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Barriga Mendinha

Barriga Mendinha

As trelas usadas para "educar" as crianças


Estávamos num jantar com várias mães e o tema foi abordado.

Uma delas tinha vivido em Londres e achava muito normal. Outra, uma das minhas melhores amigas, que sempre tive como uma autêntica alma livre e que tem na educação aberta do filho único ( hoje com 18 anos) uma bandeira, contou que, mal ele completou dois anos ela lhe comprou "uma" e que "foi a melhor coisa que fez", porque a deixava descansada sem ter que correr atrás dele... Estranhei. Aceitei a opinião, claro mas estranhei muito. Não discuti, não argumentei muito. Fiquei a pensar no assunto e agora, assertivamente percebi que afinal, me apetece ter uma posição.

Mas falo  de "uma"... "uma" quê?!... Uma Trela. Pois, tal como as dos animais. E sim é isso que me mete confusão. O princípio da coisa, entendem? Não se dá mais ou menos jeito aos pais, se os descansa quando eles querem correr no jardim e eles não os conseguem apanhar, ou evita que os filhos se percam na confusão... Ok, tudo isso pode ser justificativo, mas mesmo assim, não me convence.

As crianças devem ser educadas, não treinadas como os cães. Esses, devem ser acostumados a obedecer ao seu dono, a se vergar, a se submeter - mesmo assim, algo que pode ser discutivel mas no fundo, é assim que a "sociedade do animal de estimação" funciona... A trela, serve também para isso, tanto como símbolo ou como verdadeiro instrumento de controle.

Para mim, as crianças que se adaptarem ao dito ítem terão mais dificuldade em se auto-controlarem e discernirem, quando já não o usarem, porque no fundo, nunca o tiveram que fazer. Os pais, é que puxavam a trela, em vez de os chamarem à atenção ou estarem atentos aos seus movimentos e comportamentos.

A criança tem que ter vontade própria, individualidade, saber fazer escolhas. E para criá-las, existem os pais que as vão encaminhando, ensinando, opinando. Direcionando. E para isso, não há trelas que façam o serviço.

Sei que começa a estar na moda também por cá. Disseram-me que, por exemplo, em Nova York, se vêem milhares destas.  Que é o normal. Mesmo assim, não fico convencida. Nem sempre a normalidade.. é normal, se é que me percebem...

Este é o MEU espaço de opinião, e não recuso que haja quem seja a favor desta estranha forma de disciplina por parte dos pais e educadores. Mas sublinho, na mesma.... que acho coisa hedionda, que tolda estes pequenos seres nos seus movimentos físicos e até psiquicos, porque acredito que a vontade destas "mini-pessoas" deve ser  dirigida e não forçada à obediência. E porque acho, que ao contrário do que possam dizer, este género de "inovação", acaba por ser exatamente o contrário do que apregoam: como os pais se sentem "descansados" achando que os filhos não fogem.... um dia que se esqueçam da trela em casa... pode ser que só encontrem o filho ou a filha quando este parar de brincar até à exaustão e parar de correr quando chegar a Bagdad.

Por melhor ar que dêem à coisa (umas são encorporadas numas mochilas e nuns peluches fofinhos)... a mim continuam a parecer-me uma contradição estranha, sim, porque se " me quiserem roubar" a criança " Maddie Style", não vai ser uma trela usada na ida ao centro comercial que o vai impedir. Se chegarmos a esse tempo, em que o terror e falta de ordem na rua for tão grande ( tipo... mundo depois do Holocausto ou aquelas guerras loucas e sem tino que vemos nos filmes de fição ciêntifica..) aí, sim... talvez mude de opinião. Mas por agora... acho que vivemos ainda numa época em que o quando as crianças assim tratadas crescerem  “e quando se acharem no mundo, para agir por si mesmas, revelarão o fato de que foram treinadas, como os animais, e não educadas. e aí sim, a sua cabeça poderá fugir de si mesmo”...

E pronto... tenho dito.










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