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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O Carnaval que temos vem de onde, afinal?

 A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne ( ou seja: eu ando em Carnaval o ano inteiro lol) . O significado, tem a ver com atradição que está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.

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 No entanto, muitas são as teorias e opiniões sobre a origem do Carnaval ( mesmo ainda sem esse nome) Mas numa ideia todas elas convergem: a transgressão, o corpo, o prazer, a carne, a festa, a dança, a música, a arte, a celebração, a inversão de papéis, as cores e a alegria, fazem parte da matriz genética de uma das manifestações populares mais belas do Mundo.

 

Provavelmente terá tido origem no Antigo Egipto, ou mesmo muito antes. Existem registos de festas primitivas, realizadas em honra do ressurgimento da Primavera, sendo que com seu o sentido actual de "foliões" colectivos e inversão das posições sociais, já existirá há mais de três mil anos. Fantástico!

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Para outros autores o Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia. Com o surgimento da agricultura ( lá para 600 a.c) as pessoas passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo, estando esta festança associado a cultos ao Deus Dionísio ( O Deus das vindimas, um Deus de figura humana, só que de chifres, barbas e pés de bode, com um olhar invariavelmente embriagado.. faz sentido no Carnaval, não ? ;))...

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 E por fim, outra das hipóteses difundidas entre  os pesquisadores é que as comemorações, que incluíam bacanais e que realizadas em Roma entre os meses de Novembro e Dezembro e que eram chamados os carrum navalis, para muitos a origem da expressão «Carnevale» . Na ocasião, ainda segundo os relatos e pesquisas, havia uma aparente quebra de hierarquia social, quando todos se misturavam na praça pública. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape, através de sexo e bebida.Os festejos eram de tal importância que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados e as pessoas saíam às ruas para dançar. Corridas de cavalo, desfiles de carros alegóricos, brigas de papelinhos, corridas de corcundas, lançamentos de ovos e outros divertimentos generalizavam a euforia. Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros com aparência de navios surgiam na "avenida", com homens e mulheres nus. 

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 Do ponto de vista antropológico, o carnaval é um ritual de reversão, no qual os papéis sociais são invertidos e as normas sobre comportamento desejado são suspensas. Estranho , mas bão dixa de ser lógico se olharmos às "fantasias". Nos tempos antigos, considerava-se o Inverno como um reino de espíritos e estes precisavam ser expulsos para que o verão voltasse. E era assim: dançando, gritando, usando máscaras! O Carnaval pode assim ser considerado como um rito de passagem da escuridão para a luz, do Inverno ao Verão: uma celebração de fertilidade, a primeira festa de primavera do ano novo.

 

(Quase) Tal como o conhecemos, foi na Idade Média que surgiram os primeiros bailes de máscaras, que se tornaram populares em muitos países da Europa e se espalharam pelas terras descobertas pelos europeus. A maior popularidade do Carnaval foi alcançada na época do Renascimento,principalmente na Itália e mais especificamente em Veneza, que ainda mantém um baile de máscaras à luz do dia, varando pelas noites, na Praça de São Marcos, no centro da cidade, que ainda atrai turistas do mundo inteiro.

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 O turismo tornou o Carnaval mais um espetáculo do que uma festa popular, principalmente nas grandes cidades ( as do Brasil são ícónicas) que fazem festas e corsos memoravéis, fazem esquecer pobreza, problemas, corrupção, tristeza... eu sei lá. Estimulam noitadas e jantaradas, a pouca roupa e a música non-stop e... envolvem toda a população ( mesmo aqueles que não adoram a época, tal como eu... acabam por ser embuídos no espírito, tal é a "loucura" da época).

 

O nosso? O  Carnaval português? Cá se faz... pelo meio de gotas de chuva e alguma crítica política e social, com cabeçudos, miúdas descascadas e a tremer de frio, muita matrafona, muita bombo, muita "bezunta" pela rua... Cá se faz, muito incutido nos miúdos, o que acaba por "arrastar" os pais e os obrigar a "entrar" na coisa, cá se faz para... animar a malta. Cada vez mais pagão e com pouco significado efetivo, mas servindo para trazer cor aos dias cinzentos ( tanto por ser Inverno, como pela sociedade subvertida em que vivemos). Et volilá!!  

 

Se Carnaval rima com Portugal? Nisso não se pode duvidar, mas a atentar pela "cara feliz " do palhaço "tuga" que encontrei por aí.. é uma rima.. muita mal enjorcada, Não acham?...

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