viver as duas realidades.

Mais um ensinamento da vida, que a mim, sistematicamente,  me tem ensinado da forma  mais irónica, curiosa, kármica e ambígua que... não podemos ter tudo. Eu pelo menos, não posso. Nunca pude. E agora só o sublinho de forma mais dolorosa mas também mais tranquila. Uma dor madura  que tenho que aceitar para que todos passemos bem por tudo isto.

O meu coração sofre porque o Afonso não está comigo. Foi embora hoje e só voltará na 3a-feira, depois da noite de Natal, da consoada. Sei, no entanto, que ele estará contente e entretido na família do pai. E isso apazigua-me um bocadinho. No fundo ser mãe também é isto: Nunca mais seremos um Ser à deriva sozinho por aí a navegar no mundo com as suas próprias e egocêntricas decisões. Nunca mais estamos sós. Para o bem. E para o mal.

Amo-te  muito meu Filho.

Feliz Natal para ti! Desejos do núcleo duro cá de casa, deste lado do teu coração... Estarás a cada minuto no coração. 

Fazes tão parte de nós como as nossas veias.

NEW BABY AT HOME...

1a semana com um novo Ser em casa...

O leite a subir, o rescaldo do trabalho de parto (dores, pontos, cansaço...), o Amor e namoro com o nosso bebé, tão poucas horas de sono, a atrapalhação na hora de ver que falta qualquer coisa cá em casa (soro, mantinhas ainda por lavar, fronha para a almofada...), a preocupação (quase obsessiva) com a amamentação - horas, quantidade e tempo de leitinho que bebe, dores do peito... tanta coisa depende disso.

Convidados cá em casa, visitas (muitas), arrumação da casa (quando me apetece aproveitar todos os minutos para dormir uma sesta). A corzinha amarela de itrícia que sei que é usual em muitos recém nascidos, mas que como recém-mamã nos preocupa sempre.

A barriga! Ah, no meio de tudo isto, manter os abdominais semi apertados a maior parte do tempo ao longo do dia, e usar a faixa que afinal percebi que para mim (que não engordei assim tanto) me faz sentir mais confortável.

O cheirinho da minha bebé... hummm... e a sesta nos meus braços. Nos braços do pai ;)

O Afonso a chegar de casa da avó, a gostar da mana, mas achar tudo isto um acontecimento que não entende bem, (até cantou os parabéns a ele mesmo, acho que por achar que está sempre em festa e de casa em casa). Quero assentar rapidamente arraiais para que ele se adapte ao dia-a-dia... Aí sim, vamos perceber tudo.

O trabalho que ficou pendente. A falta de tempo para escrever no blog, as propostas de eventos que ficaram em stand by, as respostas aos simpáticos mails de felicitação a que ainda não consegui responder... A música, os projetos que ficarão agora em águas de bacalhau...

Lidar com o teu companheiro, que ora te entende, ora acha tudo tão estranho e novo que te faz sentir sozinha "nisto tudo". Saber perceber o que é real, o que é carência, o que é cansaço...

Esta 1a semana é confusa. Boa, muito boa. Mas confusa, muito confusa. E não é por ser a 2ª vez que sou mãe que deixa de acontecer. Algumas preocupações são as mesmas. Outras, são novas, tão novas que ainda estou a tentar perceber como vou " desenrolar os nós" e encontrar as pontas.

Partilho tudo isto para vocês, porque ser Mãe é grandioso. E engloba tudo isto.

Quem "está comigo"? Quem sabe do que falo? E quem não sabe... prepare-se. A vinda de um filho para casa é simplesmente BRUTAL (a todos os níveis ;) )

O que vale, é que ter um filho/a é ter UM AMOR SEM EXPLICAÇÃO! Tudo se aguenta...

Os filhos mudam tudo...

Decidi transcrever na íntegra um texto que me “ bateu“ muito.

Principalmente por ser escrito por um homem, porque as mulheres, como já se sabe, costumam ser mais indagativas acerca destes temas e pensam muito sobre as coisas e teorizam... às vezes até demais.

Mas assistir assim a esta catadupa de conselhos, divagações, constatações e preocupações saídas da cabeça de um homem faz nos pensar que ainda nem tudo pode estar perdido.  A humanidade ainda pode ter conserto. E as relações entre homens e mulheres também...

Ter filhos, passar por uma gravidez “a meias”,  mudar totalmente de vida, não se trata só das histórias cor-de-rosa que muitas vezes se veiculam (no fundo, talvez até também para animar a ”a coisa”). 

Muitas vezes surgem situações, pensamentos, medos, realidades dificeis de gerir. Ao ponto de haver cada vez mais casais que se separam durante a gravidez ou logo depois de terem um bebé.

Leiam e absorvam com a emoção que eu absorvi.

E já agora, se não conheciam este blog... não perdem nada em espreitar que é muito bom. Cá fica o link :

http://oarrumadinho.clix.pt/

Até logo e boa leitura :)



"Os filhos mudam tudo.

Deve ser uma das frases que mais oiço a pais vividos, quando em conversa com os pretendentes a papás.
E na verdade os filhos mudam tudo.
Há quatro dias, uma das minhas melhores amigas foi mãe.
Há três dias, um dos meus melhores amigos, que foi pai há uns meses, separou-se.
A ela tive de dizer que os filhos mudam tudo, e alertei-a para muitos perigos de quem já passou pelo nascimento de um filho; a ele tive de dizer que os filhos mudam tudo, e tranquilizá-lo quanto ao futuro, porque também já passei por tudo o que ele está a passar.

Hoje, acho que os filhos mudam tudo, mas tenho a certeza de que é fácil ser-se feliz com a nova realidade que nos bate à porta de um dia para o outro, e que nos rouba muitos momentos fantásticos a dois, substituindo-os por outros que podem ser ainda melhores, mas a três. E o mais importante de tudo é mesmo ter a noção do que se vai encontrar, perceber o que vai mudar, ter consciência do trabalho e das privações que vamos ter pela frente, e estar preparado para todo esse mundo novo.

A maior parte dos casais que se separam após o nascimento de uma criança não sabem lidar com esse mundo novo. Não o dominam – deixam-se dominar; não o enfrentam – anulam-se; não percebem que a vida deles não acabou – está apenas a começar num novo formato.

Os medos delas

Homens e mulheres têm posturas diferentes relativamente à questão da gravidez/nascimento da criança. Já assisti a imensas discussões sobre este assunto e quase todos batem nas mesmas teclas.
Elas sentem-se mal com o corpo, porque engordaram como nunca e têm borbulhas, e tornozelos agigantados. Sentem-se mal de saúde, porque estão muitas vezes enjoadas, e inchadas e com dores de costas. Sentem-se com a auto-estima em baixo, porque se acham feias e desinteressantes. Sentem-se amedrontadas, porque têm medo de falhar, têm medo do desconhecido, têm medo de não corresponder ao que lhes é exigido, têm medo de não saber tratar de um bebé. Sentem-se inseguras, porque acham que os parceiros já não as acham sexy e vão querer saltar para cima da colega de trabalho. Sentem-se perdidas, porque já não estão a trabalhar, mas também ainda não têm assim tanta coisa para tratar relativamente ao nascimento da criança. Sentem-se receosas, porque fazem contas à vida e começam a perceber as despesas todas que vão ter. Sentem-se pressionadas, porque os pais e os amigos estão sempre a dar palpites sobre o que elas devem fazer e não fazer.

Na verdade, tudo isto gera, muitas vezes, depressões pré ou pós-parto. Há casos, até, de depressões pré e pós parto, que podem durar por um período indeterminado. Mas como qualquer doença, também isto se cura. O problema maior é mesmo que o doente reconheça que está doente, e esteja disposto a tratar-se, o que nem sempre acontece.
Grande parte dos conflitos entre os casais que têm ou vão ter o primeiro filho advém de algumas destas fragilidades e mutações por que o casal passa. 

O papel deles

Ao homem cabe o papel de tentar, de alguma forma, tranquilizar a mulher, ajudar em tudo o que lhe for possível, não deixar que ela entre em pânico, continuar a dar-lhe provas de amor e, também ele, começar a preparar-se para a tal nova realidade que aí vem e que lhe irá, seguramente, alterar rotinas, prioridades, sonos, programas.
Sinceramente, acho que só é possível superar todas as dificuldades relativas ao nascimento de uma criança se a relação entre o casal for muito forte, cúmplice e assente em amor, amizade e companheirismo. Se uma qualquer destas coisas começa a faltar, o mais provável é a torre vir abaixo. Se o amor já é fraco, ou ainda não é suficientemente forte, a vontade de parte a parte em superar tudo e muito menor. Se não há companheirismo, perde-se o respeito, e sem respeito vai-se o amor, e sem amor vai-se tudo.
Este é um jogo de equilíbrios delicado que assusta um bocadinho, mas que todos devem estar cientes de que existe. Mas se decidimos que vamos a jogo temos, os dois, de conhecer as regras.

Os pais que se anulam

Outro dos maiores problemas após o nascimento da criança tem a ver com o facto de muitos pais deixarem-se anular por completo. Deixam de fazer tudo, mas mesmo tudo, por causa da criança. Não há cinemas, não há férias, não há jantares de amigos, não há saídas a dois, porque primeiro está o bebé. Naturalmente que quem nunca teve um filho fica assustado com essa tal realidade nova, não sabe o que fazer, mas por isso disse antes que é preciso conhecer as regras de jogo, e as regras de jogo dizem que é preciso ter bom senso, é preciso ser adulto, é preciso perceber que sem momentos de felicidade a dois (ou até sozinhos - porque também precisamos de tempo para nós, homens e mulheres) jamais haverá momentos de felicidade a três, porque a união quebra-se, porque ninguém é feliz, porque deixou de haver um amor entre três pessoas, e passou apenas a haver uma mãe que ama um filho, um pai que ama um filho, e não há um pai que ama uma mãe, apenas um homem e uma mulher que tratam de uma criança.

O sexo

Pode parece estúpido ou até uma falta de sensibilidade falar de sexo nesta altura, mas a sexualidade também desempenha um papel fundamental nesta fase da vida de um casal que vai ter ou teve recentemente um filho (“lá estão os homens a pensar no sexo, e sempre a pôr o sexo à frente de tudo”, vão pensar algumas leitoras). Quando falo de sexualidade falo sobretudo de intimidade. A baixa auto-estima das mulheres leva a que muitas vezes se afastem dos companheiros, que recusem todos os contactos ou aproximações mais íntimas. As hormonas também têm aqui um papel importante, é evidente, e os níveis de desejo podem baixar significativamente. Mas uma coisa é não ter desejo, outra é afastar-se sexualmente do companheiro durante três, seis, nove meses, ou por vezes durante mais tempo. Não chega dizerem-nos “Olha, amanha-te, porque agora tive um filho teu e não me apetece”. Da mesma forma que os homens têm de perceber que nesse capítulo as coisas são diferentes, as mulheres devem entender que não podem, pura e simplesmente, deixar de existir enquanto mulheres e passarem a ser exclusivamente mães. Muitos amigos meus queixam-se disso mesmo: “Agora já não tenho mulher, tenho uma mamã lá em casa”. E isso é outro dos factores que levam ao afastamento entre os casais. O sexo é uma forma de aproximação entre os casais em qualquer altura, é um momento de intimidade e amor. E quando isso se vai, lá está, tudo o resto pode ruir.

Um filho muda tudo.
Mas pode ser a melhor coisa do mundo para um casal.
É só ser crescidinho, ter bom senso e muito amor para dar. Ao filho e ao parceiro ou à parceira."

Publicada por O Arrumadinho 

2 anos depois...

Gosto tanto de ser mãe. Mas gosto tanto de ser DJ também ;)



Faz-me falta a Música. A batida. A vibe. 

Fazem-me falta os phones colados aos ouvidos e que me dizem estar demasiado altos, ao que faço, ouvidos moucos.
Fazem-me falta os braços no ar, os assobios e os olhos fechados à minha frente.
Fazes-me falta tu. E tu e tu. Que tão bem já conheces a cadência da música, as suas quebras, o seus arranques, os seus pontos mais altos. E que na hora certa cantas o refrão, te contorces na tua estranha forma de dançar, sorris enquanto a tua mente viaja longe. 
Fazem-me falta os teus olhares críticos para dentro da cabine a apreciar o meu trabalho. Fazem-me falta os teus outros olhares de admiração enquanto atentamente me acompanhas no mix  e a brincar com os efeitos da mesa de mistura.
Faz-me falta os DJs residentes rezingões. Fazem-me falta os bacanos, os de quem me torno amiga e os que embirram comigo até mais não. Ambos fazem parte do encanto da coisa…
Faz-me falta o Grave da sala. A prova de que o PA é ou não é bom. Aquele tom que nos faz estremecer por dentro. Que nos leva de novo à nossa mais básica existência, às nossas raízes, à tribo que são os nossos vasos sanguíneos, onde dançam ao seu ritmo gordo e forte, glóbulos brancos e vermelhos em plena harmonia.
Faz-me falta, muita falta, dançar. Ondular o corpo, deixar a mente vaguear. Deixar que a energia que me escapa por entre os dedos e sob o pé que vai batendo de acordo com o pitch no chão, se espreguice até aos cabos que alcançam o equipamento de som que inunda a sala de corpos que como o meu se abanam ao ritmo de uma batida. Faz-me falta o Groove.
Faz-me falta o meu Bushmills com Ginger Alle para engolir  junto com as primeiras malhas da noite, e o exercício de ludibriar os bem-parecidos empregados do bar que me levam shot atrás de shot à cabine e que depois do brinde da praxe, tenho inevitavelmente que mandar para o chão ou oferecer a qualquer um simpático que esteja a passar… 
Faz-me falta apanhar um ou outro pifo…
Faz-me falta conseguir não ter sono (agora tenho sono até 10 minutos depois de acordar…) e aguentar-me até de manhã sem piscar os olhos e com uma energia que só quem me conhece mesmo presencia. 
Faz-me falta, no seguimento das noites compridas, o voltar para casa ao som de um grande deep house ao volante do meu carro ou tê-lo de portas abertas e de chill out como pano de fundo de um maravilhoso nascer do sol numa qualquer falésia ou parque de estacionamento de uma qualquer parte do país. 

Faz-me falta tanta coisa desde que decidi abrandar com o djing e com as saídas à noite… Mas uma coisa é certa, tudo tem valido a pena para que a minha gravidez, quase a chegar ao termo me traga até mim a mais fabulosa das miúdas. E eu tenho feito tudo certinho para que seja saudável e feliz e com toda a certeza amante de música.
A verdade é que “A distância faz ao Amor aquilo que o vento faz ao fogo: Apaga o pequeno e inflama o forte”, por isso, junto com a ansiedade de ter a minha filha nos meus braços está a vontade do regresso. Porque tal como um amante à séria que vive numa terra diferente da minha, a Música electrónica está-me no sangue e intervalo neste relacionamento será uma mais valia na nossa ligação futura. 
Até lá… Desejem-me uma “ hora pequenina”. De um mês a esta data já devo ser mamã da Matita

"Carta de Amor" de uma Avó acabada de nascer



Digam-me se existe melhor do receber uma  carta de Amor? 

Já não é uma coisa habitual e no fundo, hoje em dia já existem muitas outras formas de mostrar dedicação, atenção, carinho, saudade. Mas uma carta... é uma carta. E quando é recebida de forma tão sincera e surpreendente ainda mais bonito se torna.

Quando comecei o meu namoro com o Hugo, o pai da Matita, o meu Mundo mudou totalmente. Ou antes, começou a mudar. As coisas foram graduais, as alterações vireram... gostava de dizer que devagar... mas no fundo foram em catadupa essa é que é essa.

Mas no fundo,o que é o tempo? Um registo para medir as emoções? A verdade é que a chegada dele foi um furação, ah isso foi. A “nossa” gravidez uma surpresa e o acrescentar/misturar a vida de cada um de nós na do outro um grande desfio e novidade.

As famílias “chegaram” entretanto. Conheci a dele com timidez, ele entrusou-se com a minha. E às vezes, as coisas não correm bem, não são tão imediatas. Uma relação pode rolar sem essa empatia, mas a verdade, é que é diferente, tão diferente quando as famílias se tornam unidas e há um verdadeiro sentimento de união, aceitação e Amor.

Comigo aconteceu. Supreendente e naturalmente. Gosto muito dos meus “sogrinhos”, da mana Filipa, da avó Irene, dos avós Caetanos... São um verdadeiro clã por que me apaixonei. E o Afonso, então, nem imaginam.

E que sorte tivémos. Não nos esqueçamos que a sociedade actual “fabrica” muitas frases e depoimentos bonitos mas também muita hipocrisia e palavras ocas. A verdade é que sou mais velha que o Hugo e mais “vivida”, a verdade é que surgi na sua vida com um filhote pequeno vindo de uma anterior relação, a verdade é que carrego uma exposição pública que nem sempre é agradável a uma vida tranquila e estável. E a verdade é que  sem demagogias, eles, mesmo assim, nos Amam!

Eu e o Afonso, aproveitamos estas linhas para vos agradecer e dizer que retribuímos. Obrigada por se estarem a tornar também vocês, em conjunto com o “nosso lado” a nossa família. E obrigada Avó Cinda pela simples “carta de Amor” e dedicação que acabámos e receber.

Aqui fica e a transcrevo toda babada :


Vou ser Avó

Hoje acordei com muita vontade de escrever esta nova experiência, ser Avó.
Só posso resumir numa única palavra palavra, "AMOR". 


Esta nova fase apanhou-me de surpresa. Foi tudo demasiado rápido, mas eu não sou ninguém para criticar, pois na minha vida também tudo aconteceu da mesma forma.

Vou ser Avó aos 47 anos e parece-me realmente muito cedo, mas a culpa disso é só minha. Quem me manda ser Mãe aos 20 anos!

Lembro-me perfeitamente de como a minha mãe reagiu, sim também ela foi Mãe aos 20 e ia ser Avó aos 40, foi um choque mas lá foi correndo... Com o decorrer dos meses habituou-se à ideia e foi uma verdadeira loucura quando o meu filho Hugo nasceu. Agora vai ser Bisavó imaginem e aguarda com muita alegria o nascimento da Matilde.

Também eu, no ínicio fiquei um pouco confusa, foi tudo muito rápido. Fui assolada por um turbilhão de sentimentos, "Vou ser Avó meu Deus”!  não me sentia com idade para isso, mas ao mesmo tempo adorava a ideia,estava entusiasmada.

 Houve entretanto um ser muito especial, que fez “o favor” de me começar a chamar Avó e me despertou para tudo isto. Sim Afonso Luz, eu sinto-me realmente tua Avó e simplesmente adoro. És muito especial e teres aparecido assim na nossa vida foi uma dádiva.

Agora resta-me esperar o nascimento da minha neta Matilde, que emoção... Já só faltam 2 meses e a ansiedade aumenta. Quero vê-la, olhar o seu rostinho, pegar-lhe e dizer-lhe, "És a minha neta e eu amo-te", este Amor nunca o senti, vai ser diferente e intenso com toda a certeza. 

Depois resta-me esperar que cresça, acompanhar de perto o processo com todo o amor quando esse dia chegar, não sei como vou reagir na realidade, não sei se vou rir ou chorar... só sei que será de emoção e qualquer das reacções repletas de Felicidade.

Obrigado Hugo pelo filho que sempre tens sido.

Obrigado Rita por teres entrado na nossa vida e pelo fato de a tornares muito mais completa e feliz.

Obrigado Afonso por teres feito nascer em mim este novo e lindo sentimento.”