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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

Ser Avó

Ser Avó é mesmo ser Avó e não “Mãe Duas Vezes”. Não há disso. Mãe só se é uma vez, para cada Filho/a. Que é Único, uma Obra-prima que veio de dentro de si. A quem exigimos tudo em nome de não hipotecarem o Futuro à sombra do que, na nossa opinião, não fazem no Presente. Em suma, somos os Guardiães da sua Felicidade. E quando esta falha sofremos de morrer, só de vê-los sofrer.
Ser Avó é olhar com orgulho para este “produto” maravilhoso dos nossos Filhos. Olhar com calma e em êxtase! Para os olhos, tão bem delineados e para aquelas rugazinhas tão expressivas, para as mãos, as unhas minúsculas…À espera que, apesar não nos terem acompanhado 9 meses no ventre, nos reconheçam como sua pertença, seu porto de abrigo, sua Família, enfim! E insistimos no ensinamento de palavras novas, com o VóVó misturado, como que da repetição, mais rapidamente consigamos ouvir a magia daquele chamamento.
E esse milagre perante os nossos olhos, a entrar casa dentro, permite-nos acreditar no sentido da Vida, em que nesta fase, eles são a nossa estória de encantar. Nós, que lhes contamos as mesmas de há séculos, mas adaptadas aos dias de hoje, talvez poupando-os aos grandes traumas, como o Bambi a ver a mãe a ser abatida, a avó do Capuchinho Vermelho a ser comida pelo Lobo Mau, a Branca de Neve a comer uma maçã envenenada pela bruxa má ou a Cinderela a ser maltratada pelas gananciosas manas e madrasta…
Aquece-nos o coração a pele macia dos nossos meninos/meninas, ver nascer os raciocínios, as perguntas, vê-los brincar e sentirem-se já donos do sítio dos brinquedos, na casa dos Avós. E arrumar depois! 
Acredito que podemos com o nosso exemplo e ensinamentos ajudar os nossos Filhos a educar os nossos Netos. Não creio no paradigma de que a educação é para os Pais promoverem e a nós, Avós, cabe dar guloseimas e fazer todas as vontades. Acho mesmo que nos devemos redimir dos erros de excesso de liberdades e de facilidades que tenhamos dado aos pais deles. Mea culpa!  
Somos a rede, os pára-quedas. Estamos prontos para os deixar voar, sem os deixar cair, na má-criação, na desarrumação, na falta de respeito. E eles agradecem. Agradecem sobretudo a consistência, a determinação! 


E é assim porque tanto os amamos. 


TEXTO: Clara Petra Viana