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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Em como fazer uma mulher feliz. E vice versa.

( Mais um excerto que escrevi para o Afonso, mas que serve também para a Matilde "sentir a pressão";) , estava ele ainda na minha barriga, um mini guia sobre " a vida em geral e sobre a generalidade das coisas simples mas importantes".. Todas estas fotos que acompanham o texto são inéditas e "pintam" esta conversa de amor como se um "resultado" das minhas felicidades vs dores, dificuldades vs gratidão, se tivessem tornado. Foram tiradas pelo Hugo, num fim de semana que passámos na Costa Alentejana. São portanto... a prova de que tudo o que aqui conto valeu a pena, tudo o que sei que não é fácil, tem a face boa da moeda: essa face, na minha vida és tu... e a tua mana <3  )

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 Uma coisa que te irei sublinhar muitas vezes como mulher, filho,  é a forma como homens e mulheres se relacionam. Até porque é um dos grande itens da minha vida. Talvez até o Santo Graal da minha existência. Tanto precisamos um do outro. Como somos pólos opostos, falamos linguagens diferentes e nos sentimos completamente desapoiados e mal interpretados pelo sexo oposto. No entanto, por vezes, mais raras do que frequentes, encaixamos na perfeição. E aí parece que todos os elementos se misturam criando um espaço de Amor, prazer, sintonia caindo o Céu sobre a terra e Terra nascendo um limbo de completo entendimento, sentido e bem-estar . Tudo encaixa. São momentos desses – sim normalmente não passam de momentos – que nos alimentam a alma e nos fazem acreditar que a união entre este pólos antagónicos afinal não fazem senão lógica. Principalmente nós, as mulheres, mais dadas a ser sonhadoras e melosas.. baseamos muitas vezes toda a nossa vida nesses pedaços de felicidade que vamos tendo com vocês, Homens da nossa vida. Basta um sorriso maroto, um telefonema inesperado, uma prenda numa altura imprevisível, a palavra certa à hora certa… e todas nós somos Luz, todas nós brilhamos. É assim , desta matéria que somos feitas, ah pois é, e este é o segredo meu filho. Se quiseres fazer uma mulher feliz, aprende a sua essência e sê atento, principalmente isso. Nós adoramos um homem atento. Ainda agora imaginar nem que hipotétivamente a voz de um dos homens da minha vida ( talvez O dito cujo quiça…), embelezada por esta manhã de sábado veranil me trouxe de novo o sorriso à alma. Dizia eu que uma desilusão me estava a levar à descrença… Eu não digo? Qual quê, Melosas as mulheres…

 

Falo te em Homens da minha vida, porque esta é a minha perspectiva do Amor. Durante muito tempo, foi nos incutida a ideia da Alma gémea. De um único Ser de empatia exclusiva com a tua. Acho agora, que são o ideais normais de uma romântica de idade inocente e de visão ainda imatura. Nada de mal, nada de mais, nada de grave. Só que não é assim. Demorei perceber e agora sublinho a certeza de como funciona essa famosa Lei dos Amores de Uma Vida. São 7 os amores da nossa vida. É esta a minha crença. Tendo em conta que nos começamos a exercitar nas artes da paixão por alturas da pré infância e entramos nas estatísticas da cada vez maior idade avançada da sociedade contemporânea, serão eles: o Amor das 1as cartas de afecto, o Amor do 1º beijo de raspão da primária, o grande Amor da adolescência, normalmente não correspondido e que se pode desdobrar em 2 ou 3 até à idade adulta, o Amor dos anos da idade das descobertas sexuais, o Amor que acreditamos ser para a vida, quando ainda nem sequer sabemos bem o que a vida vai ser para nós, o Amor familiar, talvez o Amor do amante e o Amor finalmente maduro. Se é que ele existe.

 

Enfim ,eu já tive a maioria deles , e talvez até os pudesse desdobrar em mais alguns, preferindo no entanto ficar por aqui de forma a não cometer erros estratégicos como já cometi no passado, porque a maioria dos outros não passam normalmente de enganos descarados do destino que nos fazem estar apaixonados pela ideia de estar apaixonados. Cuidado com esta esparrela filho. Mais do que recorrente pode fazer te andar numa espiral difícil de sair. Umas quantas vezes ainda pode ser atractivo mais que a conta, o cansaço acaba por tomar conta de ti, da tua verdade, da tua vontade e da tua crença nas relações autênticas.

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Ai, o Amor doentio... Pois, é desse mesmo que falo. Aquele que adoece e te apodrece pouco a pouco como uma minhoca numa maçã fresca. Te enlouquece e depois te esquece. Como a fúria do açúcar num dentinho de leite. Primeiro pé ante pé, como se de uma pequena e inofensiva constipação se tratasse. E não nos esqueçamos, que, não são poucas as vezes, que um exíguo estado febril não demasiado incomodativo nos sabe até contraditoriamente bem , nem que seja pelo simples facto de por ele, virmos a receber miminhos, bebermos chazinhos e achocolatados quentinhos frente à televisão em dia de escola ou trabalho e até por possuirmos nós, pequenos seres humanos, um mórbido mas muito indulgente domínio de gostar de“ pegar” a alguém a dita-cuja e assim nos sentimos engripados mas… deliciosamente poderosos, grandes pequenos imperadores de um reino feito de espirros .

 

Na verdade, miúdo, a constipação pode passar a gripe, a gripe pode denunciar uma infecção, uma infecção descobrir uma patologia fatal e a fatalidade da coisa, levar te à cama de um hospital, ao enfermo personagem ou até à morte ( do artista, ou neste caso do Amante erróneo , convencido que sim, que é por ali , que “desta é que é” ).

 

Ui que dramalhão !! Ah pois é, mas não é nem nada mais nem nada menos que isso que o Amor doentio acaba por ser, desmascarando sem rodeios a determinada altura. Dramas atrás de dramas que nos esgotam até a uma estafa emocional, desinteresses para além desses vícios ego centrados e muita mas muita perda de tempo, acredita.

 

Enfim ,falo tão de cor e salteado, porque também eu já fui perita, coordenadora, oradora, conhecedora exímia e até inconscientemente (?) defensora destas Histórias de faca e alguidar, argumentando para mim mesma e para os outros que no Amor Estranho e Louco é que estava a Verdade e a Coerência (que no fundo nem eu própria entendia). Acredita que durante alguns anos gostava efectivamente do “ filme” e criava o meu próprio inicio, meio e fim…Sempre brutalmente chorosos, sofridos e complicados . Sim, filme, porque muitas vezes os sentimentos e cenas apaixonadas e passionais eram ( normalmente por ambas as parte, já que sempre tive tendência para espíritos tão teatrais e catastróficos quanto o meu) dignas de argumentos de películas alternativas da sessão da meia noite do King e dramaturgias de peças de teatro intensas, excessivas e urbano-depressivas.

 

Epá… assim é que era bom sim senhora!!! E que brutal é conseguir admi ti lo agora e até ter a capacidade, de à distância me rir dessas vis desgraças que acabaram mesmo por marcar a História e rumo da vida desta tua mãe. Sim, porque apesar deste meu ar de miúda reguila ( vais depois confirmar nas fotos ), de princesinha da Av. de Roma, de xúxuzinho inócuo e cintilante, com justeza assumo, que como muitos adolescentes e recentes adultos, acabava quase sempre por confundir de forma estapafúrdia e repetitiva, intensidade com arte, intenção de ser feliz com exigências estúpidas feitas ao parceiro, exuberâncias emocionais com eternidade afectiva, fidelidade…com infidelidade. Eu sei lá…

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E assim correram mais de  10 anos filho… ao sabor do “ gosto- não gosto”,do “ dou tudo por tudo - agora reformulo a vida e sigo de cabeça erguida e independente”. Que canseira, digo te eu agora. Que momentos de esforços sobre-humanos ( quando o Amor não tem que ser esforço), que tentativas frustradas de ser um “Eu” que afinal não era mesmo “Eu”, para e me adequar um pouco ao amado da época em questão. No fundo, em busca de um “Nós” afinal.. que vejo eu agora, provavelmente nunca deveria ter existido. 

 

Mas olha lá… não significa que não se erre, atenção. Bater com a cabeça na parede, faz te crescer um galo na testa mas também pode ensinar te a criar defesas. Ou não. E não. E não . E repetidamente não. As pessoas são padrões e para libertares te deles é fogo. À vezes fogo posto..

 

Se, no entanto, tiveres muita sorte e directrizes e força de vontade e gosto efectivo na Vida, quem sabe se ao 7º “Talvez”, ( lá estou eu com a minha teoria dos 7 amores da nossa existência) , essa probabilidade se possa até tornar definitiva, permanente, real, certa.

 

Certa sim, é a palavra. O Amor deve ser Certo e sentir se Certo, não se deve nunca insistir nessa convicção quando muitas vezes até a nossa intuição já nos tinha avisado de que esse não era o caminho..O ser humano é casmurro. Não gostamos de rejeição, de não sermos nós a dar a última palavra. E assim nascem as obsessões no Amor e nas relações. Foge delas a sete pés, senão mais dia menos dia serás refém dessa estúpida mas coleante forma de pensar.

 

Quantas e quantas vezes vais cair na esparrela, ui… Eu, caí uma dezena. Mas também me levantei umas quantas mais. O teu pai, Afonso, acabou por ser mais uma dessas cascas de banana, mas acredita que não foi o único e confia também, que se a nossa relação não funcionou, muito terá sido devido a dores e espalhos do passado e talvez até a expectativas românticas de que pudesse existir um Amor maior, mais “ perfeito”, menos sofredor, mais sereno e amansado. E também e muito especialmente, a grande vontade de acreditar na existência de Entendimento entre os pares. E nós não nos entendíamos filho. Eu era de Vénus e ele era de Marte e talvez por momentos nos tivéssemos até encontrado em caminhos cruzados na Terra, embora esses momentos não tivessem chegado para nos prender, ou ainda agora estaríamos juntos quem sabe.

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 Na verdade, e nem que seja só por isso, agradeço a viagem até terras neutras numa determinada fase das nossas vidas, até porque foi durante uma delas .. que te concebemos a ti, Afonso Luz ( e a tua mana também) . E por isso tu ( vocês) existes/m. Menos mau. Aliás, mesmo bom, essa é que é essa, sei o agora. Ès tu este e não podia ser mais nenhum, fruto destes seres e neste exacto momento da temporalidade mundial. Bonito não?

 

No entanto, sim, tenho que admitir (e por dele seres filho espero nada mais de ti do que a compreensão que sei que me darás ao ler estas linhas).. o nosso Amor também não era de todo saudável e talvez por isso, enquanto essência e perspectiva futura de vida, acabou por ser essa, a realidade crucial na minha tomada de decisão completa e definitiva de afastamento logo no início da minha gravidez.

 

Existem muito boas pessoas que não funcionam juntas sabes? As razões são “ razões que a própria razão desconhece”. Porque assim é a beleza da improbabilidade e a lei do Amor. Existem também pessoas menos boas que se tornam melhores com determinados encontros em alturas certas do seu caminho. Nunca se sabe o que ou quem vamos encontrar pela vida fora, mas chegará sempre a altura de avaliar situações e os pratos da balança penderão sempre para um dos lados…Aí é só deixar escorregar o nosso corpo e o nosso coração e… partir para “ outra”. Outra vida, outras decisões, outros trabalhos, outra casa, outro homem ou mulher, outra coisa que nos faça sentir melhor. Porque a vida não deve ser mal vivida entendes?

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 Amor-doença não se pode afinal tornar em Amor-Cura, entendi isso com a força dos anos a passar. E é isso que muitas vezes, as pessoas confundem. Até eu, durante tempo em demasia. Muito se deseja encontrar quem nos complete, eu acredito agora que te tens que completar primeiro a ti mesmo e depois sim, encontrar quem te transborde. De emoções, de brilho nos olhos, que acrescente algo bom à tua vida, aquela a que tu próprio já tomaste as rédeas e não esperaste que fosse nenhuma relação a endireitar. Pode demorar anos, uma vida ou até nunca acontecer. Nunca te querendo, filho, tirar do caminho da procura. É giro, intenso e far te á sentir que corres atrás de um objectivo… mas a verdade, aquela que só a maturidade ( atinja la tu a que idade for, isso sim é mais do que subjectivo) te vai trazer , é que muitas vezes procuramos o fogo de artíficio no Amor, esquecendo nos que as estrelas não fazem barulho. Gritos, ciúmes, sentimentos de posse, medos, fraca auto estima, tentativas de subjugação… ui e outras e outras que tantas coisas feias mas até são aceites em sociedade, só nos fazem definhar, sofrer e ficar cansados.

 

Eu sinto me cansada disso filho mas o vício deste género de ( de)Amor é dos mais difíceis de sacar da nossa pele. Espero que consigas tu escapar a esta estirpe de pseudo dramáticos amantes e cedo entendas que Amar é deixar existir e não deixar de existir. Um só artigo pode mesmo fazer toda a diferença na tua vida Inteira. Sublinha o na tua existência e tenta o mostrar subtilmente às Mulheres da tua vida, às que por ela de forma mais ou menos intensa, forem passando e fazendo companhia.. Mais cedo ou mais tarde agradecer te ão e serás sempre inesquecível e imortal nos seus corações. Só assim tudo fará mais sentido neste mundo já um pouco sem sentido.