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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

A rapariga de verde



Aconteceu me uma coisa surreal, assustadora e bonita há pouco na rua.

Ia eu com o Afonso no carrinho e cheia de sacos de supermercado e tal e tal, a passear na avenida e uma rapariga mais ou menos da minha idade, com muito bom ar, bem vestida, bonita.., perguntou-me: "É a Rita Mendes não é?"

"Sim", respondi um bocado a medo porque ela estava muito emotiva e receei que fosse jornalista ou algo do estilo.

"Não interessa quem sou Rita...", e começou a chorar "só preciso de lhe dizer que li uma entrevista sua em que falava das tristezas e dificuldades que passou e da força e positividade que tem e teve para as ultrapassar"... "Agora é feliz? Conseguiu? Deve-se continuar a acreditar? Há dias tão dificeis... Quando li as suas palavras, parecia uma amiga a dizer mas a mim..." - Ela referia-se a uma matéria que saiu na revista VIP a semana passada em que os jornalistas reproduziram um texto mais pessoal retirado do meu facebook...

Abracei-a, falei um pouco com ela e disse lhe que a felicidade se conquista todos os dias um bocadinho. Que não não SOU feliz, assim “só e pronto”, que não é tão linear, mas que "a" procuro  em tudo o que faço, em cada pequena vitória, na auto-estima e amor próprio que me fui educando a ter, mesmo quando estou ou me põem em baixo, nas pessoas positivas que tenho à minha volta e na certeza de que me quero afastar de quem, nem que seja inconscientemente, me faz mal.

"Como Rita, como?" terminou nervosa...

"Uma boa técnica é dar Graças TODOS OS DIAS pelo que temos. Olhar para quem ao nosso lado está doente, não tem dinheiro, vive situações extremas e terríveis, sofreu perdas familiares e amorosas sérias (refiro-me a mortes e não separações...). E perceber que há "sempre pior". Parece cliché, mas ajuda na nossa vontade de ser feliz.

A rapariga deu-me mais um abraço, desejou-me tudo de bom e seguiu muito nervosa (mas espero que mais inspirada) o seu caminho enquanto o seu vestido longo verde forte e o seu cabelo preto voavam ao ritmo do vento e da sua alma inquieta...