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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

E quando a gravidez não corre exactamente como tínhamos imaginado?

Pois tudo começa no dia em que sabemos que estamos grávidas… Começam, então, também os cálculos pessoais e profissionais para aquelas 38/40 semaninhas…

“Vai nascer em Abril… Já vai estar assim um tempo mais quentinho!” Compram-se roupinhas mais fresquitas e vão-se deixando os pormenores lá mais para o final… “Lá para as 33/34 semanas vamos acabar de fazer o quartinho, comprar o ovinho, o carrinho… Ah, e vou trabalhar até ao finzinho, até nem tenho ganho muito peso nem me sinto inchada,  por isso, lá para o fim de Março… bye, bye coleguinhas!”




Já desde, mais ou menos as 21 semanas de gestação que sentia a minha barriga ficar dura com alguma frequência, mas, mãe de primeira viagem, sempre achei que isso seria um sintoma natural da gravidez.“Deve ser ela a espreguiçar-se que faz pressão na minha barriga ;o)… E nem me queixava disto à obstetra.

Comecei as aulas de preparação para o parto por volta das 26 semanas e é na 3ª aula que surge o tema das contracções… Descubro então que afinal ando a ter contracções há mais de 1 mês e aprendo que as contracções e a falta de água (chegava a não beber nenhuma por dia!!) vão favorecendo o encurtamento do colo do útero! E eu a pensar que a água só era importante para evitar as infecções urinárias! Às 31 semanas, e depois de uma noite passada com barriga dura e umas dorzitas no fundo da barriga, acabo nas urgências do Hospital Garcia de Orta, a conselho do enfermeiro das aulas de pré parto. Pensei eu que, era apenas para ver se estava tudo bem… Já não saí de lá! O meu colo do útero estava tão curtinho, tão curtinho que o risco de ter a minha bebé a qualquer momento era enorme!! 

Fiquei stressadíssima! Não estava nada nos meus planos “interromper” a minha vida naquela altura e muito menos ter uma bebé prematura!!! Tinha noção dos problemas de saúde que podem vir a ter os bebés prematuros, nomeadamente os problemas respiratórios nos primeiros anos de vida.




Pensei, no entanto, que ficaria por lá internada para aí 1 semanita para vigilância  mas, as semanas foram passando uma atrás da outra… Foram 5 semanas em repouso absoluto! Na verdade, poderia ter vindo para casa fazer o repouso passadas para aí umas 2 semanas mas os meus medos começaram a apoderar-se de mim: “E se entro em trabalho de parto e não me apercebo a tempo ou estou sozinha em casa?!”. Sabia que teria de fazer uma cesariana porque a Teresa nunca deu a volta e esteve sempre, praticamente de pé, com uma perna esticadita, tecnicamente chamada de posição pélvica, modo pés. Como se não bastasse o meu útero é um pouco atípico e tem uma pequena divisão que à partida, e quanto maior ela ficava, já não iria permitir que ela desse mesmo a volta. A minha ansiedade não iria ajudar nada a prolongar a estadia da Teresa no lugar que lhe era devido e, por isso, os médicos foram achando que era melhor manter-me por lá.

Todos os dias eram de incerteza… Será que vai ser hoje?! 
Parecia que todos os dias havia uma novidade… Ou era o líquido amniótico que parecia ter diminuído, ou eram perdas de líquido que indiciavam a possibilidade de ruptura da bolsa, ou dores no fundo da barriga que podiam significar início de trabalho de parto… 5 semanas vividas assim… Dia a dia… e como dizem os médicos, quando há indício de partos prematuros, cada dia que passa é uma vitória, porque nos  garante que o nosso bebé está um bocadinho mais forte e mais pronto para enfrentar o mundo…




Mas nem tudo foi mau. Enquanto lá estive, partilhei o quarto duplo com quatro diferentes grávidas e a conversa não tinha fim o dia inteiro… Na verdade, tirando as ansiedades, os dias passavam rápido com muita conversa entre as colegas e o corpo de enfermagem que sempre foi EXTRAORDINÁRIO! Tanto estavam lá para rirmos um bom bocado como sempre que era preciso passar a mão na cabeça e acalmar os medos e angústias naturais de quem se encontra naquela situação.

A Teresa acabou por nascer no dia 4 de Março, com 35 semanas e 6 dias… prematura, mas com 3,020Kg!!! Abençoado repouso absoluto em serviço de hotel!

E sabem que mais, acabou por não ser por vontade dela - Uma descida brusca de plaquetas da mãe é que obrigou a que, naquele dia, tivesse que se avançar para a cesariana.

O que aprendi com esta experiência? Que devemos perguntar tudinho ao obstetra que nos segue, mesmo que achemos que estamos a ser chatas ou piquinhas, se forem verdadeiros profissionais vão com certeza entender todas as nossas dúvidas… Percebi a importância das aulas de pré-parto com enfermeiros especialistas em obstetrícia, como foi o meu caso. Foi, sem dúvida, graças a eles e à sua experiência na área que não tive a Teresa com 31 semanas, e que hoje tenho uma bebé linda e super saudável!

Ah, e não deixem nada para a última hora, nunca se sabe o que vai acontecer e a Teresa, não tem o quarto acabado… Até hoje ;)

Beijinhos,
Diamantina Rodrigues