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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

As mulheres são mães cada vez mais tarde. Preocupações e realidades.


No passado (e não assim há tanto tempo) a mulher realizava-se quase total e essencialmente através da maternidade, o que actualmente deixou de fazer sentido, uma vez que encontra ganhos e realização pessoal também na área profissional, académica e social. Ser mãe passou a ser uma opção, como tantas outras e o procurar a realização aos outros níveis faz com que a maternidade fique um pouco adiada em termos de idade.




Ao olharmos para a realidade da sociedade actual e no que se reporta ao contexto particular do nosso país, verificamos que existe ainda uma uniformização de tendências ligadas à fecundidade, principalmente no que se refere à diminuição do número de filhos, retardamento da idade média para o nascimento do primeiro filho e concentração do período reprodutivo num número reduzido de anos. Perante estes factos, somos também levados a afirmar que tudo isto é indissociável do desenvolvimento de métodos contraceptivos altamente eficazes que permitem, com uma segurança quase absoluta, definir exactamente o quantum e o timing da fecundidade.

Neste contexto, a decisão de ter um filho, é hoje um passo mais complexo do que no passado. Actualmente, a maioria dos casais sente que deve limitar o número de filhos que vão ter, e que devem ainda adiar a gravidez, até que ambos reunam as condições que consideram indispensáveis para o nascimento de um filho. A maternidade deixa assim, de ser a primeira e única preocupação da mulher, uma vez que a par dela vêm sendo delineados outros ideais.

A maternidade é um dos acontecimentos mais importantes da vida da mulher e representa um desafio à sua maturidade, à estrutura da sua personalidade e é também uma possibilidade para o desenvolvimento de novas competências, seja qual for a idade. Isto decorre do facto da mulher ter de se ajustar a um conjunto de mudanças que se verificam a nível biológico, psicológico, conjugal e familiar. De forma a viver esta experiência de um modo gratificante para toda a família, as alterações psicológicas que ocorrem durante a gravidez, o parto e após o parto devem ser conhecidas. Se a mulher possuir um bom relacionamento conjugal e familiar e um bom suporte social, durante a gravidez e após o parto, estas alterações poderão ser atenuadas e mais facilmente ultrapassadas.

A maternidade e o nascimento de um bebé, seja qual for a idade, é um acontecimento único na vida de uma mulher/casal. Assim, o curso de preparação para o parto e para a parentalidade é, por exemplo, fundamental para esta nova etapa da vida, fornecendo-lhes conhecimentos e habilidades para ultrapassar e lidar com os desafios que se colocam. 

Este Curso de Preparação para o Parto e da Parentalidade deverá ser iniciado entre a 28ª e a 32ª semana de gestação. Com a Preparação para o Parto, pretende-se informar e capacitar a mulher/casal, ou um familiar ou amiga que a irá acompanhar no trabalho de parto e parto, para a utilização de posicionamentos e métodos não farmacológicos de relaxamento e alívio da dor, que ajudarão a vivenciar a experiência do nascimento do seu filho de uma forma positiva e inesquecível. Este prepara também o casal para a Parentalidade, com sessões teóricas e práticas de preparação das famílias, sobre: Trabalho de Parto, Analgesia Epidural, Amamentação e os cuidados a ter com o recém-nascido, nomeadamente o banho, a mudança da fralda, o manuseamento do bebé, posições para relaxar, massagem do bebé, entre outros.

A analgesia epidural obstétrica veio trazer novas concepções sobre a assistência ao parto, humanizando-o. Constitui o método mais eficaz de alívio da dor, não só durante o trabalho de parto, como também no pós-parto (caso o cateter fique aplicado), o que pode evitar perturbações emocionais na puérpera, passíveis de afectar a relação mãe-filho.  De facto, ocorre alívio significativo das dores em quase todas as mulheres, com alívio completo na maioria dos casos. Por outro lado, mantém a parturiente colaborante, podendo mesmo melhorar a dinâmica do parto, pelo alívio da dor e da ansiedade. A técnica tem poucas contra-indicações às quais se contrapõem algumas situações que comprovadamente beneficiam com a sua utilização. A decisão do seu uso deve ser tomada de forma consciente e ponderada, o que só é possível se as utentes grávidas forem informadas atempadamente, durante as Consultas de Vigilância em Saúde Materna.

Actualmente, a alta precoce é uma situação que cada vez atinge um maior número de utentes nas maternidades. Esta alta precoce refere-se, a uma estadia de 48 horas ou menos das puérperas/recém-nascidos, que apresentem situações de baixo risco. 

O apoio incondicional e o ensino a estas utentes são fundamentais neste momento de “crise”, que é o nascimento de uma criança. A equipa de enfermagem de Saúde Materna e Ginecológica (Parteira) logo cedo programa a preparação destas utentes para o dia da alta. Estas intervenções são cada vez mais sentidas como um grande desafio. As enfermeiras especialistas em Saúde Materna e Obstetricia, assumem um papel crucial neste período tão curto e delicado da vida das mulheres que acabaram de dar à luz um novo ser que se encontra completamente dependente delas próprias. O bem-estar e o desenvolvimento de ambos serão tanto melhores quanto melhores forem esses cuidados. As visitas são efectuadas nas primeiras 24 a 72 horas após a alta. Avalia-se o estado geral do recém-nascido e da puérpera. Reforçam-se todas as indicações fornecidas na maternidade dando também apoio psicológico à puérpera, nesta fase tão sensível das suas vidas. 

 A título de conclusão, é um período complexo na vida da mulher e por consequência na vida do casal. É um momento de grandes alterações de ordem biológica e psicológica, que impõem um ritmo de resposta da mulher, também muito rápido e intenso, numa tentativa de adaptação a uma realidade, que é o nascimento de um filho. Num tempo em que, como referimos, se perspectiva o aumento das doenças afectivas, em que as terapêuticas preconizadas são de carácter misto: farmacológicas e psicológicas; acreditamos que é nosso compromisso ajudar o ser humano a aceitar em si mesmo a sua natureza, a parar de fugir dela,e a gozar desse dom do qual ainda tem tanto medo.

“A maternidade em qualquer idade requer que, mais do que: Desejar ter um filho se Deseje ser MÃE!”.

por:
Enf. Ana Nobre