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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O caminho menos difícil...







Acho que quando nasci, a Vida me ofereceu uma enxada grande e eficiente, afiada, certeira... E ofereceu-me também uma caixinha fechada, muito perra e empoeirada com muitas pequenas enxadinhas , que eu nunca pensei sequer ter que vir a abrir.

Cavei a Vida durante algum tempo com a grande, sem dificudades de maior, julgando que ela faria o seu trabalho na terra molinha. Para sempre e com a celeridade pretendida por mim mesma. 


Até que a terra endureceu e a enxada se partiu... aí tornou-se mais dificil, cada vez mais rijo, mas não impossivel.

Aí, parti à luta uma e outra e outra vez. De enxadinha na mão. E eram várias, lembram-se? Mas não infinitas... E elas iam-se partindo uma atrás da outra, quando encontravam pedras sem gema ou animais que as trincavam. 

Quando se partiu a última, comecei a cavar com as mãos. Ao início, foi muito, muito difícil, eu não tinha sido ensinada a fazê-lo.. Mesmo assim eu continuava incansável, não queria vergar, nem pensar.. Precisava chegar " lá" e ainda faltava um bom bocado.

Suei, chorei, quase desisti com bolhas nas mãos e no coração, mas num dia de chuva intensa, em que a lama se entranhava já na minha pele e na minha alma... olhei por cima do meu ombro e já não estava sozinha a cavar. 

Ao meu lado tinha uma Luz e tinha uma Estrela e, entre brincadeiras de castelos e dias de trabalho mais árduo, os meus filhos salvaram o meu cansaço e devolveram-me a vontade de buscar uma nova enxada para , juntamente com eles, tornar de novo, o caminho menos difícil...