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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O porquê de achar que os meus dois filhos "têm" que andar na mesma escola...

Quantas vezes digo , principalmente aos mais próximos, que não se ofendam se lhes escrever um mail ( ou uma carta em tempos idos), em vez de lhes ligar a falar cheia de intenções mas a ser interrompida com perguntas que me acabam por desfocar o cerne da questão, confundindo o pensamento. É-me mais facil expor a mim, e aos outros "ouvir" o que escrevo. Principalmente se o tema for sério. E este, é.

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Este texto, talvez as tenha (a essas pessoas do meu núcleo e que muitas vezes me levam pouco a sério, talvez pela proximidade que me têm...) como leitores finais (as voltas que uma pessoa tem de dar para ser levada a sério lol), mas também anseia na vontade de que ajude outras mães, outras famílias que passem pelo mesmo (aparentemente fácil de resolver ) dilema que concerne como desejamos  efetivamente que o nossos filhos sejam educados e principalmente sob que princípios. A  pedagogia das escolas pode mesmo moldar as personalidades dos pimpolhos,  mais do que as próprias famílias ( não nos esqueçamos que eles passam no mínimo 8 horas, no recinto escolar).

  

Ora bem, escolhi uma escola que considero "especial" para o meu filho, um bocadinho e maravilhosamente "out of the box". Fi-lo, agora na sua entrada, há uns meses na primária e não podia estar mais feliz com a dita resolução. Respeito todas as escolhas, ou quase todas, porque as que de que "dá mais jeito" não pegam, pelo menos para mim. Porque ser mãe de alma e coração é isso mesmo, desviar rotinas, acordar mais cedo, fazer mais quilómetros e escolhas conscientes de onde se vai gastar menos dinheiro ( a minha vénia de coração apertado para quem, mesmo querendo não tem mais por onde esticar os ordenados e isso sim, é tão triste...) para gastar mais na mensalidade da escola dos miúdos ou no gasóleo que se gasta até lá. 

 

Conheço todo o tipo de mães e de famílias, desde as desplicentes em que o que interessa é a comodidade pura e dura ( a escola é a dois passos de casa e tem ATL até as 19h? Bora! É isso mesmo!..), aquelas que acreditam que o ensino público é o que melhor prepara para a "vida real" (eu andei em públicos e considero ter sido efetivamente bem formada, mas é "à sorte"... tanto pode correr muito bem, como muito mal), passando pelas "elitistas" dos colégios de renome ( para mim cheios de regras , castigos e quadros de honra que considero desnecessários) em que "quanto mais caro melhor" e ainda.... as mais "alternativas" para quem o ensino mais "livre" é o melhor para o crescimento da criança ( mas que, na minha opinião de "tao perfeitos" acabam por formar crianças desadaptadas da sociedade em que vivemos).

 

Para mim, nenhuma das situações anteriores era a que procurava, confesso. Sublinho que respeito quem tome determinada opção por acreditar que está a fazer o melhor pelos seus filhos, no entanto, olhando para a personalidade do meu filho em particular, para as suas questões colocadas ao mundo, para a sua forma de estar: criativa, artística e pouco comum para um menino da sua idade, pensei  e repensei no tipo de pessoa que quero que ele se vá tornando. Percebi que as pessoas ( professores e outros alunos) que o irão rodear, especialmente nestes 4 anos de escolaridade básica, irão ter uma influência extrema no adulto, nas ideias, nos comportamentos e na forma como se vai posicionar, olhar e principalmente intervir no mundo e a partir daí... a minha direção  e vontade começaram a moldar-se e eu a procurar o que me parecia coerente com esta minha/nossa procura de estar e aprender.

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Escolhi (a algum custo pessoal e financeiro - qualidade de vida- que muitos conhecem) aquela que achei ser "A" escola. Uma escola privada mas com uma filosofia tão interessante e afastada da maiorida daquelas que eu acho serem mais "fogo de vista" e "fama" do que outra coisa. A pedagogia que escolhi para ele ( e.. ja lá vamos, também desejo para ela, por razões diferentes,mas no fundo tão iguais...)  tem por base o Movimento da Escola Moderna , adaptando-a, no entanto, à essência e o respeito pela individualidade de cada criança e a sua ação interventora no mundo que a rodeia ...

 

Por exemplo, nesta metedologia: os meninos devem adquirir conhecimentos através da experiência vivida (eles próprios fazem os seus livros de estudo e aprendizagem) e não através de manuais escolares iguais para todos, como acontece na maioria das escolas e colégios, devem experimentar para saber, mais tarde que caminho  seguir, sem nada lhes ser formatado... (atenção, que existem regras, sim senhor... mas não, não existem castigos, algo que é uma luta constante da minha parte como mãe, da qual tantas vezes saio frustrada, por saber que a maioria acha que "assim é que se educa", e me criticam por ser " da conversa" e não " da mão firme").

 

A educação vai resultar da interacção indivíduo-ambiente e é aí que a escola é tão importante. Entendem?



Sabemos que numa sociedade em mudança como aquela em que vivemos, a simples transmissão de conhecimentos é  já insuficiente.A criança precisa de desenvolver plenamente a sua capacidade de iniciativa, de criação, de pesquisa, de solidariedade. Só assim ele poderá ser capaz de se adaptar, de intervir e também de transformar. E é esta ação educativa, que a ser bem conseguida, dará, mais tarde, ao adulto a possibilidade de se auto-realizar e simultaneamente de formar uma consciência social atuante. Sim.. atura.. naõ ser mero espetador e crítico...  que disso já há demais...

 

E sim... 4 meses passados... sinto que acertei na mouche! O Afonso ama ir para a escola, os seus colegas têm interesses um pouco mais abrangentes do que " os desenhos animados, as marcas, as tecnologias", existe uma cumplicidade muito gira entre encarregados de educação, a escola tem relativamente poucos miúdos e é super familiar, os pais não são de todo endinheirados ( vêem-se tantos a levar os miúdos em carros de 1990 lol... o que me faz sublinhar, mais uma vez que as prioridades são diferentes nas famílias que preferem investir na educação ou investir na aparência..) e... toda a "diferente pedagogia" que é veiculada com a minha alma de mãe na perfeição. Quem me dera a mim, pequena Ritinha solitária (fui filha única até aos 15 anos) e criativa ter andado numa escola assim. Existem ateliers de expressão dramática, plástica, ginastica desportiva, dança, piano, yoga, modelagem, culinária, leitura... um mundo a ser explorado, que a mim, quem me dera, ter tido assim acesso em tão tenra idade.

 

Vamos agora ao essencial deste texto (ou não, porque para mim, explicar que o que acredito e desejo para a preparação emocinal e intelectual dos mues filhos é tão importante que se me cola às principais decisões de vida, é essencial também.): A Matilde, que está ainda na pré-primária mas que eu quero tanto, já para o ano inscrever no mesmo espaço com o irmão e que parece estar a ser dificil de aceitar por quem me rodeia. Oiço opinições como : " mas vais para tão longe", "ela não está bem aqui?", "vais pagar mais do dobro, faz sentido?", " e ainda fazer as refeições e a marmita?", "ela não podia ir para um público!?" "... "e para o colégio católico onde já andou grande parte da família!?..."

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Ora bem, mesmo podendo e tendo argumento pronto para cada uma das questões acima colocadas ... a preocupação central é antes esta: Os meus filhos e a sua vivência em família e como irmão é demasiado importante, para que crescam por caminhos separados, por direções opostas, por pedagogias distintas, com princípios e valores que não são os mesmos. Se um estiver numa escola que se centra na comunicação e individualidade e outra numa que se pauta pela competitividade e que acredita que "fazermo-nos ao mundo" é ser duro e concorrêncial... se de um lado não existirem castigos mas sim responsabilização dos atos e do outro, existirem duros  corretivos e reepreensões... que irmãos estou a criar? Que pessoas tão diferentes serão eles? Mais ainda.. que mãe seria eu, ao permitir que um filho crescesse "assim" e outro crescesse "assado"? Será assim tão dificil de entender?...

 

Sim, as crianças são diferentes e uns " precisam de uma coisa e outros de outra", mas aqui entre nós, sejas criativo ou assertivo, tenhas aptidão para as artes ou para os negócios, sejas um miúdo tranquilo ou um miúdo mal comportado... não será que numa forma de educar onde a tal individualidade a sua aceitação é o essencial, o mais importante, ao invés de existirem regras iguais para todos seja brutal para minimizar diferenças? Já em casa fujo disso e tantas vezes mal interpretada... quanto mais na escola. Se um se porta mal, não têm ambos que ser repreendidos, não senhora...tal como quando um faz algo merecedor de elogio, não se vai elogiar os dois "só porque sim"... 

 

A verdade é que quando se cresce para lados diferentes é, depois, muito difícil recuperar a empatia e sintonia. E é isto que eu quero estimular., "oferecer-lhes". E é por isso que, sim, quero a Matilde Estrela a acompanhar o Afonso Luz na pedagodia em que acredito, pois  ao perceber o quanto a pode ajudar a gerir as suas frustações e raivas (as famosas birras da menina) sei que só a estou, também eu a ajudar. Quero amá-los de forma igual, quero "esforçar-me" por ambos de forma igual, quero sentir que as suas rotinas de aprendizagem são linguagem que ambs reconhecem e mais.... quero que eles ( também pela ajuda dos valores e forma de estar que escolhi para ambos, na escola onde estarão os anos mais importantes da sua vida) crescam a ser os Seres Humanos que sonhei e saber, que do meu lado, tudo fiz para que isso acontecesse ( depois... fica do lado deles... mas a Mãe deu o seu melhor, não deixando no "deixa andar", ou " dá mais jeito" a mão do futuro de ambos os manos, que mesmo ao serem tão diferentes podem e devem ter os mesmos valores).

 

Termino este texto, dizendo que esta é a explicação de um coração ( e também de uma cabeça) de Mãe plena e que respira os seus filhos. Que  esta não é necessáriamente "A" verdade e que cada decisão familiar terá a sua razão e história, mas que esta  é a "Minha" verdade. E que, ao menos agora, me consigam entender não achando que  ter a Matita no mesmo colégio do Afonso é um capricho,  só "porque sim", mas é, para os meus filhos, essencial para um futuro em comum e para que se desenvolvam e amadureçam como seres humanos, olhando para a mesma direção e não em direções opostas.

 

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E pronto, minha gente, cansada de não me ouvirem e entenderem, será que ao lerem, já o conseguem fazer?... Acredito que depois da melhor prenda que ofereci um ao outro, que foi... a presença de um irmão para a vida ( ser filho único na infância... sucks;))... esta é a segunda melhor prenda que lhes posso oferecer, enquanto família: a mesma "escola" ( fisica, pedagógica e simbólicamente falando), o mesmo direito à existência, o mesmo crescer ...

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