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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

"Eu me quero de volta".

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 E pronto. Os blogs são, ou deviam ser isto. Uma forma de chegar aos "nossos" seguidores, amigos e até inimigos, que esses também espreitam, acredito... , aos que aparecem aqui aos trambolões... e ...ou...mas também.... uma forma de chegar genuina e verdadeira. Um outro "eu", esta coisa dos blogs. Eu acho. Porque, na verdade, cada vez mais existem blogs que para mim não têm nada de blogs, são antes sites, plataformas comerciais, edições de moda melhor ou pior conseguidas. Nada contra. Mas não são blogs, são outra coisa...E eu quero este este, o meu... continue a ser um blog como assim eu acredito que tem que ser. Uma extensão de mim mesma. Dos meus gostos, das minhas paixões, dos meus medos, das minhas dúvidas, do meu ego e da minha procura ou aniquilação do mesmo, das ânsias da minha alma, como pessoa, profissional, mãe e mulher. 

 

Se calhar por isso tenho escrito pouco. Tenho andado sem vontade, ou sem força para grandes "Eus"... tenho feito mais o "chapa cinco", para não deixar cair este meu projeto querido, o Barriga Mendinha, mas a verdade é que a escrita não tem fluido. Ando desiludida com muita coisa, ando uma tristonha em busca diária do que me faz sorrir. Ando com pouco tempo ( mas que isso não sirva de efetiva desculpa porque no fundo por esta ou por outra razão, sempre andei...) e mais que isso, sem sentir que os feed backs da minha "cena genuína" andem a ser os melhores. Epá.. acho que ando sem inspiração, ou sem vontade, é mais isso basicamente. Com poucas coisas relevantes para vos dizer.

 

Durmo pouco, ando preocupada, tenho muitas frentes. Foco-me nas coisas mais imediatas da vida, para sentir que ela não me foge entre os dedos, porque sei que se me ponho com grandes teorias ou conjeturas (tanto aqui nas escritas como na própria vida) não vou gostar de onde estou, do que vivo, e corro o sério risco de descambar. Por isso (e porque a idade tem isso de nos fazer conseguir ser o que queremos, mesmo que não seja esse o caminho da nossa essência), para me proteger, acho que me tenho "embrutecido" por opção. Como? Ao pensar menos, ao ler menos, ao escrever menos... ao sentir menos. Perigoso... 

 

Pode ser que ao escrever hoje, aqui sobre mim mesma e não sobre peças de teatro, produtos, moda ou acontecimentos, esteja a começar o corte com esta impossibilidade (e frustração) de não andar a gostar nada  de ser o que tenho sido nos últimos tempos. Talvez seja o clique para que volte a ser mais genuína e fluida. Mais... "Rita Mendes" aquela de que, com voltas e contravoltas, com mais ou menos acertos, eu sempre me orgulhei. A ver vamos. É que também, não vejo, para já grandes saídas. Abstenho-me, obviamente de descortinar os meus porquês... mas no fundo, acredito que apesar dos sorrisos e tentar encontrar o melhor de mim todos os dias ( porque sim, não deixo de ter a positividade colada à minha pele, sempre, chova o que chover, existam as tempestades que existirem à volta da minha e nossa existência), o "deixar andar" tem acabado por ser a solução. 

 

Acredito que quem assiste à minha pró-atividade quase constantr não entenda muito bem do que... ou como raio falo de um "deixar andar", sim... na vida não dou, de todo, chance à inércia, não posso, ela própria não mo permite. Um projeto atrás do outro ( porque metade são boicotados, outra metade não vêm o sucesso merecido).. Mas na alma (e não se esqueçam que isso também acaba por mexer com a minha criatividade e auto-estima, algo importantíssimo para quem é artista) ando a passar por um "banho-maria" muito estranho. Porque acho que já não tenho força para sofrimentos épicos e desgostos aniquiladores. E mais vai valendo assim, sem valer nada de jeito, pelo menos, ao meu jeito...

 

Olhem, nem sei. Só sei que não sou perfeita e isso é que é ser Pessoa real. Tenho defeitos, erro, volto atrás, assumo ou não assumo (e até aí sou um ser normal). Luto contra tudo e contra todos por valores que me parecem ser só meus. Choro no privado, sorrio frente a uma câmara. Defendo-me do que não deveria ter que me defender. Tento ser uma boa mãe, esforço-me tanto por ser o que sempre me exigi, nesse campo. E falta-me o tempo, o apoio e às vezes até a paciência. Arrependo-me de me abrir para quem nunca o devia ter feito., por ter mostrado os meus "calcanhares de aquiles" a quem depois mos pontapeia aí mesmo onde dói... Levo chapadas de punho fechado e tento oferecer em troca, chapadas de luva branca. Caio e volto a levantar-me, mas, cada vez mais sei que as mãos que me ajudam a voltar a cima, são cada vez menos e que tenho que assumir (acho que a constatação deste fato é que me alimenta mas tem consumido o coração) que o "nós" existe cada vez menos na sociedade em que vivemos. Cada um por si. E eu... a sofrer por isso.

 

Hoje, voltei a escrever algo "meu" no blog. Mas aqueles "meus" em que acho que muitos se irão rever. Estar triste e mais cabisbaixo não faz de mim (nem de vocês) uma pessoa deprimida, acabada, doente, fraca... faz de mim uma pessoa normal que vive a sociedade  em dias estranhos e impessoais, as  críticas constantes como violência contra si mesmo, as relações humanas com laços cada vez mais soltos, as frustrações e instabilidades pessoais da forma mais saudável possível, mas que não deixa de ser dolorosa. Faz de mim, uma pessoa que busca o equilibrio entre o que quer... E o "que se pode" e alguma felicidade nessa equação... E quem não o percebe é que deve mesmo ter problemas e "maldades entranhadas".

 

Ser humano é ser frágil. E, segundo os meus princípios, é também saber dar a volta, não tentando esconder-se atrás de uma perfeição que não existe. Até já. Amanhã voltarei. Porque eu "me quero de volta"... e por mais que estes processos pessoais naõ sejam facéis, o querer muito já é um primeiro passo, um passo muito importante... vamos lá!!

 

 

 

 

 

 

 

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