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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

O "Bê-á-bá" da Maternidade: principais dúvidas

A gravidez é um processo que corresponde a um período entre a concepção e o parto. Na grande maioria dos casos, tem a duração de cerca de 9 meses lunares, 40 semanas ou 280 dias. 


Quais as principais alterações que a grávida pode sentir no seu corpo? 
As mamas podem aumentar de volume, ficando mais pesadas e dolorosas. Os mamilos tornam-se mais escuros e maiores. No 3º trimestre, poderá ocorrer a saída de colostro.


Conselhos para a grávida: 
* Usar um soutien adaptado e discos protectores (quando há saída de colostro).

* O útero torna-se mais volumoso, dando lugar nos últimos meses da gravidez a alguma dificuldade respiratória, dor e desconforto abdominal.

* Repousar e adoptar um posicionamento confortável.

* O aumento do volume do útero provoca a distensão dos músculos abdominais podendo levar ao aparecimento das estrias gravídicas.
Conselhos para a grávida:
- Evitar o uso de roupas apertadas;
- Usar, preferencialmente, roupas de algodão (principalmente a roupa que fica em contacto directo com a pele); 
- Hidratar a pele.
 
* A resistência do sistema vascular diminui, porque o aumento do volume do útero empurra o coração para cima e para o lado esquerdo, podendo originar o inchaço das pernas, bem como uma sensação de maior cansaço, varizes, formigueiro, descida da tensão arterial e desmaios.
Conselhos para a grávida:
- Usar meias elásticas para activar a circulação de retorno;
- Repousar, deitada ou sentada, colocando uma almofada sobre as pernas ou os pés, para que estes fiquem elevados;
- Evitar estar muito tempo em pé;
- Tentar não passar rapidamente da posição sentada ou deitado para a posição erecta;
- Realizar exercícios respiratórios moderados e movimentação vigorosa dos membros inferiores.

* O aumento do útero, sobretudo no final da gravidez, leva à elevação do diafragma e ao alargamento do tórax. A respiração fica mais profunda e o ritmo cardíaco torna-se mais rápido, levando à sensação de falta de ar ou dificuldade a respirar.
Conselhos para a grávida:
-  Acalmar-se e, se possível, deitar-se de costas com os braços estendidos para cima e repousar;
-  A compressão da bexiga pelo aumento do tamanho do útero, leva a que a grávida sinta necessidade (e a sensação) de urinar mais vezes. Mas, o esvaziamento da bexiga pode não ser total e fica sempre urina retida, o que pode originar o aparecimento de infecções urinárias. Por isso, deve:
- Urinar sempre que sentir vontade;
- Aumentar a ingestão de água;
- Ingerir líquidos ácidos (limonadas);
- Favorecer, quando deitada, a posição de lado para reduzir a estase de urina.
 
* Principalmente nos primeiros meses, o sistema gastrointestinal é afectado pelas hormonas da gravidez, provocando enjoos e vómitos na mulher, sobretudo ao início do dia ao levantar.
Conselhos para a grávida: 
- Ao acordar, sentar-se primeiro na cama e levantar-se devagar;
- Comer várias vezes ao dia e em pequenas quantidades;
- Comer alimentos ricos em fibras;
- Evitar o consumo de sal e de doces;
- Diminuir a ingestão de café;
- Não consumir álcool ou bebidas com gás;
- Evitar cheiros activos;
- Evitar a ingestão excessiva de líquidos;
- Não fumar.

* A maior pressão do útero sob o estômago leva a que o conteúdo ácido do estômago volte para o esófago, provocando a sensação de queimadura ou ardor, conhecida por azia.
Conselhos para a grávida:
- Tomar chá quente;
- Evitar refeições abundantes, muito condimentadas e com excesso de gorduras.
- Ao tomar pastilhas para a azia devem ser as de alumínio ou de magnésio (não tomar as de sódio).

* O efeito das hormonas da gravidez, nos músculos dos intestinos, leva a que estes funcionem de uma forma mais lentificada, originando dificuldade em evacuar na grávida.
- Aumentar a ingestão de líquidos, sobretudo de água;
- Comer vegetais verdes;
- Beber um copo de água quente ao acordar,
- Tentar evacuar, pelo menos uma vez por dia,
- Usar medicamentos para evacuar, desde que prescritos pelo médico.

* O maior relaxamento dos ligamentos do corpo da mulher e, a posição adoptada para contrabalançar o peso da barriga, leva ao aparecimento de dores nas costas.
Conselhos para a grávida:
- Corrigir a postura;
- Fazer exercícios de suporte abdominal;
- Realizar períodos de repouso;
- Usar calçado baixo (evitar sapatos de salto alto).

Como deve a mulher comer durante a gravidez?
O aumento de peso durante a gravidez está relacionado com o tipo de alimentação da mulher. Nas primeiras semanas é normal que a mulher aumente de peso entre 1 a 2 quilos ou então, que emagreça devido aos vómitos. No 2º e no 3º período da gravidez ocorre um aumento de peso mais acentuado. É normal que na fase final da gravidez o peso até aí adquirido se mantenha. Ao longo da toda a gravidez considera-se como normal um aumento de peso até 10-12 quilos.

A alimentação da grávida deve ser rica e variada, para fornecer ao seu bebé os nutrientes necessários à constituição do seu organismo, não devendo porém pensar que tem que comer por dois, mas sim para dois.

A Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia tem como papel  fundamental o de educadora, algo muito importante neste período da vida da mulher. Deve ter conhecimento do peso desta antes de engravidar e das suas rotinas alimentares, promovendo ensinos que lhe permitam comer de forma adequada e saudável, uma vez que o aumento de peso sem controlo pode dar origem a complicações durante a gravidez e sobretudo durante o parto. 

Conselhos para a grávida:
- Reforçar o aumento da ingestão de água; 
- Beber pelo menos 1 litro de leite por dia;
- Consumir sumos naturais de fruta, preparados no momento;
- Comer alimentos, principalmente, cozidos ou grelhados;
- Consumir, preferencialmente, carnes brancas;
- Comer peixe fresco;
- Lavar bem todos os alimentos antes de preparar as refeições;
- Cozinhar os alimentos com azeite.
- Evitar os refogados, manteiga e banha para a confecção das refeições;
- Evitar o uso de sal na preparação das refeições;
- Não comer alimentos enlatados;
- Não comer alimentos fumados ou enchidos;
- Evitar a ingestão de fiambre (mulheres não imunes à toxoplasmose);
- Consumir queijo (preferencialmente, queijo fresco);
- Não comer marisco (perigo de intoxicações alimentares);
- Evitar o consumo de doces (bolos, caramelos, pastilhas,…)
- Comer fruta fresca;
- Comer vegetais frescos;
- Cozer os legumes em pouca água e durante pouco tempo para manter os seus nutrientes.

O que deve vestir a grávida para se sentir confortável? 
A grávida deve ser aconselhada a usar roupa larga, cómoda, confeccionada com tecidos que facilitem a transpiração e sejam facilmente laváveis. 

Aconselha-se o uso de collants de descanso para facilitar a activação da circulação de retorno, diminuindo o inchaço das pernas e pés. 

Não deve calçar meias e peúgas apertadas, porque podem dificultar a circulação de retorno, favorecendo o aparecimento de varizes e edemas. 

A roupa interior deve ser preferencialmente de algodão, devendo usar um soutien com boa capacidade de suporte para manter o peito firme. 

Sobre a utilização de cintas na gravidez, se for necessário, deve-se recomendar um modelo específico para grávidas, cuja principal característica é a contenção da musculatura abdominal e a correcção postural. 

O calçado deve ser muito cómodo e os saltos devem ser pequenos, permitindo à grávida uma boa base de apoio.

A grávida pode realizar exercício físico?  
A grávida deve ser aconselhada a praticar exercício físico diário, embora moderado, sendo os mais indicados a natação, os passeios a pé e os exercícios específicos para melhorar a circulação. 

A mulher grávida pode manter a sua actividade sexual?
Nos últimos meses da gravidez mantendo-se o medo de magoar o feto, muitas grávidas acreditam que manter a actividade sexual durante a última fase da gravidez poderá ser um perigo para a saúde do bebé; outras sentem-se menos atraentes fisicamente devido às alterações corporais, tendo receio que os companheiro percam o interesse por elas; os companheiros por seu lado, têm medo de magoar o bebé e outros pensam ainda que as relações sexuais são menos agradáveis devido às alterações corporais da mulher.

Ao efectuar educação sexual na gravidez a enfermeira Especialista em saúde Materna e Obstetricia deve:
- Incentivar a comunicação entre os parceiros sexuais;
- Incentivar a mulher a cuidar da sua aparência, para que se sinta atraente;
- Informar o casal sobre os posicionamentos alternativos, mais adequados para a prática do acto sexual durante o terceiro trimestre gravídico (mulher em posição superior, posição lado a lado e posição de missionário);
- Explicar ao casal que quando este não pode ter, ou prefere não ter relações sexuais com penetração, a necessidade de intimidade e união pode assumir demonstrações de carinho, como beijos e carícias;
- Advertir os casais que gostam de praticar sexo oral de que, o parceiro pode não sentir tanto prazer devido ao cheiro mais intenso das secreções vaginais, sobretudo no terceiro trimestre da gravidez;
- Informar sobre as contra-indicações do coito, nomeadamente em situações de: ameaça de aborto, risco de início de trabalho de parto pré-termo, placenta prévia, presença de contractilidade uterina e/ou hemorragia vaginal.

A grávida pode continuar a ter contacto com os seus animais?
Os animais domésticos (cães, gatos,…) podem  transmitir doenças infecciosas à grávida, podendo afectar, desta forma, o normal desenvolvimento do seu bebé. Para tal, é necessário que o animal seja portador do microorganismo infeccioso e que a grávida seja infectada. Assim, recomendam-se algumas medidas preventivas: 
- Não ingerir alimentos mal cozinhados, sobretudo carne e ovos;
- Evitar o consumo de vegetais crus;
- Lavar cuidadosamente e com água corrente os legumes frescos e as frutas cruas;
- Lavar adequadamente as mãos, após manipulação de carne crua ou trabalho de jardinagem;
- Usar luvas para manipular terra ou realizar trabalhos de jardinagem;
- Evitar o contacto directo com gatos ou utensílios com eles relacionados.


A grávida deve continuar a trabalhar?
Habitualmente não existe qualquer inconveniente em que a grávida mantenha a sua actividade laboral normal, desde que, não trabalhe com substâncias tóxicas, que a sua actividade seja muito stressante ou exija grande esforço físico. Sempre que necessário devemos aconselhar a grávida a deixar de trabalhar nas 2-3 semanas antes da data provável para o parto. 

Preparação para a Parentalidade
Actualmente começam a implementar-se os Cursos de Preparação para a Parentalidade nos Centros de Saúde e Hospitais para que todas as grávidas e, eventualmente os seus companheiros, possam ter acesso gratuito aos mesmos. Podem iniciar-se no segundo ou terceiro trimestres de gravidez, podendo incluir sessões educativas teóricas e práticas, bem como sessões com grupos de grávidas.
Os temas desenvolvidos no decorrer dessas sessões geralmente englobam: 
- Evolução da gravidez e seus desconfortos;
- Sinais e sintomas do trabalho de parto; 
- Assistência ao parto; 
- Papel do acompanhante; 
- Tipos de parto; 
- Tipos de analgesia/anestesia nos diferentes tipos de parto; 
- Exercícios de relaxamento; 
- Exercícios de controle da respiração; 
- Cuidados no pós-parto; 
- Banho do recém-nascido; 
- Aleitamento materno; 
- Vigilância neonatal (teste de diagnóstico precoce e plano nacional de vacinação); 
- Aspectos emocionais da gravidez, parto e pós-parto;
- Orientações nutricionais para a grávida, puérpera e recém-nascido;
- Aspectos legais da maternidade.

Hoje em dia, embora utilizando técnicas diferentes, os cursos de preparação para a parentalidade têm todos os mesmos objectivos: 
- Proporcionar à mulher a informação necessária sobre a gravidez, o parto e o recém-nascido, de modo a que possa viver conscientemente este momento tão especial; 
- Vencer a ansiedade e o medo transmitidos de mães para filhas, para que a dor física não seja ampliada pela angústia; 
- Reduzir ao mínimo a dor (técnicas de respiração, relaxamento, ...); 
- Ensinar a mulher a colaborar com o próprio corpo para que o trabalho de parto e parto decorram da forma mais fácil e confortante possível; 
- Proporcionar o encontro com outras mulheres na mesma situação e que, por isso, melhor do que ninguém podem oferecer a sua colaboração e solidariedade; 
- Fornecer, em muitos casos, ao futuro pai a informação e os conselhos necessários para que em todos os momentos, incluindo o do parto, possa estar o mais perto possível da futura mãe, ajudando-a;
- Apresentar à mulher, sempre que possível, a instituição hospitalar em que irá ser assistida durante o trabalho de parto e parto. 



Por: Enf.ª Ana Nobre