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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Gosto tanto de ser mãe. Mas gosto tanto de ser DJ também ;)



Faz-me falta a Música. A batida. A vibe. 

Fazem-me falta os phones colados aos ouvidos e que me dizem estar demasiado altos, ao que faço, ouvidos moucos.
Fazem-me falta os braços no ar, os assobios e os olhos fechados à minha frente.
Fazes-me falta tu. E tu e tu. Que tão bem já conheces a cadência da música, as suas quebras, o seus arranques, os seus pontos mais altos. E que na hora certa cantas o refrão, te contorces na tua estranha forma de dançar, sorris enquanto a tua mente viaja longe. 
Fazem-me falta os teus olhares críticos para dentro da cabine a apreciar o meu trabalho. Fazem-me falta os teus outros olhares de admiração enquanto atentamente me acompanhas no mix  e a brincar com os efeitos da mesa de mistura.
Faz-me falta os DJs residentes rezingões. Fazem-me falta os bacanos, os de quem me torno amiga e os que embirram comigo até mais não. Ambos fazem parte do encanto da coisa…
Faz-me falta o Grave da sala. A prova de que o PA é ou não é bom. Aquele tom que nos faz estremecer por dentro. Que nos leva de novo à nossa mais básica existência, às nossas raízes, à tribo que são os nossos vasos sanguíneos, onde dançam ao seu ritmo gordo e forte, glóbulos brancos e vermelhos em plena harmonia.
Faz-me falta, muita falta, dançar. Ondular o corpo, deixar a mente vaguear. Deixar que a energia que me escapa por entre os dedos e sob o pé que vai batendo de acordo com o pitch no chão, se espreguice até aos cabos que alcançam o equipamento de som que inunda a sala de corpos que como o meu se abanam ao ritmo de uma batida. Faz-me falta o Groove.
Faz-me falta o meu Bushmills com Ginger Alle para engolir  junto com as primeiras malhas da noite, e o exercício de ludibriar os bem-parecidos empregados do bar que me levam shot atrás de shot à cabine e que depois do brinde da praxe, tenho inevitavelmente que mandar para o chão ou oferecer a qualquer um simpático que esteja a passar… 
Faz-me falta apanhar um ou outro pifo…
Faz-me falta conseguir não ter sono (agora tenho sono até 10 minutos depois de acordar…) e aguentar-me até de manhã sem piscar os olhos e com uma energia que só quem me conhece mesmo presencia. 
Faz-me falta, no seguimento das noites compridas, o voltar para casa ao som de um grande deep house ao volante do meu carro ou tê-lo de portas abertas e de chill out como pano de fundo de um maravilhoso nascer do sol numa qualquer falésia ou parque de estacionamento de uma qualquer parte do país. 

Faz-me falta tanta coisa desde que decidi abrandar com o djing e com as saídas à noite… Mas uma coisa é certa, tudo tem valido a pena para que a minha gravidez, quase a chegar ao termo me traga até mim a mais fabulosa das miúdas. E eu tenho feito tudo certinho para que seja saudável e feliz e com toda a certeza amante de música.
A verdade é que “A distância faz ao Amor aquilo que o vento faz ao fogo: Apaga o pequeno e inflama o forte”, por isso, junto com a ansiedade de ter a minha filha nos meus braços está a vontade do regresso. Porque tal como um amante à séria que vive numa terra diferente da minha, a Música electrónica está-me no sangue e intervalo neste relacionamento será uma mais valia na nossa ligação futura. 
Até lá… Desejem-me uma “ hora pequenina”. De um mês a esta data já devo ser mamã da Matita